Cultura

Literatura dá adeus ao 'gigante Antonio'


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Wilton Junior/Estadão Conteúdo
O escritor Antonio Candido, em 2011, em Paraty: profundo

O crítico literário e sociólogo Antonio Candido, dono de uma das obras mais fundamentais da intelectualidade brasileira, morreu aos 98 anos. Ele estava internado no Hospital Alberto Einstein, em São Paulo, com problemas no intestino, de acordo com Edla Van Steen.

Autor de livros fundamentais como "Introdução ao Método Crítico de Silvio Romero" (1944), "Formação da Literatura Brasileira" (1959), "Literatura e Sociedade" (1965), entre muitos outros, Candido formou uma maneira de pensar a literatura brasileira que influenciou praticamente toda a crítica literária do País desde então.

O crítico e ensaísta se definia como um sobrevivente. "Sou provavelmente o último amigo vivo de Oswald de Andrade", comentou Candido, em rara entrevista, em Paraty, onde, em 2011, fez a conferência de abertura da 9.ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip.

"Tive a sorte de viver um tempo de esplendor da literatura brasileira. Mas avaliações erradas poderiam custar o emprego", contava Candido.

'Espírito'

Candido foi um socialista democrático convicto ao longo de toda a vida "tendo integrado os quadros do Partido dos Trabalhadores desde o início", disse a família. Era viúvo de Gilda e Mello e Souza com quem teve três filhas, oito netos e cinco bisnetos.

"Estava muito lúcido, era incrível. A gente conversava sempre. De repente isso aconteceu. A gente perdeu mais do que um amigo, mas o espírito de um tempo", resumiu, emocionado, o filósofo Adauto Novaes.

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