Bairros

Em clima de solidariedade

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 12 min

Aceituno Jr.
Esquadrão do Bem durante distribuição de refeição e agasalhos no Centro de Bauru
Malavolta Jr.
Maria Inês Faneco, idealizadora do grupo, organiza doações de alimentos, cobertores e roupas de frio

Ajudar ao próximo é tarefa para o ano todo, mas quando as temperaturas baixam a necessidade de levar calor humano a quem vive nas ruas ou em bairros com maior vulnerabilidade social é ainda mais evidente.

Opções para se engajar não faltam: da campanha do município, intitulada "Aquece Bauru", à arrecadação por diversos grupos de voluntários, além de eventos beneficentes que recebem roupas de frio e cobertores. Nesta edição do JC nos Bairros o leitor conhece melhor algumas iniciativas. Entre elas, as realizadas pelo Esquadrão do Bem, que faz mobilizações, principalmente, a partir das redes sociais.

"Antigamente a gente atendia uma comunidade de 200 pessoas por mês. Hoje são cerca de 1.200 moradores de cinco bairros. Com as mídias sociais ficou mais fácil pedir doações, porque os amigos vão compartilhando. A gente tem que atingir o coração das pessoas", comenta Maria Inês Faneco, idealizadora do grupo, que tem 20 voluntários e centenas de colaboradores.

O Esquadrão do Bem leva alimentos e roupas aos bairros Ferradura Mirim, Jardins Europa e Vitória, Parque Jaraguá e Fortunato Rocha Lima o ano todo. O Esquadrão da Noite, um braço do grupo, serve refeições a moradores de rua na quinta-feira à noite. Ainda mais no outono e inverno, esse contato é acompanhado de agasalhos e cobertores.

"Se de dentro de casa está frio, se para você que tem emprego está difícil, imagine para quem vive na rua e não tem nada. A gente passa por crises, mas temos condições de ajudar", ressalta Faneco.

DÁ RESULTADO

No ano passado, o Esquadrão do Bem arrecadou mais de 1.200 peças. Em 2017 já soma 200 itens entre cobertores, roupas de frio, calçados fechados e meias. A campanha de inverno vai até o começo de agosto.

"A demanda é grande, pois a gente leva o agasalho para o morador de rua passar a noite, muitos não conseguem manter durante o dia. Nas comunidades as pessoas continuam usando. O que mais precisamos é de cobertores", informa a idealizadora do grupo.

"Estamos fazendo uma campanha para o dia das mães arrecadando toalha de banho ou lençol e produtos de higiene pessoal para os bairros. Em contato com a gente, pediram alimentos. Nesse sentido, toda doação é bem-vinda", acrescenta.

PARA AJUDAR

Acesse a página do Esquadrão do Bem - Unidos no Amor (https://www.facebook.com/dobembauru) ou ligue (14) 99675-5495. As doações de roupas, cobertores ou alimentos podem ser entregues nos pontos de arrecadação: Jornal da Cidade - rua Xingu, 4-44, Jd. Higienópolis (com Márcia Duran); Editora Alto Astral - rua Gustavo Maciel, 19-26, Altos da Cidade (com Sandro Paveloski); rua Vereador Antônio Ferreira de Menezes, 1-87, Vila Falcão (com Faneco); e rua Cussy Júnior, 3-41, Centro (com Tatiana Calmon).

Aquece Bauru 2017 deve chegar a todos os bairros

Campanha organizada por setores da prefeitura tem a meta de arrecadar ao menos 150 mil roupas de frio e 5 mil cobertores; são mais de 30 postos de arrecadação

Fotos: Samantha Ciuffa
Equipes da Sebes, Fundo Social de Solidariedade e Defesa Civil organizam campanha. Na foto, Maria José, Maria Odete, Ana Sales, Lazara Gazzetta, Adham Marin, Adriana Puttini, Alex Bueno, Fátima Monari e Carlos Fernandes
Lazara Gazzetta preside o Fundo Social de Solidariedade: “A população de Bauru é solidária e sempre colabora”

A cidade é considerada quente, mas grande parte da população já retirou dos guarda-roupas blusas e calças de inverno, edredons e cobertores. Será que entre eles há algo em boas condições que possa ser doado?

