Política

'Pista de corrida', Nuno de Assis pode ter radar

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Malavolta Jr.
Marcas de acidente de segunda-feira ficaram no barranco entre a avenida e o Rio Bauru, nas proximidades do Fórum da B. Vista
Edson Luiz da Rocha Silva relata que já viu vários acidentes no trecho inicial da Av. Nuno de Assis

A velocidade máxima nas placas de trânsito do viaduto Nicola Avallone Júnior (Falcão-Bela Vista), liberado em 2015, e na avenida Nuno de Assis indicam o limite de 50 km/h. Porém, basta observar por alguns minutos o tráfego no local que a constatação é: motoristas e motociclistas andam em alta velocidade, nitidamente acima do número indicado.

O problema é agravado pela má condição do asfalto da avenida, que tem muitas ondulações desde que os interceptores de esgoto foram implantados, entre 2014 e 2016. O asfalto foi recuperado de maneira paliativa, gerando instabilidade aos veículos. A recuperação completa só deve acontecer em 2018, conforme o JC mostrou na semana passada. Outro detalhe é que quase não existem defensas metálicas na margem da avenida, pois as duas pistas são separadas pelo Rio Bauru. No último dia 5 de maio, o jovem Hebert Richard da Silva Rodrigues morreu ao cair com o veículo que conduzia no rio, menos de 100 metros depois da saída do viaduto Falcão-Bela Vista. Anteontem, outro acidente no mesmo local. Felizmente, desta vez, a motorista de 21 anos não se feriu. Ela relatou à Polícia Militar (PM) que teve um mal-estar e perdeu o controle. O carro por pouco não caiu no Rio Bauru.

PERIGO

O mecânico Edson Luiz da Rocha Silva, 60 anos, tem uma oficina em frente ao local onde os dois acidentes foram registrados. Ele diz que a melhor solução seria um radar, logo na saída do viaduto Falcão-Bela Vista, para que os motoristas respeitem a velocidade de 50 km/h. "Eu estou aqui há 30 anos, e desde que inauguraram esse viaduto, há dois anos mais ou menos, é esse problema. O pessoal vem com muita velocidade. Acho que só colocando um radar e um sonorizador (no solo) para inibir", defende.

"E o asfalto ficou muito ruim depois das obras que tiraram o esgoto do rio. Mas ficou só para o ano que vem. E os acidentes são constantes, em outubro do ano passado bateram no carro da minha esposa, em alta velocidade também, por pouco não mataram ela. Enquanto não tomarem providências, o trecho vai continuar perigoso", argumenta. Em outra ocasião, um veículo quase entrou na oficina, danificando a porta do estabelecimento.

SOLUÇÕES?

A reportagem entrou em contato com a Emdurb. A assessoria de imprensa da empresa municipal informou ao JC que o setor de trânsito vai fazer um estudo técnico para ver a possibilidade de implantação de um radar na saída do viaduto. Esse tipo de estudo costuma demorar mais de um mês, confirma a Emdurb.

Em relação à instalação de defensas metálicas às margens do Rio Bauru, a Secretaria Municipal de Obras diz que esse tipo de implantação depende de estudos de número de acidentes, para saber a real demanda. Se isso for constatado pela Emdurb, a empresa municipal pode contratar a instalação, através de processo licitatório, e a prefeitura repassar a verba à Emdurb e auxiliar na fiscalização da empresa vencedora, através da Secretaria de Obras. Por enquanto, contudo, não há previsão de colocação das defensas.

Quanto ao asfalto, em reunião da Comissão de Obras da Câmara Municipal, na semana passada, o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Eric Fabris, informou que o recape deve ocorrer no próximo ano, entre o viaduto Falcão-Bela Vista e a avenida Nações Unidas (trecho onde foram instalados os interceptores), precedido de um estudo mais detalhado do solo naquela região, pois a intenção da autarquia é contratar uma empresa não apenas para o recape, mas também para todo o serviço de adequação do solo.

Como o próprio DAE vai fazer a contratação, não precisará encaminhar projeto de lei à Câmara Municipal autorizando o uso de verba do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE). O valor é estimado em R$ 1,7 milhão, para realizar todo o serviço no trecho que vai do Fórum até a Rodoviária.

Já da Nações Unidas até a Rodovia Marechal Rondon, o serviço ficará a cargo da Secretaria Municipal de Obras, porém também só deve ser executado no próximo ano.

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