Tribuna do Leitor

Meu celular quebrou...

Hilário Nunes da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Recentemente, meu celular apresentou problemas e, ao verificar a possibilidade do conserto, constatei que o reparo ficaria próximo ao preço do aparelho. Como a vida não está fácil para ninguém, resolvi ficar com um modelo mais antigo, que como o primeiro que tive, um "tijolo", só faz e recebe chamadas.

Como me incluo com satisfação à Família Acolhedora, que é um serviço que acolhe crianças e adolescentes, afastados da família por medida de proteção, em residência de famílias acolhedoras cadastradas, sendo previsto até que seja possível o retorno à família de origem ou, na sua impossibilidade, o encaminhamento para adoção, com frequência vou ao Hospital Estadual buscar medicamento de alto custo, a postos de saúde, Pronto-Atendimento infantil, Sorri (que, como nas outras instituições, sou sempre muito bem atendido), e quando dispunha do aparelho que quebrou, já sentava e desfrutava de suas benesses.

Todavia, como explanei, meu celular quebrou, então foi obrigado a sentar e... esperar. O começo foi bem difícil, mas como o ser humano acostuma com tudo, fui me adaptando à nova realidade, e com o tempo percebendo como as pessoas, inclusive eu, são dependentes desse aparelho, pois nos lugares em que ia e vou, já não se vê mais uma conversa, uma boa prosa com seu desconhecido ao lado de sua cadeira, a maioria de crianças a adultos, vendo fotos, redes sociais, jogando, vendo vídeos, e com os sons mais estranhos e inconvenientes para o local, nos carros em movimento e estacionados, nos pontos de ônibus, nos consultórios médicos ...

Hoje mais conformado com a "morte" de meu aparelho, já estou mais adaptado a essa nova realidade, e procuro nesses e em outros locais esperar com mais paciência. Sempre que vejo uma brecha, converso com meu vizinho, falo dos meus acolhimentos, ouço também, e quem sabe fazer uma amizade, percebo o quanto as pessoas estão escravas e condicionadas a essa situação, e fico feliz que isso tenho me acontecido, pois nada acontece por acaso.

Quero dizer que não, não sou contra a tecnologia, a evolução das coisas, como disse Auguste Comte: "O Progresso é a lei da história da humanidade, e o homem está em constante processo de evolução", mas, na minha opinião, nem toda evolução é benéfica. Tenho certeza que quando conseguir comprar um novo celular, já não serei mais o mesmo, unindo que sabe um consenso entre essas duas situações distintas.

Então, da próxima vez que estiver num desses, ou em outros locais, pare, observe e perceberá como esse cenário é fato, e quem sabe não perder tanto tempo "conversando" com seu aparelho descobrirá detalhes que sempre passaram em branco, como aquela linda flor em um canto do consultório, pois nós fomos criados para viver em sociedade para assim evoluirmos, e não "solitários" como um eremita.

 

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