Há muitas formas de colaborar com a campanha “Aquece Bauru 2017”, realização da Prefeitura Municipal através da Secretaria do Bem-estar Social (Sebes), Defesa Civil e Fundo Social de Solidariedade, efetivado no começo do ano ao coordenar a arrecadação de roupas e móveis para famílias atingidas pelas chuvas de janeiro.

A expectativa é receber mais de 150 mil peças de agasalhos (não incluindo camisetas, chinelos e outros itens que não são para o frio) e 5 mil cobertores. A arrecadação já começou e segue até dia 20 de setembro.

“O frio é doído. E a campanha é um conforto para quem precisa. Abraçando a causa, a Prefeitura consegue atingir toda a cidade, pois a população é solidária e sempre colabora”, avalia Lazara Gazzeta, presidente do Fundo Social de Solidariedade. Até agora, a campanha já recebeu 32 cobertores e 300 agasalhos, fora o que ainda está nas caixas nos postos de arrecadação. Representantes do Tiro de Guerra também farão a coleta de porta em porta.

“Precisamos da parceria da comunidade, mas também de empresários, visando aumentar o volume de cobertura. O Fundo ainda não recebe recursos financeiros, porque o conselho com representantes de entidades está sendo constituído, por isso a participação de empresas é muito importante”, reforça.

A presidente do Fundo Social de Solidariedade espera que os grupos da Prefeitura estejam bem equipados com agasalhos e cobertores quando os dias mais frios chegarem, proporcionando maior qualidade de vida à população carente.

“A Sebes, por meio da sua equipe noturna, recolhe e leva para abrigos ligados à Prefeitura os moradores de rua que desejarem. É um trabalho constante, não só no frio. Muitos não querem ir e isso é respeitado”, avisa Lazara.

Além dos moradores de rua, os agasalhos e cobertores devem ser distribuídos através de associações de moradores cadastradas, entidades e a beneficiados no projeto Minha Casa, Minha Vida.

PARA AJUDAR

Entre os postos de arrecadação estão: Apae/Bauru, Sesi, Sescon/SP, Emdurb, TechTur Viagens e Turismo, Completa Comércio de Utilidades, Acib, Supermercados Confiança, FIB, Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, Sedecon, Motochic Peças e Servi- ços, Alternativa Sistemas, CTI Prof. Isaac Portal Roldan – Unesp Bauru, Senai, Tiro de Guerra, Sorri Bauru, CPFL, Brambilla, Mstech, Star Temper, Jonatas Loja, Lecon Tecnologia, Ciesp, Associação Yamada, Bauru 2000 Materiais de Construção, USP, Caixa Econômica Federal, IOB e Colégio Alfa Sciens.

Empresas interessadas em participar da Campanha devem entrar em contato pelo telefone (14) 3227-3510.

Voluntários em Ação não param

Fotos: Reprodução
Os voluntários Raquel Campos e Miguel Daré: agasalhos e alimentos para quem mais precisa
Miguel Daré entrega cobertores a moradores de rua na região central

Especialista em visitas temáticas mensais a entidades que assistem idosos, pessoas com deficiência e crianças, expert em bazares da pechincha, na colaboração em eventos solidários e, há um ano, na distribuição de refeições para moradores de rua todos os domingos, o grupo Voluntários em Ação está prestes a comemorar 20 anos. São 19 voluntários e muitos amigos que participam das atividades, como a recente entrega de 50 cobertores novos a moradores de rua, em diversos pontos da cidade. Na ocasião, 170 pessoas foram atendidas com lanches, bolo e suco. E a campanha para arrecadar doações não para.

“A gente faz a nossa parte sabendo que não tem fim. Como dizia o Paiva, fundador da entidade onde começamos nosso trabalho, a fome e a miséria nunca acabam”, lembra Miguel Zaidan Daré, coordenador do grupo. “Não mudamos as coisas, mas naquele momentos levamos uma alegria”. Para ele, o contato com os moradores de rua é uma atividade das mais gratificantes. “Todo mundo poderia fazer alguma coisa, mas tem medo por causa dos estigmas. Encontramos viciados em drogas, jovens com olhos perdidos... Eles agradecem, choram, rezam... Quando vou embora, tenho a sensação de que uma pequena parte da missão está cumprida. É muito triste também”.

