Tribuna do Leitor

Padrão de consumo

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 2 min

A avalanche de ataques aos direitos do povo pode deixar no esquecimento o necessário combate para evitar a continuidade da desenfreada depredação da natureza.

O corte do pau-brasil ocorreu de modo a torná-lo espécie em extinção. A devastação das florestas para plantio de cana-de açúcar, café, milho, soja e, de novo cana, são exemplos de agricultura voltada à exportação para satisfazer a ganância de acumulação da riqueza de poucos. A agressiva extração de ouro e outros minérios se fez igualmente com acelerada depredação da natureza e prejuízo ao povo.

No século XX, a geração de energia foi responsável por provocar trágicos desequilíbrios, a ponto de por em risco a sobrevivência da humanidade. A era do petróleo e derivados, inundou o mundo de uma infinidade de produtos (assim também os eletrônicos). No Brasil, são produzidos 550 mil toneladas de garrafa PET, 14% para água mineral. São necessários 3 litros de água para produzir uma garrafa de um litro de água. 90% do custo da água em garrafas está na fabricação do recipiente, do rótulo e da tampa.

Para deter essa tragédia é preciso mudar o padrão de consumo. A produção de alimentos tem sido suficiente para alimentar toda população da Terra, mas a concentração por poucas empresas multinacionais (Monsanto, Cargill, Louis Dreifus, Wall Mart ...) faz com que um bilhão de pessoas não tenha acesso à comida.

A melhora da vida da população deve ser acompanhada de uma verdadeira batalha cultural sobre o 'consumismo desenfreado', declarou a Frente Ampla do Uruguai, no seu IV Congresso. Se queremos sobreviver, temos que frear a devastação das florestas, da biodiversidade, a mercantilização da água e da terra, a poluição do ar, do solo, das águas, a concentração da terra, da água, dos alimentos... em mãos de poucos, mas também mudar o padrão de consumo.

Nas várias edições do COP, assim como nas Conferências Mundiais sobre o Clima, os governos dos Estados Unidos se negaram a assinar acordos de diminuição de emanação de agentes poluentes. Ao mesmo tempo, atuam para romper a estabilidade e unidade de povos e governos, para favorecer os interesses de suas corporações, principalmente as petroleiras.

A propaganda antecipou-se à produção, criando a mentalidade do consumismo. É preciso mudar o padrão de consumo e concentração. Se não for em nome da justiça, pelo menos na busca da felicidade. No dia 6 de maio, em São Paulo, José Mujica, ex-presidente do Uruguai, fez um contundente alerta: "Aprendi que, se você não consegue ser feliz com poucas coisas, não conseguirá ser feliz com muitas coisas."

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