Cultura

Daniela Mercury fez show com chuva, público pequeno e temas politizados

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Renan Casal
A cantora baiana Daniela Mercury se apresentou neste domingo, no Parque Vitória Régia

"Se coubesse no palco, eu chamaria todos vocês para subirem aqui comigo e se protegerem um pouco mais da chuva". Foi com este tom intimista que Daniela Mercury "abraçou e esquentou" as aproximadamente 200 pessoas que acompanharam seu show, ontem, debaixo de chuva, no Parque Vitória Régia. A estimativa foi divulgada pela Polícia Militar e Secretaria Municipal de Cultura.

O espetáculo, que teve início às 18h50 e terminou às 20h50, encerrou a 10.º Virada Cultural de Bauru. A expectativa para a última noite do evento, que também registrou apresentações culturais no Teatro Municipal (leia mais abaixo), era de que 20 mil pessoas participassem, mas o registrado foi bem abaixo do esperado em todo o final de semana por conta do mau tempo.

No lamaçal que o gramado do Vitória se transformou, algumas dezenas de corajosos se mostraram fiéis ao show de Dani. Algumas outras apresentações programadas para tarde de sábado foram prejudicadas pela chuva.

O SHOW

A performance da cantora baiana, considerada a rainha do Axé, encantou o público. Em show com voz e violão e de pegada politizada, Dani interpretou sucessos do repertório da MPB e do rock brasileiro, como "Há tempos", da Legião Urbana. Antes do início desta música, ela exaltou os negros e os nordestinos, dizendo que na década de 80, quando a canção foi escrita, "o dinheiro nunca chegava" por lá.

Em músicas próprias do repertório da cantora, como "Nobre Vagabundo", o público embalou críticas ao atual cenário político brasileiro, "que de nobre não tem nada", completou a cantora incitada pela plateia durante a canção.

Frases como o "Fora Temer", também vindas do público, integraram o espetáculo, que pregou ainda a diversidade sexual.

"Depois que a Daniela assumiu a sexualidade, a opinião dela ficou ainda mais importante, porque ela representa nossas vozes, a voz da diversidade. Então, todos esperamos que ela fale alguma coisa durante o show", comenta Simone Monteiro, de 42 anos, que acompanhava atenta o espetáculo sob um guarda-chuva, dividido com a amiga Fabiana Bagnol, 38 anos.

'VIP'

Renan Casal
Virada cultural Daniela Mercuri Daniela Mercury

A água e a lama não espantaram Fagner Gava, de 36 anos, que assistiu ao show na companhia de Luigi Schubert, de 6 anos, e de Camila Schubert, de 25 anos. Todos vestidos com capa de chuva.

"Não é sempre que assistimos a um show VIP da Daniela Mercury. Está muito melhor do que se tivesse lotado", opina Fagner. "Uma noite agradável de chuva, poesia, música e política", completa Camila.

Encolhidos sob um único guarda-chuva, Viviane Brosco, de 42 anos, e Guilherme Guedes, 34 anos, também acharam que a chuva mais ajudou do que atrapalhou o show. "Gosto muito dela. Se não estivesse chovendo, dificilmente conseguiríamos assistir tão perto assim", finaliza Viviane.

Atrações ocorrem normalmente no teatro, enquanto chuva transforma Nações em rio

Trinta minutos de chuva bastaram para transformar a avenida Nações Unidas, em frente ao Teatro Municipal, em um rio, por volta das 17h de ontem. Funcionários do local e pessoas que desistiram que frequentar a programação da Virada que estavam por lá ficaram assustadas com o nível da água. Ela chegou até o último degrau da escada da frente do prédio. O problema, contudo, não afetou a programação do evento no local, onde as atrações ocorreram normalmente.

No momento da chuva, 40 pessoas assistiam à peça "Todos os Sonhos do Mundo", do grupo Os Satyros. "Na verdade, queria também ter ido ao Vitória Régia, mas, com a chuva, achei melhor ficar por aqui. A peça parece legal", comenta Juliana Freitas, 28 anos, que estava na companhia do amigo Paulo Zignani, 33 anos.

Já o professor Raul Ribeiro, de 63 anos, foi ao teatro especialmente para assistir ao espetáculo. "Conheço o grupo, já assisti comédias feitas por eles. São bem interessantes", avalia o espectador.

Aprovada

O prefeito de Bauru Clodoaldo Gazzetta, o secretário municipal de Cultura, Luiz Fonseca, e o superintendente artístico da Virada Cultural Paulista, Silvio Marcondes, exaltaram o sucesso da 10.ª Virada em Bauru, apesar da chuva.

"Tivemos alguns problemas com ambulantes que perderam barracas, hoje, (ontem) com a chuva, mas o evento foi um sucesso. Não temos controle sobre o meio ambiente. Os artistas demonstraram respeito ao público, um exemplo disso foi a apresentação da Daniela Mercury", comenta Luiz. Segundo ele, o evento no parque registrou presença de quatro mil pessoas anteontem.

"Foi uma pena que choveu demais no final de semana, mas, no mês que vem, teremos mais atrações com o Circuito Cultural Paulista", projeta Gazzeta.

Marcondes elogiou a coragem da plateia no show de encerramento. "O público de Bauru foi fiel, mesmo com chuva, deu tudo certo", observa. Para ele, o show ontem no Parque Vitória Régia registrou 350 pessoas.

A chuva levou

Minutos antes do show de Daniela Mercury, a expectativa de alguns ambulantes era de que o encerramento da Virada fosse desmarcado em função da forte chuva.

No Vitória Régia, algumas barracas foram afetadas pela enxurrada. "A água veio de uma vez e levou bebidas e até o botijão de gás. A barraca ficou quebrada", conta Valdecir Obristo, de 53 anos. A esposa dele chegou a desmaiar de nervoso. "A água chegou quase na cintura, achei que fossemos perder tudo", comenta Maria Ivete Obristo, 55 anos.

Comentários

Comentários