Tribuna do Leitor

Um dia de trabalho

Cinthya Nunes - cinthyanvs@gmail.com
| Tempo de leitura: 2 min

Embora o Direito do Trabalho não seja minha área de atuação na advocacia, é de minha mais completa preocupação, inclusive enquanto trabalhadora, que os direitos assegurados aos trabalhadores não sejam suprimidos de tal forma que os tornem ainda mais vulneráveis diante do poderio econômico de alguns empregadores. É fato, contudo, que, diante da modernização das relações humanas, muita coisa deva ser revista, ajustada, sob pena de tornar o emprego formal algo em extinção.

Curiosamente, enquanto se debate sobre o tema, dividindo-se as opiniões, colocando muita gente em lados diametralmente opostos, sem que, em muitos casos, sequer se conheça exatamente sobre o que se está discutindo, pouco ou nada se fala de diminuir regalias absurdas, de caráter monárquico, das quais se beneficiam uma imensa gama de servidores públicos de altos escalões e toda a classe política.

O descompasso entre o que alguns poucos tem direito e que falta a tantos outros é tão abissal que parece já ter causado torpor na população que, de olhos cobertos por cortinas de fumaça oportuna e levianamente criadas, fica incapaz de reagir corretamente, pelo voto crítico e por movimentos efetivos. Somos esfolados por uma carga tributária pornográfica, espoliados por todo tipo de ladrões e bandidos, desde os mais ignorantes aos mais cultos e tudo o que se ouve de solução para os rombos orçamentários envolve aumento de impostos e retirada de direitos.

Alguma coisa está errada e não é de hoje. Não vou entrar no mérito sobre a legitimidade de greves, até porque, ao meu entender, elas deveriam ocorrer em dias não úteis, de forma a não prejudicar serviços essenciais e sem tornar reféns e coagidos aqueles que não desejam ou não podem aderir ao protesto. Democracia envolve fazer parte daquilo que está conforme minhas convicções e não que eu tenha que obedecer ao grito de guerra levantado por alguns.

Estamos vivendo um estado de coisas nesse país que, a prosseguir como está, logo seremos uma nação de desfavorecidos que, diante do encastelamento de uma minoria, estaremos tão enfraquecidos que nada mais nos restará a não ser conceder aos nossos soberanos o sangue que corre em nossas veias.

Eu espero, honestamente, que o bem, o bom-senso e a Justiça ainda possam prevalecer e, ao invés de estarmos indo para as trevas do Direito e da democracia, estejamos passando por um divisor de águas, pela abertura que nos levará à libertação, a amadurecermos como lugar em que político não é profissão, mandato não seja trono e que dinheiro público não seja sinônimo de caixa dois. Enquanto isso não chega, vale refletirmos se o Dia do Trabalho deve ser apenas visto como mais um feriado ou como uma alerta de que, pior do que está ainda pode ficar...

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