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| Audiência de conciliação foi realizada nessa terça (23) no Tribunal Regional do Trabalho da 15.ª Região |
Mesmo sem um acordo final, os funcionários dos hospitais geridos pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) decidiram suspender a greve a partir dessa quinta-feira (25), ao menos até o julgamento do dissídio, que ocorrerá no dia 14 de junho. A decisão foi tomada ontem, durante audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 15.ª Região, em Campinas, que terminou sem consenso quanto às cláusulas econômicas.
A paralisação, que atinge os hospitais de Base (HB) e Estadual (HE), bem como a Maternidade Santa Isabel e o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), completa 53 dias nesta quarta-feira (24). Segundo a assessoria de imprensa da Famesp, até a última sexta-feira, mais de 900 cirurgias eletivas já haviam sido canceladas no HB e HE devido à paralisação e cerca de 100 leitos eletivos vinham sendo bloqueados por dia, em média, nas duas unidades.
De acordo com estimativas do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Bauru e Região (SindSaúde), aproximadamente 250 trabalhadores seguiam de braços cruzados ontem.
Durante a audiência, eles apresentaram proposta de reajuste de 11,94% nos salários e benefícios, percentual que foi acatado pela Famesp, desde que haja redução do adicional noturno (de 45% para 40% sobre o salário) e das folgas - de três para duas na jornada de 12 por 36 horas e de cinco para quatro nas demais jornadas.
"Ocorreram avanços, já que, até a audiência, a Famesp oferecia aumento de apenas 3%. Mas a tentativa de retirada de direitos impediu que chegássemos a um acordo", analisa Noel Moreira, diretor do sindicato. Segundo ele, pela proposta da fundação, também seria retirado o bônus de 10% sobre o salário, adicional garantido aos trabalhadores todos os meses, em acordo firmado antes mesmo de a Famesp assumir as unidades.
PAGAMENTO
Um dos fatores decisivos para a categoria suspender temporariamente a greve foi o compromisso da fundação em pagar integralmente, até hoje, os dias não trabalhados. Em 11 de abril, a fundação passou a descontar valores dos salários e benefícios dos empregados que não comparecessem ao trabalho, mas, em 12 de maio, o SindSaúde obteve liminar favorável no TRT, que obrigava a Famesp a efetuar os pagamentos.
Mesmo notificada, a fundação descumpriu a decisão. Se desrespeitar o acordo firmado ontem em Campinas, será penalizada com multa diária, que foi aumentada de R$ 10 mil para R$ 20 mil e será revertida aos funcionários.
Até 14 de junho, Famesp e SindSaúde ainda podem buscar um acordo. Caso as partes cheguem a um consenso, as cláusulas serão homologadas pela Seção de Dissídios Coletivos do TRT, em substituição ao julgamento pré-agendado.
A greve dos funcionários dos hospitais de Bauru teve início em 31 de março e o SindSaúde garante que está cumprindo o acordo firmado com a Famesp e o Ministério Público Estadual para manter o atendimento, principalmente em casos de urgência e nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
