Está aberta a temporada de caça do Campeonato Brasileiro. Neste final de semana, os principais times do futebol nacional entram em campo para a primeira rodada da competição. Entre candidatos ao título e times que brigam contra o rebaixamento, o torneio exige o melhor de cada equipe e todo ponto é precioso.
Campeão em 2016, o Palmeiras vai em busca do bicampeonato seguido. A última vez que esta situação ocorreu foi em 2013/2014, com o Cruzeiro. O Palmeiras conta com a volta do técnico Cuca e espera melhorar seu rendimento. Em pouco mais de cinco meses, o Palmeiras lidera o Grupo 5 da Libertadores, mas foi eliminado pela Ponte Preta no Paulistão. Cuca terá à disposição um dos elencos mais caros e qualificados do futebol nacional.
Já o Santos, vice-campeão no último ano, apresentou altos e baixos nesta temporada, mas provou que tem elenco para chegar forte e embalar durante a competição. Concorrentes do Palmeiras em 2016, Atlético Mineiro e Flamengo voltam a figurar como nomes fortes para o título de 2017. O Rubro-negro conquistou o Campeonato Carioca ao vencer o Fluminense e vem embalado para o Brasileirão, esperando contar com as estrelas Paolo Guerrero e o Diego - o meia deve retornar de lesão ainda no primeiro turno. Já o Galo levou a taça do Mineiro e conta com um elenco experiente, capitaneado por Fred, Elias e Robinho.
Contestado no início do ano, o Corinthians deixou para trás os rivais e conquistou seu 28º título do Campeonato Paulista. Com uma defesa sólida e um meio-campo que vem rendendo bons frutos, espera correr por fora e fazer frente aos times que estão na Libertadores. Neste ano, o torneio internacional terá suas finais coincidindo com o a reta final do Brasileirão, o que pode ajudar o Corinthians. Outro clube que surge com potencial é o Grêmio.
Sonho de todo time brasileiro, a Libertadores é o objetivo de grandes do futebol nacional. No último ano, Botafogo e Atlético-PR surpreenderam, superaram os concorrentes e garantiram vaga no G6 do Brasileirão, e esperam realizar a mesma façanha em 2017. Enquanto isso, o Cruzeiro, do técnico Mano Menezes, começa a ser questionado após perder a final do Mineiro e ser eliminado ainda na primeira fase da Copa Sul-Americana, mas, com apenas três derrotas no ano, mostrou ter qualidade.
A Copa Sul-Americana vem sendo cobiçada cada vez mais pelos brasileiros. Único clube da Série A a já ter conquistado o torneio, o São Paulo tropeçou nas primeiras competições do ano. O técnico Rogério Ceni teve problemas para montar o Tricolor, mas espera encaixar sua tática no Brasileirão e brigar pela Libertadores ou no mínimo pela Sul-Americana. Os cariocas Fluminense e Vasco, que também tiveram problemas com o elenco, encaram o Brasileirão como uma chance de voltar à Sul-Americana em 2018.
Chapecoense, Sport, Ponte Preta e Coritiba esperam ficar bem longe da zona de rebaixamento e com liberdade para beliscar uma vaga no torneio sul-americano. Enquanto isso, alguns times já ligaram o sinal de alerta e entram brigando com unhas e dentes para a manutenção na Série A. Com elencos mais modestos e campanhas inconstantes nos últimos anos, Atlético-GO, Avaí, Bahia e Vitória não devem ter vida fácil em 2017.
SÓ 3 TÉCNICOS JÁ FORAM CAMPEÕES
Dos técnicos que iniciam o Brasileirão, somente três já venceram o torneio ao menos uma vez Paulo Autuori, hoje no Atlético-PR, foi campeão com o Botafogo em 1995. Abel Braga levou o Fluminense ao título em 2012 e está novamente à frente da equipe tricolor. E Cuca deu a taça ao Palmeiras, em 2016, após 22 anos de espera e acaba de ser recontratado para o lugar do demitido Eduardo Oliveira.
Já entre os novatos, destaque para nomes como Fábio Carille, do Corinthians, e Zé Ricardo, do Flamengo, que acabam levar seus times a títulos estaduais. Jair Ventura, no Botafogo, quer voltar a emplacar boa campanha após a surpreendente classificação que conseguiu para a Libertadores deste ano, então com um time bem limitado. Rogério Ceni, tricampeão como goleiro pelo São Paulo, está à frente do Tricolor, agora como técnico.
QUEM SERÁ O ARTILHEIRO?
