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Maio Amarelo

Archimedes Azevedo Raia Jr.
| Tempo de leitura: 3 min

O Movimento Maio Amarelo foi criado com o objetivo precípuo de conclamar a sociedade para os alarmantes índices de mortos e feridos no trânsito no mundo inteiro. Inspirado em ações de sucesso de outros movimentos, tais como o "Outubro Rosa", que aborda a luta contra o câncer de mama, e o "Novembro Azul", que enfoca o câncer de próstata, o "Maio Amarelo" objetiva promover ações dirigidas à conscientização sobre as responsabilidades e a avaliação de riscos sobre o comportamento dos cidadãos durante suas viagens cotidianas no trânsito. Em 2017, o tema do Maio Amarelo é "Minha escolha faz a diferença".

O Movimento escolheu o laço amarelo como símbolo e visa destacar a necessidade da sociedade em tratar os acidentes de trânsito verdadeiramente como uma epidemia e, por conseguinte, clamar a cada cidadão a adoção de comportamentos mais seguros e responsáveis.

Tem como premissa a preservação da sua própria vida e a dos demais cidadãos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já trata os acidentes de trânsito como grave problema de saúde pública, que merece tratamento diferenciado pelos governos dos diversos países.

As Nações Unidas, em 2010, definiu o período de 2011 a 2020 como a "Década de Ações para a Segurança no Trânsito", fundamentado em estudos da OMS que totalizam 1,3 milhão de óbitos/ano, motivados por acidentes de trânsito em 178 países. Paralelamente, 50 milhões de pessoas sobrevivem aos acidentes com sequelas. Isto representa a perda diária de 3 mil vidas nas vias urbanas e rurais, consistindo na 9ª maior causa de mortes no mundo. Em Bauru, 87 pessoas perderam a vida no trânsito, nos últimos 4 anos.

A acidentalidade viária é a 1ª responsável por mortes de pessoas na faixa de 15 a 29 anos de idade; a 2ª na faixa de 5 a 14 anos; e a 3ª na faixa de 30 a 44 anos. Estima-se que os acidentes imputem custos totais de US$ 518 bilhões por ano, representando um percentual entre 1% e 3% do Produto Interno Bruto de cada país.

O Brasil vive, nos dias atuais, uma tragédia silenciosa, que poucos dão a devida atenção, porque ela vem capilarizada ao longo do ano. Segundo dados do DPVAT, o seguro obrigatório dos veículos, em 2015 (dados mais recentes), foram pagas 42,5 mil indenizações por mortes e 515,8 mil por invalidez. Do total de indenizações pagas, 76% foram relativas às motocicletas, que representam apenas 26,5% da frota total nacional de veículos e 51% delas foram relativas a jovens acidentados na faixa de 18 a 34 anos.

Em Bauru, de janeiro a abril de 2017, morreram 5 pessoas no trânsito, sendo 4 (80%) delas usuárias de motocicletas, embora essas participem com apenas 21% da frota total bauruense.

É preciso políticas públicas, que se transformem em ações voltadas à segurança no trânsito brasileiro. A sociedade deve seriamente se engajar na campanha, mas, sobretudo, criar uma consciência tal que se tenha não somente um Maio Amarelo exitoso, mas um "Ano Amarelo".

Só assim será possível mitigar esta hecatombe que vem dizimando, principalmente os jovens. Urge "amarelar" a população brasileira para um comportamento mais responsável no trânsito. Essa escolha consciente deverá fazer a diferença.

O autor é doutor em trânsito e transportes, professor titular da UFSCar e diretor de Mobilidade da Assenag.

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