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O último vestígio de Tupá ou São Domingos de Tupá, um vilarejo existente nas proximidades do Distrito de Domélia, município de Agudos (13 quilômetros de Bauru), há dois séculos, foi encontrado no último domingo (30). Trata-se de uma cruz de madeira que está sustentada por cipós prestes a desabar, possivelmente do antigo cemitério da localidade. Os arredores estão tomados por uma mata.
A localidade desapareceu do final do século 19 para 20. O lugarejo tinha igreja, farmácia, muito café distribuídos em vastas propriedades rurais, mas chegou a ter 3.629 habitantes conforme o censo oficial da Província de São Paulo. A população procurou outro local para viver após a crise do café. A igreja de madeira foi sendo destruída pela falta de conservação.
A incursão à área foi feita domingo de manhã pelo memorialista Celso e Junko Prado, estudiosos da localidade, conhecida de a "boca do sertão" e sede de distrito de paz e precedeu a Lençóis Paulista e recebeu foro de freguesia em 28 de abril de 1858. "Tupá é considerada a última povoação da última vila (Sorocabana), a partir da Serra de Botucatu. O bandeirante Bartholomeu Paes de Abreu, em 1721, referiu-se a essa povoação em um documento à Câmara de São Paulo, para reivindicar o seu caminho para as Minas de Cuiabá", escreveu Prado.
A cruz encontrada tem três símbolos esculpidos na madeira: âncora, cruz e coração que simbolizam fé, amor e esperança. De acordo com Gesiel Theodoro da Silva Junior em resposta por e-mail a Prado, a âncora é o símbolo da salvação, da alma que felizmente chegou ao porto da eternidade. Prado frisa que foi em 1855 que São Domingos se tornou freguesia, como circunscrição eclesiástica regional do qual abrangia vasta territorialidade, a exemplos dos atuais municípios e adjacências de Lençóis Paulista, Espírito Santo do Turvo, São Pedro do Turvo e Santa Cruz do Rio Pardo. Por meio de uma lei datada de 1868, o governo estadual transferiu a sede de distrito de São Domingos para "as margens do rio Pardo", onde foi instalado o núcleo Santa Bárbara do Rio Pardo.
No Espaço Histórico Plínio Machado Cardia estão guardados o altar de madeira da igreja de São Domingos e a imagem de São Benedito.
Memorialista defende que cruz vá para museu
| Celso Prado/Divulgação |
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| Âncora, cruz e coração esculpidos na parte debaixo da cruz |
O memorialista Celso Prado esteve domingo na área onde teria sido São Domingos do Tupá, localizado entre Domélia e Agudos, onde foi encontrada a cruz de madeira que pertenceu ao cemitério da localidade.
JC - A cruz encontrada se refere ao último vestígio de São Domingos do Tupá? O que significa os símbolos encontrados?
Celso Prado - A cruz e restos de túmulos. Os símbolos, conforme levantados pelo estudioso Gesiel Theodoro da Silva, de Avaré: a cruz, em si, o sacrifício de Cristo, e os símbolos cruz, coração e âncora, simbolizam a fé, amor e esperança. A âncora é o símbolo da salvação em Cristo.
JC - O que restou da localidade fica escondido em uma mata de difícil de acesso?
Prado - O acesso não é difícil para quem conhece a região.
JC - Na sua opinião a cruz deveria ser remetida para um museu de Agudos?
Prado - O ideal seria preservá-la no local, mas isto parece impossível nos dias de hoje, então, o museu de Agudos parece ser o local ideal, colocando-a sob abrigo, após tratamento e restauração. A mantenedora do Museu de Agudos mostra ser pessoa bastante preocupada em resgatar e preservar a história do local, afinal a cruz pertence ao município de Agudos, então é justo que fique lá, com os cuidados devidos.
JC - Qual é o estado desse cruzeiro?
Prado - Está sem sustentação, em estado de degradação natural. Já é possível retirá-la do local sem esforço exagerado. Se cair com certeza será carregada. Apenas cipós a sustentam.
JC - Neste local ficava o cemitério?
Prado - Sim, no local assentava-se o cemitério. Muitos dos restos mortais foram levados para o cemitério de Borebi, e, em menor número, para outros cemitérios escolhidos pelas famílias.
JC - Há possibilidade de encontrar vestígios da localidade?
Prado - Acredito que sim, Junko (Sato) e eu estamos trabalhando neste sentido; talvez em breve tenhamos novidades.
JC - O que poderia ser feito para que alguns desses resquícios pudessem ser preservados?
Prado - Poderia ser feito um trabalho junto aos proprietários ou em domínio da área para autorização em explorar o lugar. Talvez solicitar presenças e avaliações melhores de especialistas da USP, Unesp ou alguma instituição interessada.

