Quinta-feira, saio do trabalho e sendo impedido pela chuva boa que caiu de vir trabalhar com minha velha bike, volto caminhando para casa. No caminho de volta, com alguns pingos providenciais que tentam refrescar minha cabeça, vou refletindo e expressando só, meu descontentamento pelo caminho. Sobre a decisão do nosso presidente de continuar ainda sendo. Para o bem geral, deveria ter desistido.
Já em casa, banho tomado e matado a fome e as saudades, vamos à TV ligada. Como descansar, se não se pode ser desligado? Diante dela vou tentando entender o que se passa, sem querer mudar a fonte, sem querer mudar o foco, não consigo entender de imediatos, todos as "News" da Globo. Manifestações em pontos que já viraram marca registrada, SP Capital Paulista altura do Masp, Rio de Janeiro, da Igreja da Candelária à Cinelândia.
Os atos se desenrolavam, distintamente como o mesmo propósito o fim da corrupção, pedidos de prisão e a renúncia do homem. Porém, ordeiramente estranhos, o que me deixava mais confuso ainda, entre muitas imagens e informações, ouvia-se trechos de graves acusações, provas concretas com malas e mochilas, instrumentos até então usados normalmente por gente comum a trabalho ou em viagens, mas nessa "nova" finalidade as suas forrações, pareciam de ficção, moeda corrente nacional, maços e maços em reais, que juntas somariam um tanto de dinheiro, impensável para a grande massa trabalhadora desse país.
Um comercial para dar um "refresco" na TV, uma Mercedes Benz em paisagem bucólica, com rodas que parecem elegantemente girar para trás (diferente do Brasil,) parte apenas do chamado efeito estroboscópio na tela, sem dúvidas, uma belíssima carruagem negra, que me é oferecida em promoção, por apenas cento e cinquenta e nove mil e novecentos reais. No próximo anuncio, a máquina igualmente bela, se não me engano agora, um BMW, mas o marketing pode ter perdido venda, essa não passado seu valor, que falta de imaginação dessa agência, vai que a minha mochila ganha um recheio desses oferecidos aos políticos pelos empresários, que por sua vez emprestaram do BNDES, pode?
Me levantei ainda perdido, revoltado, pensei no meu Rivotril, tomei apenas água. Basta de calmaria, quando volto à sala, o cenário era outro: muita fumaça no vídeo, correria, tiros de bala de borracha e enfrentamento da polícia pelos manifestantes, ruim de se ver, mas ao menos mais parecido com a realidade, e uma demonstração mas condizente com indignação e revolta, estas que deveriam tomar a todos nós, brasileiros, que há mais de quinhentos anos continuamos, a maioria, todos pacificados demais.
Ufa, que alivio!