No ano passado, três jogadores dividiram a artilharia do Brasileiro: Fred (Atlético-MG), Diego Souza (Sport) e William Pottker (Ponte Preta). Foram os goleadores mais "econômicos" nos últimos 25 anos. Cada um marcou apenas 14 gols. Fred e Diego Souza terão a chance de brigar mais uma vez pela artilharia nesta temporada. Já Pottker trocou a Ponte Preta pelo Inter, que vai disputar a Série B. Pratto, agora no São Paulo, pode entrar na lista em 2017. Há outros concorrentes.
São Paulo mira Libertadores e encerrar jejum de conquistas
| Antônio Cícero/Poá Press/AE |
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| Ídolo como atleta, Rogério Ceni encara responsabilidade de comandar o São Paulo pela primeira fez no Nacional |
Tricampeão nacional como jogador em 2006, 2007 e 2008, Rogério Ceni sabe o quanto é difícil conquistar o Campeonato Brasileiro no formato de pontos corridos. Por isso, agora na função de técnico, ele não cria ilusões no torcedor. O objetivo principal será garantir vaga na Libertadores de 2018. A possibilidade de brigar pelo título será uma consequência do desenrolar do campeonato e do que o time mostrar em campo.
A chave do sucesso passa pelo equilíbrio. O fraco desempenho no início da temporada no Campeonato Paulista - queda na semifinal para o Corinthians -, na Copa do Brasil - eliminação diante do Cruzeiro na quarta fase - e Copa Sul-Americana - saída na primeira fase frente ao Defensa y Justicia, da Argentina - deixou claro que o setor defensivo será o maior desafio do ex-goleiro. O ataque chegou a ser eficiente, mas o rendimento defensivo na bola área foi lastimável.
A falta de um grupo numeroso, com peças de reposição à altura dos titulares, poderá ser um problema de difícil solução para Rogério Ceni. Se perder jogadores como Cueva e Pratto por contusão ou punição, algo que já vai ocorrer na disputa, o técnico terá de criar opções táticas para que a equipe sinta o menos possível as ausências.
O São Paulo não conquista o Brasileirão justamente desde 2008, quando Rogério Ceni ainda vivia o seu auge como goleiro e grande ídolo são-paulino. De lá para cá, o time encarou a luta por uma vaga na Libertadores como uma realidade mais palpável - exceção de 2009, quando foi vice-campeão.
O certo é que o Tricolor tentará justificar a tradição e apostar no peso da camisa que foi seis vezes campeã brasileira. Além do tricampeonato consecutivo com os troféus erguidos em 2006, 2007 e 2008 - o único clube a conseguir o feito na história -, o time ficou com o título em 1977, 1986 e 1991. Ou seja, ao menos sonha com um almejado heptacampenato. E pelas mãos novamente do ídolo Rogério Ceni, agora como comandante.
Santos aposta em continuidade com Dorival pensando em título
| Guilherme Dionízio/AE |
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| Vice-campeão no ano passado, Dorival Júnior busca galgar degrau e levar o Santos ao título nesta temporada |
O Santos aposta na continuidade da filosofia de trabalho para lutar pelo título do Brasileirão deste ano. Manter a comissão técnica e ter um elenco mesclado por jogadores experientes e jovens são as apostas do time alvinegro para a competição. Em 2016, a equipe foi vice-campeã nacional e chegou a estar muito próxima de ultrapassar o Palmeiras - que se tornaria campeão - na reta final.
Dorival Junior é o técnico mais longevo no cargo entre os 20 clubes da Série A (será o terceiro Brasileirão consecutivo dele à frente da equipe). O comandante retornou à Vila Belmiro em julho de 2015 - após uma passagem frustrante pelo Palmeiras, no ano anterior - para substituir Marcelo Fernandes. Na atual passagem pelo Santos, foi vice-campeão da Copa do Brasil de 2015 e levou o título do Paulistão no ano passado.
Para ser campeão brasileiro, clube e treinador pretendem manter a receita que tem dado bons resultados nas últimas duas décadas: aproveitar as categorias de base, pinçar jovens talentos do interior - ou até mesmo de outros países - e repatriar atletas tarimbados.
Exemplos dessa filosofia são o volante Renato, de 38 anos, e o atacante Ricardo Oliveira, de 37, que continuam como os líderes do grupo e fundamentais dentro e fora de campo, mas se misturam a nomes como Zeca, Vitor Bueno e os colombianos Vladimir Hernández e Jonathan Copete. Além disso, o entrosamento é outro fator positivo, já que o time não perdeu nenhuma peça importante, segurando suas revelações.
Dorival Júnior também tem uma missão: ajudar o meia Lucas Lima, apontado como o craque da equipe, a recuperar o bom futebol do segundo semestre de 2015 e do primeiro de 2016. E fazer com que o jogador não deixe o clube pelo sonho de jogar na Europa e seja decisivo ao longo da competição.
