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Classes B e C respondem por 82% do potencial de consumo em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

As classes B e C respondem hoje, sozinhas, por 82% do potencial de consumo de Bauru. É o que aponta a pesquisa IPC Maps, que traçou o mapa do consumo dos municípios brasileiros para este ano. Elaborado pela empresa especializada em informações de mercado IPC Marketing, o estudo revela que os consumidores do município têm fôlego para gastar R$ 9,661 bilhões no comércio e em serviços em 2017.

No levantamento, divulgado na semana passada, foram analisadas as principais categorias de produtos, que incluem alimentos, artigos de limpeza, mobiliários e vestuário, além de despesas com transporte, saúde, educação, recreação e manutenção do lar. "As classes B e C responderam pela maior fatia porque representam a maioria da população e possuem uma renda representativa dentro do todo", observa o economista Fernando Pinho.

De acordo com a pesquisa, a classe A tem renda familiar mensal média de R$ 20,2 mil; a B, de R$ 4,4 mil a R$ 8,7 mil; a C, de R$ 1,4 mil a R$ 2,4 mil; e a D e E, de R$ 639,00. Em Bauru, somente as famílias da classe B deverão ser responsáveis por quase metade (47,7%) do que os moradores irão desembolsar no varejo até o final do ano.

Entre as categorias de produtos, a classe C deverá ser a que mais irá gastar com alimentação no domicílio, enquanto a classe B será a que irá despender mais recursos com alimentação fora do domicílio. "Isso reflete uma realidade do Brasil. Quem tem padrão de renda mais baixo acaba comendo na própria empresa ou voltam para casa, já que a comida fora de casa é caríssima em comparação aos países desenvolvidos", pontua o economista.

GASTOS

O estudo revela, ainda, que as famílias da classe C possuem gastos maiores com transporte urbano, medicamentos e produtos de higiene pessoal. Gastam mais, ainda, com bebidas e cigarro. Por outro lado, a classe B tende a investir mais em veículo próprio, outras despesas de saúde - como é o caso do convênio médico, bem como em material e mensalidade escolares, vestuário, calçados e despesas com recreação e viagens.

"Quanto mais elevada é a renda, menor é o comprometimento do orçamento doméstico com itens de necessidade básica. Já quem ganha menos acaba concentrando seu consumo nos produtos que considera imprescindíveis e que, inclusive, não são cortados nem mesmo em um momento de recessão", explica.

Mesmo diante de um cenário de crise, o potencial de consumo de Bauru avançou 5% em relação ao montante calculado em 2016, de R$ 9,204 bilhões. O índice, contudo, não chegou a repor a inflação do ano passado.

Ainda segundo o levantamento, em 2017, Bauru caiu da 14ª para a 16ª posição como cidade com maior poder de consumo no Estado e da 53ª para a 55ª no ranking brasileiro.

Moradores gastam mais com a manutenção do lar

Elaborado com base em cruzamentos de dados do Produto Interno Bruto (PIB), população e renda das famílias, o IPC Maps revelou que a manutenção do lar deve ser o item que mais irá corroer a renda do bauruense como um todo em 2017. A categoria, que incorpora despesas com aluguel, luz, água, gás, telefone, Internet, TV a cabo e pequenos reparos domésticos, pode responder por 27,3% do total de gastos previstos pelas famílias.

A bancária Patrícia Sartori, 35 anos, sabe bem o quanto este tipo de gasto pesa no orçamento. "Como eu ainda pago aluguel, o valor deste tipo de despesas acaba sendo alto. Se for somar supermercado, onde gasto mais de R$ 1 mil por mês e a escola da minha filha, que consome cerca de 10% da renda familiar, fica bem pesado. Por isso, a gente se programa e corta o que for possível para honrar todos os compromissos", frisa.

Mas o estudo aponta que, quanto mais pobres as famílias são, maior o comprometimento da renda. Nas classes D e E, a manutenção do lar deve representar, sozinha, 36% do total de despesas. Se incluídos os gastos com alimentação (fora e no domicílio), transporte urbano e medicamentos, o montante sobe para 67,4% entre as classes menos abastadas em Bauru.

A classe C, também penalizada, estima reservar 59,6% do que recebe para a manutenção do lar, alimentação, transporte urbano e medicamentos em 2017. Já para a população classificada dentro da classe A, a garantia destes mesmos itens não ultrapassa 35,1% da renda.

 

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