Geral

Maio já é o mais chuvoso em 13 anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Douglas Reis
O Rio Bauru não chegou a transbordar, mas ficou cheio na tarde dessa sexta-feira (19)
Fotos: Malavolta Jr.
O cruzamento entre as ruas Tibúrcio Vilaça e Tiradentes, na região da Bela Vista, ficou alagado
Caminhão ficou ilhado na avenida Alfredo Maia; o motorista não se feriu
Fotos: Douglas Reis
Tradicional ponto de alagamento, a avenida Nações Unidas foi tomada pela enxurrada
Mesmo com bastante água, motoristas se arriscaram a trafegar pela avenida Nações Unidas nessa sexta-feira (19)

Atípico, este mês já é o mais chuvoso para maio nos últimos 13 anos na cidade. Segundo o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet), até o final da noite dessa sexta-feira (19), já havia chovido 162 milímetros em 19 dias, sendo 60 milímetros somente nessa sexta.

A quantidade de chuva inesperada para esta época do ano será alvo de estudo do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTec/Inpe) nas próximas semanas. A principal tese considerada, contudo, é de que não seja resultado de alterações climáticas, mas apenas de fenômenos meteorológicos ocasionais. Registro superior ao de maio de 2017 ocorreu em Bauru pela última vez em 2004, quando foram contabilizados 172 milímetros no mês.

Segundo a climatologista Renata Tedeschi, do CPTec/Inpe, o instituto ainda está analisando o que pode ter provocado este volume de chuvas em um período que costuma ser mais seco. "De fato, elas são anormais, porque maio já pertence à estação seca na região. Os motivos desta condição atípica ainda serão analisados, mas, provavelmente, trata-se apenas de um distúrbio de tempo, não associado a mudanças no clima em grande escala", pontua.

Renata explica que, por estar em região de trópico, a região Sudeste sofre influência de fenômenos tropicais, polares e subpolares, de baixas e altas altitudes. Entre as principais hipóteses para explicar a quantidade elevada de chuva, ela cita as oscilações de Madden-Julian ou um cavado.

TENDÊNCIAS

Este último é uma circulação de ventos no sentido horário que ocorre em vários níveis da atmosfera e força a concentração de umidade, facilitando a formação de grandes nuvens e, por consequência, de chuvas. Já as oscilações de Madden-Julian são tendências à formação ou inibição de chuva no Oceano Índico, próximo à Indonésia, que se propagam de Oeste para Leste, chegando ao Oceano Pacífico.

"São ondas que atuam na região tropical e que retornam à Indonésia entre 30 a 60 dias. Mas, até na semana passada, ela estava inativa. Então é bem possível que não tenha sido ela a causadora destas chuvas na nossa região", pondera.

Como tendência climática para as próximas décadas, a climatologista lembra que, devido ao aquecimento global, as temperaturas devem ficar cada vez mais elevadas. Quanto ao regime de chuvas, contudo, não é possível antecipar um padrão.

"Relatórios internacionais apontam que o ano de 2016 foi o mais quente da história no mundo, desde que os registros passaram a ser feitos. E foi também o ano mais quente no Brasil. Mas isso não impede que tenhamos invernos mais rigorosos neste e nos próximos anos. Já as chuvas têm variações de acordo com a região", observa.

SEXTA CHUVOSA

A chuva que atingiu Bauru ontem não chegou a gerar grandes estragos, mas provocou alagamentos em diversos pontos da cidade e agravou a erosão gigante do Parque Roosevelt.

Além da Nações Unidas, houve acúmulo de água na altura da quadra 21 da rua Joaquim da Silva Martha, na rua Tibúrcio Vilaça, que fica na região do Bela Vista, na avenida Daniel Pacífico e no viaduto da avenida Rodrigues Alves sobre a rodovia Marechal Rondon. Na avenida Alfredo Maia, que também alagou, um caminhão ficou ilhado.

Nessa sexta-feira (19) à tarde, a Defesa Civil também foi acionada para verificar o volume da lagoa do Thermas de Piratininga. Coordenador da Defesa Civil, Sidnei Rodrigues informou que a preocupação era de um eventual transbordamento da represa, o que afetaria o Rio Batalha e a lagoa de captação da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru. Porém, o nível da água diminuiu bastante e não foi verificado risco de rompimento.

Chuva suspende as obras do DAE na Rondon e bairros não ficarão sem água

O DAE informa que a ação conjunta com a Concessionária ViaRondon, prevista para hoje e amanhã, foi suspensa por conta das chuvas. Os serviços de remanejamento e readequações das adutoras e rede de esgoto, que iria ocorrer na altura da rua Das Festas, foi remarcado para o próximo final de semana.

Conforme o DAE havia divulgado, por conta das obras das marginais da Marechal Rondon, seria necessário o corte no fornecimento de água do poço profundo do Residencial Samambaia e do sistema de distribuição do reservatório Santos Dumont. Com isso, dez bairros ficariam sem água.

Na última quinta-feira (18), a equipe de manutenção do DAE até realizou serviços preliminares de escavação no local, mas as chuvas interromperam os serviços.

Assim, tanto a interrupção de fornecimento de água quanto às interdições da rodovia ficam automaticamente remarcadas para o próximo final de semana, informam DAE e ViaRondon.

Projetos cancelados

Também em razão das chuvas, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) cancelou o “Tarde de Lazer”, que seria realizado neste domingo no Jardim Araruna.

O diretor de lazer da Semel, Aleksander Soares, informa que o evento também já está reagendado para o próximo domingo, dia 28, das 14h às 18h, no mesmo local: Centro Comunitário do bairro, localizado na rua Severino Dantas de Souza, quadra 6.

Outro projeto cancelado é o Bauru em Ação, previsto para ser realizado hoje, das 9h às 12h, na Escola Estadual Walter Barreto Melchert, no Núcleo Octávio Rasi. Este evento, por enquanto, não tem outra data para ser realizado.

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