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| Edison Gasparini Jr. fala sobre números da Cohab, observado pelos vereadores Chiara Ranieri e Sandro Bussola, ontem |
A situação financeira da Cohab foi explicada em uma audiência pública na manhã dessa quinta-feira (25), no plenário da Câmara Municipal. Chamada pelos vereadores Sandro Bussola (PDT) - que presidiu o encontro - e Chiara Ranieri (DEM), a reunião contou com a participação do presidente da Cohab, Edison Bastos Gasparini Júnior, membros do corpo jurídico e administrativo da companhia habitacional, os secretários municipais Everson Demarchi (Finanças) e Toninho Garms (Negócios Jurídicos), além de diversos vereadores.
Após apresentar uma série de dados sobre a evolução financeira e fiscal da Cohab, Gasparini elencou algumas medidas que estão em andamento e outras que a companhia pretende adotar para reduzir a dívida. O passivo é de mais de R$ 400 milhões apenas com o FGTS, e considerando-se tudo o que a companhia tem para receber e pagar, o saldo é de R$ 197,4 milhões negativos.
Entre as medidas que já existem, Gasparini destacou a redução de custos com folha de pagamento e prestadores de serviços, o que deve ser intensificado, e o combate à inadimplência. A retomada e recomercialização de imóveis com dívidas também é apontada como algo a ser feito, além de renegociação com o FGTS e a retomada da construção de moradias, com recursos do FGTS.
"Isso é necessário para que a Cohab tenha arrecadação, giro de capital. Hoje, a única receita são os mutuários antigos", disse. O dirigente também falou em parceria com o CDHU, com construtoras para construção de casas populares em Bauru, porém, sem dar um prazo específico para essas ações. A Cohab teve todas as contas rejeitadas entre 2010 e 2013 - último ano com parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE), fato minimizado por Gasparini. "Na realidade até os anos anteriores não deveriam ter sido aprovados, porque já se sabia que a Cohab era deficitária", aponta.
ATUAL
Logo no início da audiência, Gasparini mostrou os números da Cohab. São 9.334 contratos ativos, 95 funcionários de carreira e um comissionado, além de mais dois diretores e oito conselheiros. A arrecadação mensal é de R$ 2.278.000,00 e a o índice de inadimplência dos mutuários está em 12,1%. A carteira (contratos) caiu drasticamente desde 2004 - Gasparini assumiu a companhia habitacional no ano seguinte - saindo de 25.646, com arrecadação mensal média de R$ 2,99 milhões, para 20.840 em 2008, com arrecadação de R$ 3,15 milhões, depois 15.649 contratos em 2012, arrecadando cerca de R$ 3,08 milhões mensais, até chegar aos números atuais.
"A arrecadação manteve-se em patamares semelhantes porque, apesar da redução do número de contratos, aumentamos a cobrança dos inadimplentes", justifica Gasparini. A arrecadação, que antes tinha como base as prestações mensais dos mutuários, agora é garantida principalmente pela recuperação de crédito (cobrança de valores atrasados). "Não foi a nossa gestão que criou a dívida da Cohab, isso já existia, estamos administrando e tentando reduzir", frisa.
Sobre o número de funcionários, Gasparini lembrou que vários com cargos de assessoramento (comissionados) foram demitidos recentemente. "Os que possuem concurso, mesmo sendo celetista, é mais difícil demitir. A Cohab de Ribeirão Preto demitiu 24 funcionários nesta situação, e já teve que readmitir 16, por determinação da Justiça do Trabalho, e os outros também podem acabar voltando. Mesmo sendo celetistas, a Justiça acaba entendendo que eles possuem certa estabilidade, então temos que analisar bem para não criar um outro problema", pondera.
A Cohab gasta cerca de R$ 435 mil mensais com salários, sem contar os encargos. O piso salarial da companhia é R$ 1.641,05, subindo até R$ 7.701,35, conforme a função e carreira, enquanto os assessores ganham entre R$ 1.370,72 e R$ 4.956,45. O diretor administrativo tem salário de R$ 12.018,61 e o presidente de R$ 13.892,47.
IMÓVEIS
O patrimônio imobiliário da Cohab atualmente é de 588 terrenos e 26 edificações. Desse total, são 162 lotes no Núcleo Beija-Flor, 159 no Val de Palmas, 42 no Geisel, 17 na Vila Tecnológica, oito no Mary Dota e mais 42 espalhados por outros bairros da cidade, totalizando 430 imóveis em Bauru. São ainda mais 184 em diferentes municípios, chegando aos 614 imóveis. O valor avaliado da soma dos imóveis é de R$ 106,3 milhões, com metragem total de pouco mais de 1,1 milhão de metros quadrados.
A Cohab pretende leiloar parte desses imóveis, como forma de amenizar a dívida da companhia. O presidente Edison Bastos Gasparini Jr. também lembrou que eles geram despesa, pois é necessário pagar o IPTU e ainda manter os lotes limpos, construir e manter calçadas, além da estrutura dos imóveis edificados.
SABATINA
Após a explicação de Gasparini, as perguntas foram abertas aos vereadores. Coronel Meira (PSB) foi o que mais questionou a Cohab, trazendo vários dados sobre as finanças da companhia. O parlamentar perguntou ao presidente qual a razão das viagens a Brasília, e quem custeia isso. Gasparini respondeu que em quase todas ele mesmo paga as despesas e em algumas a Cohab arca com os custos. "Mas não vou tanto assim a Brasília, do jeito que as pessoas falam dá a impressão que não saio de lá", pontua. O presidente não soube precisar exatamente quantas viagens já realizou para a capital federal durante o período em que está no cargo.
Meira também questionou o aumento do número de funcionários ao longo da última década, e também por que a Cohab tem mais advogados hoje (19 ao todo) do que há alguns anos, sendo que o número de ações na Justiça, seja como autora ou ré, caiu pela metade. Gasparini apontou que o aumento se deu, principalmente, porque as antigas vagas de estagiários foram supridas por profissionais contratados, em áreas que exigem qualificação técnica, e na área jurídica foi necessário aumentar o quadro de funcionários para dar suporte ao aumento das cobranças que permitem o maior fôlego financeiro da companhia, ainda que deficitária.
A Cohab possui 4.172 ações judiciais distribuídas por 18 comarcas do Estado de São Paulo. O vereador Coronel Meira lembrou que em 1.700 a companhia figura como autora e nas demais como ré.
Em relação às construtoras, o advogado Fernando Tourinho citou que são 22 ações de 28 empresas diferentes. O valor total já julgado passaria de R$ 1 bilhão, porém, a Caixa é quem deverá pagar essas construtoras ou ressarcir a Cohab, por ser polo passivo.
