E a luta continua. Na data em que a abolição da escravatura completa 129 anos, a presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, Selma de Fátima Cosmo Celestino, diz: “Ainda estamos presos”.
| Cinthia Milanez |
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| Greice dos Santos Luiz: “Ser negro, no Brasil, é ter de provar a nossa capacidade a todo o momento" |
Sábado (13) pela manhã, diversas entidades de classe participaram de uma marcha, que saiu da Câmara de rumo ao Calçadão da Batista. Selma acrescenta, ainda, que o 13 de maio não é uma data comemorativa, mas de luta diante da persistência da discriminação racial. “A escravidão acabou, mas ainda estamos presos, porque o negro não consegue quase nada” Primeira secretária do Conselho, Greice dos Santos Luiz reforça o discurso da colega.
“Ser negro, no Brasil, é ter de provar a nossa capacidade a todo o momento. É sofrer todo o tipo de pressão. Já somos condenados sem dever nada, apenas pela nossa pele”. Greice afirma que a luta também se segmentou, momento em que surgiu o feminismo negro. “É difícil ser mulher negra, porque o pilar do poder vai, em primeiro lugar, para homem branco. Depois, a mulher branca, o homem negro e, por último, a mulher negra. Nós sobrevivemos a vá- rios tipos de pressão. O que é ser belo é o oposto: é ter a pele clara e os cabelos lisos”.
Embora ainda haja muito a ser conquistado, Greice reconhece os avanços da luta e exemplifica com as cotas raciais, além dos programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Falando em política, ela aproveita para fazer ferrenha oposição às propostas das reformas Previdenciária e Trabalhista. “As mudanças afetarão, principalmente, os negros - a maioria pobre do País. É como se voltássemos à época da escravidão”, finaliza.
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| Jupira Terena também participou da manifestação |
GUERRA EM PAZ
Articuladora do Movimento das Mulheres Indígenas do Brasil, Jupira Terena também participou da manifestação de ontem. O rosto pintado de branco e vermelho indicava que a luta da categoria segue, porém, sem armas.
“O povo negro está na batalha e o indígena não é diferente. A mesma escravidão que o negro passou, o índio também passou”, destaca.
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| Nina Barbosa explica que o movimento leva a verdadeira cultura do turbante e eleva a autoestima da mulher negra |
TURBANTAÇO
Idealizadora do Turbantaço e segunda secretária do Conselho Municipal da Comunidade Negra, Nina Barbosa explica que o movimento leva a verdadeira cultura do turbante e eleva a autoestima da mulher negra.
“O turbante ajuda na transição do cabelo alisado para o natural”, reforça.


