| Samantha Ciuffa |
![]() |
| Mauricio Agostinho Antonio está motivado pelas novas atribuições e cita o mote do ano: “O Rotary faz a diferença” |
![]() |
| Em 2003, ele foi diretor do IPMet da Unesp. Neste domingo, Mauricio conta ao JC alguns detalhes de sua trajetória |
Durante muitos anos, Mauricio Agostinho Antonio foi questionado sobre a previsão do tempo. "Não há quem resista perguntar: 'como vai ser o dia amanhã?'. Na profissão de meteorologista há várias especialidades, a minha sempre foi a pesquisa técnica e o estudo de fenômenos meteorológicos", conta aos risos.
Aposentado do Centro Meteorológico de Bauru há seis anos, continua fazendo palestras sobre tempestades severas e outros eventos naturais que causam danos. Ainda trabalha com sistemas de radar e tem projetos em outros Estados.
"Mas desde que aposentei, me voltei muito para as atividades do Rotary Club". Não por acaso, será empossado governador do distrito 4510, que possui 40 cidades, incluindo Bauru. Vale lembrar que o Rotary está em 212 países.
Também foi professor universitário por 10 anos e, mais maduro, cursou direito, na ITE. "É porque a Sílvia (esposa) é advogada e só outro advogado para entender o que ela fala", brinca. "Na verdade, quando a pessoa se engaja nessa área já tendo outra formação, aproveita melhor".
Sílvia Maria De Gennaro Castro Antonio é a companheira para todas as horas. "A gente trabalha muito junto e se dá bem. O Mauricio é excelente marido, pai e avô. Também temos bons amigos e isso nos ajuda muito".
Ela que participa do Rotary de Piratininga e ajudou a fundar um clube em Bauru, terá mais funções daqui para frente. "O ano de governadoria é difícil, fica mais longe da família e, por isso, ela é consultada. Eu ser rotariana ajuda o Mauricio, entendo, dou sugestões. É uma parceria. Como esposa, vou coordenar as Casas de Amizade, para que cumpram as metas e deem suporte aos clubes", explica.
Mauricio não esconde que é apaixonado por suas atividades humanitárias e cita o lema do ano 17/18, sugerido pelo presidente da associação, o australiano Ian Riseley: "O Rotary faz a diferença". "Essa ideia é muito forte em nós", relata. E certamente é um modo de vida, que o leitor conhece um pouco mais nessa entrevista.
JC - Como se envolveu com o Rotary?
Mauricio - Nossos pais foram rotarianos e os vimos trabalhando, desenvolvendo a questão do servir. É uma doação pessoal que sempre me chamou a atenção. Fomos convidados em 2003 e nos envolvemos. Bauru possui seis clubes e eu participo do Terra Branca, que tem 30 anos.
JC - Como chegou a governador?
Mauricio - Fui presidente e me candidatei a governador do distrito. Fui designado governador no começo de 2015; em julho daquele ano, governador indicado; em julho de 2016 eleito e, a partir de julho de 2017, empossado. É o que o ano rotariano começa em julho. A solenidade de posse é antes, dia 25 de junho. Participei de um treinamento nos Estados Unidos com 540 governadores de todo o mundo.
| Reprodução |
![]() |
| Mauricio e Sílvia conheceram a Índia durante viagem a serviço do Rotary, em 2015: troca de culturas é destacada |
![]() |
| Sílvia e Mauricio: parceria que dá certo |
JC - O que faz o governador do distrito?
Mauricio - O distrito é uma área geográfica e está organizado em zonas. A de Bauru é 22A, distrito 4510, que congrega 40 cidades e 68 clubes, com cerca de 1600 associados. O governador é responsável pelo andamento das atividades do distrito, do cumprimento de normas à efetiva atuação dos clubes na comunidade, para que levem bem-estar, continuem o programa de intercâmbio de jovens entre distritos de outros países, entre outras ações. O nosso distrito é bastante conceituado pela sua participação no programa de intercâmbio e número de associados.
