| Roberto Parizotti/CUT/Fotos Públicas |
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| Militantes do MST montam acampamento para aguardar o depoimento de Lula em Curitiba |
Na véspera do depoimento que presta nesta quarta-feira (10) ao juiz Sergio Moro em ação em que é réu na Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de três reveses, incluindo a suspensão das atividades do Instituto Lula. Dois deles vieram do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. No primeiro, o juiz Nivaldo Brunoni manteve o depoimento hoje - a defesa havia pedido a suspensão sob o argumento de que não teve tempo suficiente para analisar documentos da Petrobras relativos ao caso.
O mesmo juiz, horas depois, confirmou decisão tomada na véspera por Moro e negou pedido da defesa do ex-presidente para gravar o depoimento em Curitiba. Brunoni disse que "não apresenta pertinência lógica" a solicitação. A defesa de Lula alegou que "seria relevante capturar "a completude do ato judicial para observar as expressões faciais e corporais não somente do acusado".
À noite, em outra ação em que Lula é alvo na Justiça, juiz da 10ª Vara Federal de Brasília ordenou a suspensão das atividades do Instituto Lula, em São Paulo, sob o argumento de que, no local, foram discutidos vários assuntos que poderiam violar a lei penal, o que é contestado pela defesa do petista.
APREENSÃO
Desde que Moro agendou o depoimento marcado para as 14h desta quarta, em ação que trata da suspeita de que a OAS ofereceu vantagens indevidas ao ex-presidente - a ajuda para manter seu acervo e um imóvel no litoral paulista- em troca de contratos com a Petrobras, a capital paranaense vive clima de apreensão.
Nessa terça-feira (9), militantes contrários e favoráveis ao ex-presidente se manifestaram em Curitiba. Liderado pelo MST, o grupo pró-Lula levantou um acampamento ao lado da rodoviária curitibana.
À noite, um juiz do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, determinou liminarmente a reintegração de posse de parte do terreno onde o MST montou acampamento. O MST ainda pode recorrer.
Do lado anti-Lula, um grupo que acampava em frente ao prédio da Justiça Federal - área em que foram proibidos transeuntes nesta terça - mudou-se para o lado do museu Oscar Niemeyer. Durante a tarde, dez pessoas estavam no local.
Lula foi orientado por sua defesa a enfatizar dois pontos ao magistrado: o fato de o antecessor Fernando Henrique Cardoso também ter tido ajuda para constituir um acervo depois de deixar o Planalto, e o fato de a OAS ter usado o tríplex em Guarujá como garantia em processo de recuperação judicial. Isso mostraria, segundo Lula, que ele nunca foi dono do imóvel. Como a ação se restringe a esses dois tópicos, o petista foi orientado a não se manifestar sobre demais temas.
Lula manifestou a aliados o desejo de fazer um discurso político durante a oitiva, deixando para os advogados o embate jurídico direto com o magistrado. "Moro levou (o depoimento) para a seara política e, desculpa, política quem faz melhor é ele (Lula)", disse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), favorita para assumir a presidência do PT no segundo semestre. Os colaboradores do ex-presidente apostam, porém, que, a exemplo da posição adotada na audiência de Antonio Palocci, Moro impeça qualquer declaração política e não permita que o depoimento se transforme em um palanque.
Petistas duvidam que venha a se repetir, por exemplo, o depoimento prestado por Lula em Brasília, quando falou sem interrupções. Nos últimos dias, Moro disse que o procedimento está "dentro da normalidade do ato processual" e que "nada ocorrerá" - em referência à expectativa entre detratores de Lula de que o ex-presidente pudesse ser preso.
Defesa recorre ao STJ para adiar depoimento
A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou na noite de ontem no STJ (Superior Tribunal de Justiça) com três recursos contra decisões do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da quarta região) para adiar o depoimento marcado para hoje ao juiz Sergio Moro.
Os advogados entraram com três pedidos de habeas corpus.
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