| Sergio Fleury/Jornal Debate |
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| Promotor de Justiça Reginaldo Garcia afirma que todas acusações serão apuradas em inquérito policial |
O promotor de Justiça de Santa Cruz do Rio Pardo Reginaldo Garcia reclamou nessa quinta-feira (18) que as declarações feitas pela ex-tesoureira Sueli de Fátima Feitosa por meio de seu advogado em Bauru não apresentam provas consistentes. "O que ela fez foi destruir todo sigilo e a capacidade de angariar provas contra as pessoas que estavam sendo investigadas. Agora se alguns desses citados tiver responsabilidade as provas poderão ser destruídas ou ocultadas. O que ela fez foi um desserviço ao MP e à investigação", reclamou o promotor.
"Todas as denúncias serão investigadas, só que não tem prova nenhuma para lastreá-las. Em muitos procedimentos já houve denúncias apuradas em inquérito civil e foram arquivadas. Em muitas delas já há adiantamentos de investigações, mas chegando o documento à Promotoria vamos requisitar à delegacia para instaurar inquérito até para dar chance às pessoas a se explicarem", declarou.
O advogado Luiz Mitsunaga apresentou, anteontem, em um Hotel de Bauru, documento de 11 páginas com acusações que envolvem as administrações de três ex-prefeitos de Santa Cruz do Rio Pardo, ex-secretários e servidores na conivência e em supostos desvios financeiros. Ele alegou que sua cliente desistiu de fazer delação premiada, porque estaria havendo uma investigação seletiva.
O promotor contou que havia uma insistência do advogado de que a ex-tesoureira faria uma delação premiada, mas com a colaboração pública o pedido de delação perdeu objeto e deverá ser arquivado. "Infelizmente o que ele fez nem chega perto do que é uma eventual delação ou colaboração. Ele não comunicou ao Ministério Público e para mim foi uma técnica de defesa", ressaltou o promotor, que não tinha recebido o documento oficialmente até ontem. "O teor das declarações que tenho aqui nem sei se ela assinou".
Mesmo não havendo a delação, o promotor informou que serão apuradas as eventuais denúncias feitas pela ex-tesoureira. Ao tornar pública as declarações houve uma notícia-crime. O Ministério Público assim que receber o documento nos autos da colaboração vai submetê-los à análise da Justiça de Santa Cruz do Rio Pardo para arquivar o pedido de delação. "Vamos levantar o sigilo quanto as declarações da Sueli no processo".
Depois disso, o promotor pretende dividir em três inquéritos: um para apuração do período da administração de Adilson Mira (PSDB), outro de Maura Macieirinha (PSDB) e o terceiro, do período de Otacílio Parras (PSB), deve ser enviado à Procuradoria Geral de Justiça (PGJ). No caso do atual prefeito ele tem direito a foro privilegiado. "Vou ter que remeter para São Paulo, porque a competência é da PGJ, caso entendam que há indícios de crime".
Garcia explicou que há uma diferença na colaboração e na delação premiada. Na primeira ela abre mão da lei do silêncio, da auto acusação e não pode mentir. "O que ela prestar de informação na colaboração tem que ser verdade sob pena de ser processada por falso testemunho. Na forma que fez ela é ré e pode até mentir. Ou seja, nada poderá ser feito contra ela. É uma posição cômoda", explica o promotor.
Garcia destacou ainda que Sueli quando se manifestou interesse em fazer delação queria tentar tirar a responsabilidade da família, mas queria manter o patrimônio deles. De acordo com Garcia, pelas provas levantadas nos autos os bens adquiridos foram com dinheiro desviados da prefeitura. "Numa só obra ela gastou só de mão de obra de pedreiro cerca de R$ 60 mil. Isso está comprovado com recibos e oitiva de testemunhas. Só recebiam em dinheiro", finalizou o promotor.