O grupo, mantido com a renda dos bazares, realizados a cada dois meses, ainda faz campanhas de arrecadação de alimentos para comunidades carentes, roupas e fraldas geriátricas, além de organizar gincanas culturais e recreativas.

PARA AJUDAR

Entre em contato pela página https://www.facebook.com/miguel.zaidandare ou pelo telefone (14) 99762-2134.

Vinil & Burguer

O evento no último dia 30, inciativa do Restaurante Tayu, da Loja The 70's e da Banda LexGo! recebeu cerca de 300 peças, que foram entregues ao grupo Voluntários em Ação; na imagem, Lucinha Svizzero, do Voluntários em Ação; Gustavo Moreira da Cunha (do Tayu) e Luis Claudio Davansso (da LexGo!). O restaurante (na rua José Antônio Braga, 2-77, Vila Aviação) mantém um posto de arrecadação até julho. Fone: (14) 3224-3685.

Reprodução
Lucinha Svizzero, Gustavo Moreira da Cunha e Luis Claudio Davansso

Esquadrão do Rock esquenta noites de quem está nas ruas

Grupo leva refeições, roupas e cobertores a moradores de diversos pontos da cidade; mais campanhas estão surgindo por toda a cidade

Fotos: Aceituno Jr.
Integrantes do Esquadrão do Rock saem para ronda na última terça-feira: Wiverson Consalter, Sônia Alfredo, Luciana Cabelo, Mariane Baptistella, Claudia Micheloto, Ana Carolina, Valéria Carvalho Costa, Vinicius Melchiades, Leandra Miranda, Tatiane Losnak, Cristian Criscione e Marcelo Baptistella
“Fazemos questão de oferecer comida de qualidade e começamos a cozinhar no início da tarde”, conta Valéria Carvalho Costa
Na última ronda, as marmitas foram feitas com pernil, batata cozida, arroz e feijão

Numa madrugada "congelante" de junho do ano passado, Valéria de Carvalho Costa, uma das proprietárias do Armazén Bar, teve a ideia de fazer uma festa no local para arrecadar agasalhos e cobertores.

Várias bandas toparam e cinco dias depois deram show pela causa. "Logo no domingo começamos a entrega. Recebemos tantas peças que temos coisas até hoje", conta.

Assim nasceu o Esquadrão do Rock, grupo de músicos, frequentadores e amigos do "Arma" que, com a coordenação de Valéria, há quase um ano leva refeições a moradores de rua toda terça-feira e, nessa época, intensifica a campanha e doação de roupas de frio e cobertas.

Participam do grupo 26 pessoas. Na ronda, efetivamente, comparecem entre seis e dez integrantes. "A gente foi se unindo cada vez mais e todos são bem-vindos. Muitos pedem para não ser identificados e ajudam à distância".

Tanto que os voluntários já ganharam fogão, forno e panela de pressão grande para dar conta de preparar toda semana entre 95 e 102 marmitas, distribuídas em pontos que concentram moradores de rua, como a estação ferroviária, o terminal rodoviário, marquises de igrejas nas vilas Falcão e Cardia, a região central da cidade e algumas avenidas. Quem é encontrado pelo caminho, também recebe ajuda.

"O que mais corta o coração é a gente levar uma blusa ou cobertor para um morador de rua e ele dizer: 'não precisa, tenho duas, guarda para quem não tem nada'. Ou quando dá a última marmita e chega alguém... Eles dividem. Há solidariedade", afirma Valéria.

O grupo leva também ração para os cães dos moradores de rua. "Mesmo assim tem gente que divide a marmita com os bichos: 'tudo que eu como ele come'. Esses animais recebem muito amor. Temos um veterinário no grupo que já precisou dar um atendimento básico ou remédio. Vale a pena".

O Esquadrão já arrecadou doações para o Lar dos Desamparados e faz campanha com a intenção de comprar rolos de microfibra para fazer ponchos para 50 alunos de uma escola no Núcleo Fortunato Rocha Lima. "Eles não têm o que vestir e deixam de estudar por causa do frio. Vamos costurar em mutirão e também correr atrás de agasalhos e tênis em boas condições para essas crianças", antecipa.

