Nunca vi atitude tão "ingênua" como esta do presidente Temer, ao receber no Palácio Jaburu o empresário Joesley Batista, da JBS, nas condições em que ocorreu. Acho que isto é um indicativo de "como" os políticos viviam antes, ficando por demais à vontade em suas atitudes não republicanas. Mas os tempos são outros e a pressão pela saída de Temer é grande, pois a desconfiança que se gerou foi enorme. Caso se confirme sua saída - por renúncia, TSE ou impeachment -, nossa Constituição prevê "eleição indireta" no prazo de "1 mês" pelo Congresso Nacional. Melhor ainda seria acontecer por renúncia repentina ou TSE que está ai pronto pra decidir, uma vez que tudo poderia ser resolvido mais rápido. Até agora, os nomes mais citados para este mandado tampão são de Nelson Jobim e Henrique Meirelles. Os dois têm históricos questionáveis, mas, caso isto se confirme, pensando no bem do país acho que Meirelles seria melhor, pois é óbvio que manteria a mesma política econômica, que já estava dando sinais de melhoria.
Entretanto, aproveitando o momento, Marina e Lula já saíram pedindo "eleição direta", o que não é previsto na nossa constituição nesta fase do mandato, uma vez que seria um "mandato tampão" muito curto. Para a eleição direta ser legalmente viável, isto requer aprovação de emenda constitucional que normalmente é um processo demorado, que somado com o tempo do processo eleitoral, levaria uns 8 meses para se concretizar, prolongando nosso sofrimento que já dura quase 2 anos. Em condições normais, sempre defendi "eleições diretas", pois o verdadeiro soberano da nação é o povo, mas o interesse de Lula neste caso é outro. Sairia candidato, e apostando numa boa "intenção de voto" criaria constrangimentos e pressões para se contrapor em possíveis condenações nas várias denúncias que pesam contra ele. Isto é puro interesse pessoal e nada a favor do país. Lula até já começou com seus discursos fantasiosos que vai consertar o Brasil, mas, não podemos esquecer que Lula é o grande responsável por esta situação calamitosa. Foi ele que na presidência iniciou a fase de gastança desenfreada, foi ele que colocou Dilma na presidência e piorou o que já estava ruim, e foi ele que fez alianças com o PMDB de Temer para ganhar as seguidas eleições.
Acredito que Lula tem um público cativo de uns 20% dos eleitores e uma massa flexível de uns 15% de distraídos que podem entrar na sua lábia. Na hipótese de eleições diretas, nas pesquisas iniciais é bem provável que Lula sairia na frente nas intenções de voto até no máximo 35%, e o restante 65% ficaria diluído entre os demais candidatos e os indecisos. Numa possível pesquisa inicial creio que teríamos algo próximo de: Lula 23%, Marina 15%, Doria 10%, Bolsonaro 8%, Alckmin 6%, Aécio 5%, .... Isto daria uma força inicial à Lula, mas, como a rejeição dele é bem alta, num segundo turno onde acredito que teríamos o embate "Lula e Marina" ou "Lula e Doria", onde as forças contrárias a ele provavelmente se uniriam e em ambos Lula perderia.
Mas, seria bom evitarmos tudo isto, pois nosso país é muito diversificado e essa lógica nem sempre é igual a lógica dos outros. O melhor é não entrarmos nestas jogadas de "eleição direta" de cunho populista e recheado de interesse pessoal, e o bom mesmo é respeitarmos a constituição que indica "eleição indireta". Este respeito à constituição é importante para nossa própria segurança, pois, caso contrário entramos no "vale tudo" onde os bandidos tem mais chance de vencer. Outra vantagem é que na eleição indireta teríamos também uma solução mais ágil e o Brasil tem pressa, pois temos mais de 14 milhões de pessoas desempregadas esperando.