Política

2 - ATUALIZADA - Em gravação, 'deputado da mala' se apresenta como emissário de Temer

FolhaPress
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FELIPE BÄCHTOLD

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Suspeito de corrupção, o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) agendou o encontro de Michel Temer com o empresário Joesley Batista na véspera da reunião, em março, e disse ao agora delator que pretendia ser um "emissário" do presidente na Câmara.

O áudio da conversa entre Rocha Loures e Joesley, também gravado pelo empresário, faz parte das provas que ele entregou em seu acordo de colaboração premiada.

No diálogo, do dia 6 de março, o deputado federal sugere o horário, e Joesley diz que vem falando com interlocutores do presidente, mas precisaria de "uma meia horinha de conversa" pessoalmente.

"O que ele me pediu: ele fala com você a hora que você quiser. Ele prefere te atender à noite, no Jaburu, a partir de umas 11 da noite", disse o deputado afastado.

O encontro ocorrido no dia seguinte foi registrado em áudio por Joesley e provocou a maior crise do governo Temer.

Acertados a data e o horário, Joesley e o congressista passam a falar sobre o momento do governo.

Rocha Loures conta que iria assumir seu mandato na Câmara, como suplente do agora ministro da Justiça Osmar Serraglio, com a missão de unir o PMDB na Casa em favor das reformas. Ele cita entre as dificuldades do governo a saída de cena de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi cassado e preso. "O Eduardo levava a bancada com muita presença."

Assessor de Temer até o início do ano, Rocha Loures disse ainda que continuaria com mesma função, "só que do outro lado da rua", em referência ao Congresso.

A Joesley ele falou também que um de seus papéis era a interlocução entre ministros. "Às vezes quando ele [Temer] precisa apertar um parafuso entre a equipe, ele não fala diretamente. Eu falo."

A conversa, de 36 minutos, foi gravada em um café ou bar, enquanto bebem água. Rocha Loures opina sobre a situação dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco no governo, que considerava era delicada. "Os procedimentos, mesmo em quaisquer circunstâncias, desse pessoal que têm foro em Brasília só vão ser julgados em 19", diz o congressista.

Rocha Loures foi filmado em abril pela PF recebendo da JBS uma mala com R$ 500 mil, que está desaparecida. A defesa dele não comenta o caso.

BNDES

Ao ouvir reclamações de Joesley sobre o BNDES, Rocha Loures sugere que o empresário repita suas queixas ao presidente, no dia seguinte. "Aproveita para dizer para ele", afirmou.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada na segunda (22), Temer disse que pensava que Joesley queria falar sobre a Operação Carne Fraca, que apura supostos subornos a fiscais por frigoríficos.

Essa operação, porém, só foi deflagrada dez dias depois da reunião com o empresário da JBS. O Planalto, por meio de sua assessoria, disse que Temer se enganou, mas não deu mais detalhes.

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