A eliminação no campeonato estadual para a Ponte Preta após ter estado em dez decisões consecutivas da competição também criou uma pressão extra no grupo santista para ter sucesso no Brasileirão. Mas a disputa da Libertadores - torneio no qual o clube é um dos considerados favoritos ao título - pode tirar o foco da equipe durante o Brasileirão.
Com elenco forte e Cuca de volta, Palmeiras almeja o bi
| Cesar Greco/Fotoarena/AE |
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| Cuca, que deixou clube após o título do ano passado, volta com aprovação da torcida e diretoria e grande expectativa |
O Palmeiras inicia o Brasileirão de 2017 como um dos principais favoritos ao título - que representaria o bicampeonato e o 10º título no total para o time paulista. Dono de um elenco supervalorizado, o clube passa por um período de turbulência neste primeiro semestre. Tanto que precisou trazer de volta o treinador campeão do ano passado, Cuca, para tentar reconduzir a equipe ao patamar da temporada anterior.
Cuca é tratado como o principal reforço do Palmeiras para a disputa do Brasileirão. Ele retorna ao clube às vésperas do início da competição em substituição a Eduardo Baptista, demitido após uma derrota na Libertadores, a única no torneio continental - para o Jorge Wilstermann, na Bolívia, por 3 a 2.
O problema de Baptista no Palmeiras não era o desempenho números. As estatísticas eram até boas (66% de aproveitamento, com 14 vitórias e cinco derrotas em 23 jogos). Mas o futebol que o time produzia não agradava a torcida. O agora ex-treinador não conseguiu impor sua filosofia de trabalho mesmo com um elenco milionário e recheado de opções. E ainda teve de conviver com vaias e constantes coros de "volta, Cuca" vindos das arquibancadas do Allianz Parque.
Por todos esses motivos, e com receio de ver o time eliminado na fase de mata-mata da Libertadores - o título perseguido quase com obsessão por torcedores e pela cúpula do clube -, a diretoria alviverde optou pela mudança no comando da equipe.
Apesar da inesperada troca de técnicos, o Palmeiras entrará forte na luta pelo título brasileiro de 2017. Cuca, que perdeu Gabriel Jesus, quer o bicampeonato. A primeira missão do novo treinador é dar um novo padrão tático ao time que ele conhece tão bem. E fazer o reforço mais caro da história do clube, Miguel Borja, jogar o que sabe. Com Eduardo Baptista, o colombiano foi apenas um figurante no time. O clube também poderá buscar ainda alguns reforços para compor o elenco neste ano em posições específicas, principalmente para as laterais.
Corinthians busca equilíbrio na equipe para se dar bem
| Rodrigo Gazzanel/Futura Press/AE |
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| Com moral pelo título paulista, Fábio Carille busca fazer fórmula do estadual se repetir no Campeonato Brasileiro |
O Corinthians começa o Campeonato Brasileiro de 2017 bem diferente do que em anos anteriores. Tanto com relação ao elenco como na expectativa para a temporada. Se o clube tem algum objetivo maior do que apenas o meio de tabela, será necessário reforçar o elenco. O setor mais carente é o de ataque. É preciso opções além de Jô. Essa deficiência ficou clara na eliminação na Copa do Brasil e em outras partidas marcadas por "vitórias econômicas" (leia-se 1 a 0).
Nem a boa (e até surpreendente) campanha no Campeonato Paulista, que resultou no título sobre a Ponte Preta, encobre as deficiências do time do técnico Fábio Carille. O que deu certo até agora? O esquema tático montado pelo treinador, que aposta na marcação para montar um sistema defensivo seguro (o time sofre poucos gols).
Carille começou bem o ano, mas sabe que se o Corinthians fraquejar ao longo da competição e correr risco de rebaixamento, poderá ser demitido no meio da campanha. Além do Brasileirão, o time só tem a disputa da Copa Sul-Americana até o final da temporada. Na Copa do Brasil, a eliminação veio na quarta fase, em casa, antes da entradas das equipes que jogam a Libertadores, para o Internacional.
As surpresas de 2017 ficam por conta das atuações do zagueiro Pablo, que veio do Bordeaux, do lateral-esquerdo Guilherme Arana e do volante Maycon - estes dois últimos formados nas categorias de base. O meia Rodriguinho se mantém como um destaques do time, Jô se mostrou fundamental em clássicos e Jadson, talvez por ainda estar em processo de readaptação ao futebol brasileiro após um período na China, ainda não fez jus à sua contratação, embora tenha decisivo na reta final do Paulistão, marcando um gol no primeiro jogo da decisão com a Ponte Preta. A expectativa para este início de Brasileirão é a contratação de reforços, que já foi prometida pela diretoria apesar da falta de dinheiro no clube.



