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Previsão do IPCA para 2017 cai de 3,93% para 3,92%, mostra Focus do BC

Estadão Conteúdo
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Já após o impacto político trazido pela delação premiada de executivos da JBS, os economistas do mercado financeiro reduziram levemente suas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste e no próximo ano. O Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 22, pelo Banco Central, mostra que a mediana para o IPCA - o índice oficial de inflação - em 2017 foi de 3,93% para 3,92%. Há um mês, estava em 4,04%. Por outro lado, a projeção para o IPCA de 2018 foi de 4,36% para 4,34%, ante 4,32% de quatro semanas atrás.

As projeções de mercado divulgadas nesta segunda no Focus indicam que a expectativa é de que a inflação fique abaixo do centro da meta, de 4,5%, em 2017 e 2018. A margem de tolerância para estes anos é de 1,5 ponto porcentual (inflação entre 3,0% e 6,0%).

No dia 10 de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA encerrou abril com taxa de 0,14%. No ano, a taxa acumulada é de 1,10% e, em 12 meses, de 4,08%.

Na semana passada, as notícias sobre a delação de executivos da JBS, que atingem o presidente Michel Temer, surgiram como um fator novo a ser considerado nas projeções econômicas. Na sexta-feira, 19, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, reconheceu que as incertezas aumentaram com a crise política. Ao mesmo tempo, disse que as expectativas de inflação estão ancoradas.

No Focus, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2017 seguiu em 3,89%. Para 2018, a estimativa permaneceu em 4,30%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 4,03% e 4,25%, respectivamente.

Já a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 4,70% para 4,65% de uma semana para outra - há um mês, estava em 4,60%.

Entre os índices mensais mais próximos, a estimativa para maio de 2017 seguiu em 0,50%. Um mês antes, estava em 0,52%. No caso de junho, a previsão de inflação do Focus foi de 0,23% para 0,21% ante 0,23% de quatro semanas atrás.

Preços administrados

O Relatório Focus mostrou também mudança na projeção para os preços administrados neste ano. A mediana das previsões do mercado financeiro para o indicador em 2017 foi de alta de 5,45% para avanço de 5,50%. Para 2018, a mediana permaneceu em 4,70%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 5,50% para os preços administrados em 2017 e elevação de 4,70% em 2018.

Em suas projeções, atualizadas na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC espera alta de 6,3% para os preços administrados em 2017 e avanço de 5,4% em 2018.

Outros índices

O relatório do BC revelou, ainda, que a mediana das projeções do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de 2017 passou de 1,89% para 1,66% da última semana para esta. Há um mês, estava em 2,96%. Para 2018, a projeção seguiu em 4,50%, mesmo valor de quatro semanas atrás.

Calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do dólar e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas.

Outro índice, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que é referência para o reajuste dos contratos de aluguel, seguiu em 2,20% nas projeções dos analistas para 2017. Quatro levantamentos antes, estava em 3,54%. No caso de 2018, o índice seguiu em 4,50%, mesmo patamar de um mês atrás.

Já a mediana das previsões para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) de 2017 foi de 4,04% para 4,00% no Focus. Um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 3,84%. Para 2018, a projeção do IPC-Fipe permaneceu em 4,50%, mesmo valor de um mês antes.

PIB

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a atividade em 2017 e 2018. Pelo Relatório de Mercado Focus, a mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano seguiu em alta de 0,50%. Há um mês, a perspectiva era de avanço de 0,43%. Para 2018, o mercado manteve a previsão de alta, de 2,50%. Quatro semanas atrás, a expectativa estava no mesmo patamar.

Na ata do último encontro do Copom, divulgada em abril, os diretores do Banco Central afirmaram que os indicadores permanecem compatíveis com a estabilização da atividade econômica ao longo de 2017. Na semana passada, no entanto, as notícias sobre a delação da JBS, que atingem o governo Michel Temer, elevaram o risco. Na visão de alguns analistas, a crise política pode prejudicar a recuperação da atividade.