PERFIL E REAÇÕES

Aliás, por acaso, os cobertores de microfibra colorida estão entre as "marcas" do Esquadrão do Rock. "Assim a gente sabe por onde já passou e quem ainda tem o que demos. Em março compramos 200 cobertores para garantir o preço melhor. A gente se vira como pode e já está doando", conta a coordenadora.

De acordo com ela, não há crianças entre os moradores de rua; a maioria é de homens entre 30 e 40 anos ou mais, porque pelas condições de vida aparentam idade maior do que têm; há alguns idosos e poucas mulheres.

"A maioria não quer sair da rua pela liberdade. Outros não, estão lá porque não têm mais nada. Muitos gostam de conversar, contar histórias... Há todo tipo de reação. Alguns agem como se não fizesse diferença ou são ingratos. A gente não pode levar em consideração, porque muitos estão fora de si", relata Valéria.

No caso dela, a receptividade não interfere na ação. "Para mim, alguns olhares compensam tudo. Um dia um idoso me olhou com olhos de criança, brilhando, e quando entreguei a marmita ele disse: 'para mim?'. Dei uma coberta e ele falou: 'para mim também?'. Estava surpreso, como se questionasse: eu mereço?". Claro, que sim.

E a expectativa é poder fazer cada vez mais. "Aprendi tanto com os moradores de rua... Mudou minha noção de necessidade. Um dia pensei: preciso de uma bota. Aí vi que não, necessidade é outra coisa", conclui Valéria.

PARA AJUDAR

O Esquadrão do Rock sai da rua Floriano Peixoto, 8-16, toda terça-feira, por volta de 21h30. Doações também podem ser entregues no Armazén Bar (rua Quintino Bocaiuva, 2-20). Informações com Valéria pelo telefone (14) 99772-3736.

Cabide Solidário do Jack Music Pub virou tradição

Reprodução
Cabide solidário

Quem passa pela quadra 8 da avenida Duque de Caxias nessa época do ano já sabe: em uma árvore fica o Cabide Solidário do Jack Music Pub. Nele, pessoas deixam e retiram agasalhos de abril até o final de julho.

"Começou em 2012 e já arrecadamos mais de 30 mil peças. Vi em Curitiba algo parecido e adaptei. Saiu até no New York Times em 2016 ", diz Caio Richieri, proprietário da casa noturna.

"As doações são espontâneas e todo dia alguém coloca uma peça lá. Tem pai que traz o filho para dar o exemplo de doar. Isso mostra que a humanidade ainda tem saída", reflete.

"Pelas câmeras do bar vejo que tem gente que usa e devolve, experimenta e até desce do ônibus só para pegar uma blusa. Vi quem vendeu para comprar comida e um morador de rua que deixou uma peça que ganhou e não serviu. Quem pega é porque precisa mesmo".

Muitas doações que abastecem o cabide também chegam através de eventos no Jack, em que o ingresso é um agasalho ou quem leva uma peça paga meia entrada. Só no ano passado foram arrecadados 3.800 agasalhos.

"A gente recebe tanto, de tanta gente, de atenção a confiança, seja como empresa ou pessoa. Também acredita muito em Deus, recebe tanto d'Ele e não tem como agradecer. Então, procura nas pequenas atitudes uma forma de retribuir", partilha Caio, que através da sua casa noturna realiza outras ações solidárias. "A adesão das pessoas é surpreendente. Temos vários projetos envolvendo clientes e devemos fazer mais".

PARA AJUDAR

O Jack Music Pub fica na avenida Duque de Caxias, 8-56. Informações e doações pela página https://facebook.com/JackMusicPub e pelos telefones (14) 3245-3254 e 99700-3254 (somente WhatsApp).

Reprodução
Agasalho por CD - A cantora sertaneja Priscilla Soares fez show no Parque Santa Edwirges dia 29, dentro da campanha “Amor”. O público trocou uma roupa de frio ou cobertor por um CD da artista. As peças arrecadadas serão doadas a uma instituição. “Estou muito feliz por poder fazer algo de bom para as pessoas”, disse.

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