JC - Quais as principais ações do Rotary?
Mauricio - Os clubes desenvolvem projetos que possam auxiliar a comunidade ou entidades que cuidam dela. Ajuda, por exemplo, no churrasco da Vila Vicentina. Cada clube atua em uma área. Em comum, os projetos visam o bem-estar da comunidade, a promoção da paz, a contribuição para melhores condições de vida das pessoas, amizade e integração.
JC - Essas são as bases da associação?
Mauricio - O presidente do Rotary Internacional pede ações na comunidade em seis áreas: paz e prevenção de conflitos; tratamento de recursos hídricos e saneamento básico; prevenção e tratamento de doenças; saúde materno infantil; educação básica e alfabetização de adultos; desenvolvimento econômico e comunitário (por meio de cursos profissionalizantes, por exemplo).
JC - Alguma desperta mais seu interesse?
Mauricio - O que mais me chama a atenção é a questão da paz. De modo geral, pouco esforço é feito nessa área, porque é algo filosófico, não é palpável como colaborar em obras assistenciais, por exemplo. E isso é feito muito bem. Mas é importante pensar e agir pela paz. Fazer algo que melhore a mediação de conflitos, mas também que os solucione, para que a paz seja constante na comunidade.
JC - A participação no clube gera amigos?
Mauricio - O Rotary é um espaço de amizade. Temos atividades em comum e isoladas. O clube Terra Branca, por exemplo, tem 39 associados. Frequentamos a casa, fazemos programas juntos... Há um incentivo para que os clubes sejam mistos, mas nem todos já são. As mulheres participam do Rotary desde 1987. O terra Branca tem só homens; já o Vitória Régia, é formado exclusivamente por mulheres. As esposas formam a Casa da Amizade, um braço do Rotary em diversas ações beneficentes.
JC - O que foi mais marcante nesse sentido?
Mauricio - O envolvimento com rotarianos de outros países. No intercâmbio rotário da amizade, grupos de distritos internacionais se visitam por cerca de duas semanas. Membros do nosso distrito viajam, imergem nas atividades do outro país e, depois, recebem em seu distrito. É uma troca de culturas, informações e experiências que desenvolve amizades muito fortes. Já participamos de cinco intercâmbios. Fazemos e mantemos grandes amigos graças ao contato pelo Facebook, é como se a visita continuasse. A Sílvia coordena o programa de intercâmbio da Casa da Amizade.
JC - Qual o maior desafio do trabalho rotariano?
Mauricio - É conseguir recursos para fazer os benefícios à comunidade. Mas a principal meta do Rotary é acabar com a poliomielite no mundo. Falta muito pouco. Até 1985 eram 300 mil novos casos no mundo. Depois de um experimento em um país asiático que envolveu o Rotary, a Unicef e a Organização Mundial de Saúde, ficou comprovado que a vacina podia diminuir e até mesmo acabar com a doença. O Rotary lançou o Programa Fim da Pólio, que investiu em tecnologia e compra de vacinas. Muitos países como o Brasil erradicaram a pólio há muitos anos. No ano passado, foram apenas 37 casos, em três países. Como governador do distrito, espero fazer parte do 1.º ano sem pólio no mundo.
Perfil
Mauricio Agostinho Antonio é natural de Garça e tem 64 anos. Veio com a família para Bauru em 1966. Fez o chamado científico no Ernesto Monte e faculdade de engenharia na antiga Fundação Educacional, hoje Unesp. Lá, envolveu-se com o Instituto de Pesquisa Meteorológica, onde trabalhou até se aposentar, em 2011. Adora viajar e tem como hobby a fotografia. Nas horas vagas, prioriza a família. Frutos do primeiro casamento, que o deixou viúvo, são os filhos Eduardo (já falecido) e Ricardo. Casado com Sílvia Castro Antonio há 27 anos, tem os enteados Gabriel, Carolina e Marcelo; através deles, os netos Gabriel, Ana Luísa e Rafaela. É católico e dedica maior parte da agenda às atividades do Rotary Club.