No relatório Focus divulgado nesta segunda, as projeções para a produção industrial indicaram um cenário de recuperação neste e no próximo ano. O avanço projetado para 2017 passou de 1,25% para 1,30%. Há um mês, estava em 1,36%. No caso de 2018, a estimativa de crescimento da produção industrial seguiu em 2,50%, mesmo porcentual de quatro semanas antes.

Já a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2017 permaneceu em 51,50% no Focus. Há um mês, estava em 51,45%. Para 2018, as expectativas no boletim Focus foram de 55,00% para 55,20%, ante 55,00% de um mês atrás.

Dólar

O Relatório de Mercado Focus revela que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,23 no encerramento deste ano. Este valor é inferior ao projetado uma semana atrás, de R$ 3,25. Há um mês, estava em 3,23%. O câmbio médio de 2017 passou de R$ 3,18 para R$ 3,17, ante os mesmos R$ 3,17 um mês antes.

No caso de 2018, a projeção dos economistas para o câmbio no fim do ano seguiu em R$ 3,36. Quatro semanas antes, estava em R$ 3,38. Já a projeção para o câmbio médio no próximo ano foi de R$ 3,33 para R$ 3,31, ante R$ 3,31 de quatro semanas atrás.

Balança comercial

A pesquisa Focus alterou sua projeção para a balança comercial em 2017 e 2018. A estimativa de superávit comercial este ano foi de US$ 55,15 bilhões para US$ 56,00 bilhões, ante US$ 53,00 bilhões de um mês antes. Na estimativa mais recente do BC, o saldo positivo de 2017 ficará em US$ 51,00 bilhões.

Para 2018, os economistas do mercado projetam um superávit comercial de US$ 42,97 bilhões, ante os US$ 42,99 bilhões da semana anterior. Há um mês, a expectativa era de US$ 42,00 bilhões.

No caso da conta corrente, as previsões contidas no Focus para 2017 indicaram déficit de US$ 24,66 bilhões, igual a uma semana antes. Há um mês, a projeção estava em US$ 26,00 bilhões. Já a estimativa do BC para o déficit em conta em 2017 é de US$ 30,0 bilhões.

O mercado alterou também a projeção de rombo nas contas externas em 2018, de US$ 37,00 bilhões para US$ 37,80 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 37,00 bilhões.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário, tanto em 2017 quanto em 2018. A mediana das previsões para o IDP em 2017 foi de US$ 78,50 bilhões para US$ 79,50 bilhões. Há um mês, estava em US$ 75,00 bilhões. A projeção atual do BC para este ano é de IDP de US$ 75,00 bilhões.

Para 2018, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto, de acordo com o Focus, foi de US$ 75,00 bilhões para US$ 78,75 bilhões, ante US$ 75,00 bilhões de quatro semanas antes.

Juros

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic no fim de 2017 e de 2018. O Relatório de Mercado Focus trouxe que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 8,50% ao ano. Há um mês, estava no mesmo patamar.

O relatório do BC indicou ainda que a mediana das projeções dos economistas para a Selic no fim de 2018 permaneceu em 8,50% ao ano, igual ao projetado há um mês.

O Copom anunciou mês passado corte de 1 ponto porcentual da Selic, para 11,25% ao ano, como esperado pelo mercado. No início da semana passada, uma parcela do mercado financeiro passou a projetar corte maior, de 1,25 ponto porcentual, no encontro do fim de maio. Esta migração das apostas, no entanto, foi prejudicada pelo aumento do risco político, após as notícias sobre a delação de executivos da JBS.

No relatório Focus desta segunda, a Selic média de 2017 foi de 10,22% para 10,19% ao ano. Há um mês, a mediana da taxa média projetada era de 10,31%. No caso de 2018, a Selic média seguiu em 8,50%. Quatro semanas antes, estava em 8,60%.

Para o grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a taxa básica terminará 2017 em 8,13% ao ano - nível que indica, na prática, divisão de apostas entre 8,25% e 8,00%. Uma semana antes, estava em 8,25% e, há um mês, em 8,50%. O Top 5 reduziu a projeção para a Selic no fim de 2018, em 8,13% para 8,00% ao ano. Há um mês, estava em 8,50%.

 

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