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Polícia Militar se organiza para maior reintegração da história do município

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Tenente-coronel Kitazume explica que aproximadamente 300 policiais irão atuar na operação

A Polícia Militar (PM) de Bauru se prepara para a maior reintegração de posse da história da cidade. Programada para o dia 23 de maio, a partir das 6h, a restituição de aproximadamente 4 mil lotes, localizados nas imediações do Jardim Mary, Jardim Marabá e Vila Aviação B, pretende remover cerca de 2,5 mil pessoas dos acampamentos “Morada da Lua”, “Morada das estrelas” e “Nova Canaã”, montados nos últimos anos nestas áreas.

Divulgada nessa quinta-feira (11) em coletiva de imprensa, a operação - também considerada pela PM como a maior da história da corporação em Bauru - visa cumprir 32 mandados de reintegração de posse emitidos desde agosto de 2016 pelas sete Varas Cíveis da Justiça na cidade, contra o Movimento Social de Luta dos Trabalhadores (MSLT), que contesta a propriedade das áreas e as ocupa em protesto.

“Não vou entrar no mérito sobre direitos e políticas. A polícia foi acionada para auxiliar os oficiais de Justiça. Há nove meses temos recebido esses mandados. Trata-se de um movimento único com liderança. Após estudo e analise da situação, chegou-se a um consenso de que o melhor seria uma operação única para remoção de todos, deixando apenas os que possuem posse da terra”, cita o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante da PM em Bauru.

Ao menos 300 policiais da cidade e da região devem ser escalados para atuarem na operação, que também deve trazer a Bauru oficiais de Justiça de outros municípios.

ALTO RISCO

Por envolver possibilidade de confronto, a ação é considerada de alto risco. “Estamos em contato permanente com representantes dos acampados para minimizar ao máximo risco de confronto”, comenta Kitazume. “Se, até dia 22, não recebermos uma ordem judicial ou superior contrária, a operação será mantida”.

A reportagem tentou contato com um dos líderes do movimento, mas não teve retorno.

DINÂMICA

De acordo com o comandante, a primeira etapa da operação focará o convencimento dos acampados. “Vamos trabalhar para diminuir o efeito colateral. Sabemos que ninguém sairá contente de lá, mas não podemos deixar de cumprir nosso papel”, frisa.

Kitazume afirma que os policiais estarão sem armas de fogo. “Elas (armas de fogo) ficarão nas mãos dos sargentos e comando. Os demais estarão munidos de cassetetes, escudo, capacete e munição não letal que, se for usada, será de forma escalonada”, resume.

Famílias desamparadas deverão ser assistidas

A polícia afirma que está preparada para uma operação que dure entre uma semana e dez dias. “Os acampamentos deverão ser desmontados com ajuda de caminhões. E as famílias que não tiverem para onde ir devem receber assistência do município”, pontua Flávio Kitazume.

O Corpo de Bombeiros, a Polícia Rodoviária, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), o Conselho Tutelar, a Secretaria de Obras, a Defesa Civil, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), a CPFL Paulista e as concessionárias das rodovias Marechal Rondon (SP-300) e Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), que dão acesso aos acampamentos, também foram convocadas a participar da ação.

A PM se reuniu ainda com as Comissões de Direitos Humanos e de Direito Imobiliário e Urbanístico da subsede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru, nos últimos dias.

946 casas

Segundo informações divulgadas nessa quinta-feira (11) pelo 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I) durante a entrevista coletiva, 946 casas improvisadas devem ser desmontadas nos três acampamentos, que estariam estendidos por uma área total de 740 mil metros quadrados. A operação será coordenada pelo major da PM João da Costa Duarte.

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