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Não jogue a toalha

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Desde os primeiros meses da reeleição da agora ex-presidente Dilma Rousseff as questões políticas interferem no mundo econômico. Inicialmente o movimento para sua cassação, que ocorreu efetivamente, depois o foco no presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo cunha, que também foi cassado e em seguida tudo que norteou as denúncias da lava-jato e os inúmeros casos envolvendo políticos de A a Z.

Isso tudo ocorrendo em ambiente de recessão econômica. Empreendedores distantes do centro do poder fazem tripas coração para manterem suas atividades. Pagam um custo elevado por tudo que vem ocorrendo no Brasil. Trabalhadores amargam o desemprego e consequente queda na renda. O cidadão comum padece à medida que a desesperança prevalece entre os agentes econômicos.

Neste momento, novamente, o centro do poder está sendo afetado. Atinge o próprio presidente Temer, que deixa margem a especulações de toda ordem. É sem dúvida um momento delicado e qualquer um que tente traçar um cenário poderá errar e errar feio. Cada dia será um novo dia, sem estabelecimento de tendências, indicando que a visão de curto prazo está prevalecendo ao bom planejamento de longo prazo.

Neste ambiente o que fazer? A primeira e importante questão é não "jogar a tolha". Indico isso em função do tamanho da economia brasileira. Se a geração de riqueza no Brasil não está no volume e dimensão necessários, por outro lado não pode ser desprezado.

O mundo real, neste em que vivemos não acabou. As pessoas se locomovem, se alimentam, consomem bens e serviços, empresas exportam, importam, os investimentos, mesmo que menores, continuam sendo aportados. É certo que não há um ambiente de normalidade e que há o que podemos denominar de crise institucional, mas também é certo que as oportunidades continuam se apresentando.

Esmorecer neste momento somente realimenta a crise existente. O momento exige sim novas estratégias, também exige cautela, mas não podem ser sinônimas de esmorecimento.

Pergunto: quantas crises já passamos? Quantas superamos? Mesmo considerando que a crise atual é uma das mais graves de nossa história, nós brasileiros nunca tivemos períodos relevantes de normalidade, mesmo porque nunca foram atacadas as principais causas dos desequilíbrios econômicos existentes, principalmente os investimentos em infraestrutura e nas reformas estruturais tão necessárias para o Brasil sustentar seu crescimento de longo prazo.

Experimente fugir um pouco do noticiário, não no sentido de fazer como avestruz, mas para não se deixar levar pelo pessimismo. Reúna sua família, estabeleçam novas metas e estratégias no tocante ao orçamento familiar. Na empresa chame seu time. Coloquem todos na mesma pauta e dê foco em produtividade.

É hora de controle de gastos e fazer mais com seu dinheiro e com o dinheiro das organizações. Indico "blindagem" de seus negócios e de sua vida financeira pessoal para que este momento seja enfrentado com estratégia, sabedores que, mesmo que demore, a normalidade virá. No tocante ao ambiente político torçamos para que não contamine a equipe econômica e a recuperação da economia que está em curso não seja afetada.

Preocupados todos devemos estar, mas esmorecer, como colocado, "jogar a tolha", jamais. Foco no mercado do lado real. Este é o caminho.

O autor é economista, articulista do JC

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