Tribuna do Leitor

De Kafka a Cafeo

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

No Brasil, penso eu, não são muitos os que falam uma ou mais línguas, além da língua materna. Um dos fatores seria nossas dimensões continentais entre outros.

Franz Kafka, o escritor nascido em Praga, cidade que pertencia ao império austro húngaro, de origem judaica, era fluente nas duas línguas da região em que nasceu tanto o tcheco quanto o alemão, formou-se em direito, mas achou que errou em ter perdido tanto tempo com o trabalho seguindo sua formação, gostava mesmo era de escrever.

Jamais ousando me comparar, também gastei meu tempo "correndo errado" (gira futebolística meio difícil de explicar, onde, entre outras coisas, sugere que o jogador se posicione certo dentro das quatro linhas do gramado, evitando assim, além de cansar, não render para o time) atrás da bola, prática que até hoje tenho, correndo menos, mas sigo procurando um caminho acertado, tanto dentro quanto fora das demarcações do campo de jogo.

Mas corri de verdade foi da escola e agora que descobri que também posso gostar de escrever, quase tanto como de correr atrás da bola, sinto que o português, língua também de Luis de Camões, por vezes me falta, apesar de sentir vezes outras uma certa facilidade em aprender novas, como o inglês mais simplificado, e até no alemão, um pouco mais complicado. Confesso, se tiver tempo, me aventurarei ainda pelo alfabeto cirílico do russo, pravda (verdade), talvez um pouco menos.

Mas falando sério agora, e não poderia ser diferente, o que não me vai mesmo é a "língua da economia", ou não teria corrido tanto quando ouvi alguém dizer que "uma tal bolha iria estourar" (Sexta última, 12-05), no JC, Reinaldo Cafeo, em "Saia da zona de conforto!). Mas confesso que não gostei nada do que vi, talvez pela carapuça que me foi posta, na exata medida.

Mas nem tudo foi do meu desagrado, pois achei muito "espirituosa" a estória dos dois amigos que, caminhando, avistaram um tigre e um deles, de pronto, calçou um par de tênis de corrida e o outro interpelou-o dizendo: "tu achas que com isso ganharás a corrida contra um tigre faminto? E ouviu do amigo: não preciso ganhar do tigre, se ganhar de você já estarei a salvo". Sacada capital da parábola, em um duelo, quem for mais rápido, atira primeiro!

 

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