Olha, tem umas figuras que a gente tem que conhecer. Senão se arrepende. Quando o Zé Rico morreu, em 2015, fiquei de cara. Nunca mais, nessa estrada da vida, terei essa chance. Zé Rico foi o maior "figura".
Em certo sentido, Kid Vinil foi o Zé Rico do rock. Sempre esteve por aí, sempre foi influente, sempre teve humor e contundência e sempre achamos que ele nunca iria embora de vez.
Como Zé Rico tudo sabia sobre o sertanejo dos últimos 30 e tantos, assim também era Kid Vinil para o pop rock. Podiam os dois, quem sabe, até terem formado uma inusitada dupla, trocando os batismos artísticos: Kid Rico e Zé Vinil. Vai dizer que não faz sentido?
José Alves e Antônio Carlos, Zé e Kid: dois brasileiros entre tantos que não verão os desdobramentos do atual caos nacional. Caos que até poderia inspirar algumas novas canções.
Mais ao estilo de Zé Rico seria uma música sobre amizade e traição. Já Kid Vinil poderia escrever como estaria hoje o boy que ele imortalizou em 1983, que pegava ônibus lotado e tinha fome de leão.
Seria, em 2017, o boy da música de Kid Vinil um adulto corrupto? Um empresário da propina? Um delator salvando a podre pele? Ou juiz, promotor ou delegado? E o homem que tinha esperança de ser campeão na música de Zé Rico?
Se o final da jornada para ele não tivesse existido ainda estaria correndo para sobreviver na longa estrada? Ou teria comprado uma frota de caminhões com dinheiro sujo?
A vida embaralha tudo. Os artistas enlouquecem por nós. Mas sempre será melhor ver no palco gente que diverte e emociona do que assistir a esse show de horrores da política nacional.
Que precisa ser assistido para ser entendido e ter um fim, mas dói. Dói, boy. E periga deixar a gente com tic tic nervoso para sempre.