| Caio Casagrande/Bauru Basket |
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| Técnico Demétrius tem, em sua segunda final à frente do Bauru, a chance de conquistar seu primeiro título do NBB |
O Gocil/Bauru inicia neste sábado (27) a derradeira jornada em melhor de cinco na busca de romper um hiato de 15 anos sem um título nacional para o basquete masculino profissional de Bauru. O time entra em quadra, às 14h, no ginásio Antônio Prado Jr., em São Paulo, na abertura da série decisiva contra o Paulistano e, se vencer, abre a perspectiva de garantir o caneco nos jogos com mando de quadra, que ocorrem na próxima sexta-feira e domingo, respectivamente, em Bauru e Araraquara.
O Dragão joga para voltar ao topo do basquete brasileiro uma década e meia após a conquista do Tilibra/Copimax, em 2002 e para conquistar o troféu que falta na galeria do mais recente projeto de basquete na cidade. Aliás, o título do NBB veio se tornando uma obsessão do time bauruense desde a implantação do novo projeto do basquete masculino na cidade, em 2007, ao longo das temporadas em que acumulou conquistas sucessivas em Campeonato Paulista, Liga Sul-Americana e Liga das Américas, além do vice mundial.
Curiosamente, o Gocil, que chega à sua terceira final de NBB consecutiva, consegue o feito em uma edição em que deixou de ser apontado por muitos como um dos "virtuais" finalistas nas previsões feitas no início e ao longo do campeonato. Após duas decisões contra o Flamengo, onde os dois times foram dominantes no cenário nacional, a equipe bauruense enfrentou dificuldades na pré-temporada, com a diminuição do aporte do então principal patrocinador máster e a saída de jogadores importantes, com o armador Ricardo Fischer e o ala Robert Day. Além disso, durante o Nacional, perdeu o pivô Rafael Hettsheimeir, uma das referências da equipe, para o basquete espanhol.
Porém, a saída do pivô, que era dominante no garrafão e destaque nos chutes, longe de desestruturar o time como a torcida temeu, apenas provocou ajuste na maneira da equipe jogar. O Gocil passou a apostar ainda mais na defesa, que se consolidou como a principal característica da equipe - tem a menor média de pontos sofridos neste NBB. Sem Hettsheimeir, o time se "reinventou", alguns jogadores ganharam mais tempo de quadra e a comissão técnica e elenco encontraram a fórmula que fez o finalista Gocil/Bauru. Depois de ficar com a quinta melhor campanha na temporada regular, o Dragão soprou da competição nos playoffs o Macaé (3 a 0) nas oitavas de final; o Brasília (3 a 1) nas quartas e o Pinheiros (3 a 2) nas semifinais.
SUPERAÇÃO
O técnico Demétrius Ferracciú exalta a trajetória de superação da Gocil e as viradas nas séries contra Brasília e Pinheiros, o que, entende, dá moral para o Dragão na disputa do título. "Para nós, é uma satisfação grande estar na terceira final seguida, ainda mais em um campeonato tão competitivo como o NBB. Hoje estamos mais prontos para ir em busca do título. A maneira como chegamos aqui, saindo de duas situações adversas, como contra Brasília e Pinheiros, isso nos traz muita confiança", declarou o treinador, pela assessoria de imprensa do Bauru Basket.
O Paulistano foi o sexto colocado na primeira fase e nos playoffs passou por Basquete Cearense (3 a 2) nas oitavas; Franca (3 a 2) nas quartas e Vitória (3 a 0) nas semifinais.
"Começamos a temporada com objetivo de revelar jogadores, mas o ponto crucial para chegarmos até aqui foram as seis derrotas seguidas no início do segundo turno. Os jogadores estavam sem saber a diferença entre derrota e vitória. Com isso fizemos treinos cada vez mais cedo. Foi uma estratégia para mudar a mentalidade, para perceberem a diferença entre vitória e derrota e saberem que a gente podia ir mais longe", disse o técnico do Paulistano, Gustavo De Conti, em declaração ao site da Liga Nacional de Basquete.
EXPERIÊNCIA
Para concretizar o sonho de voltar a ser o campeão nacional, o Gocil tem como trunfo um elenco experiente, onde sobram títulos e bagagem em relação a finais. Cinco jogadores do elenco bauruense já foram campeões nacionais. Shilton, duas vezes, Gegê, quatro vezes, Jefferson, uma vez, todos pelo Flamengo; Alex levantou a taça pelo Brasília em quatro ocasiões, três pelo NBB e uma pelo Nacional da CBB; e Valtinho conquistou títulos pelo Brasília (NBB) e pelo Franca, no Nacional da CBB. Além deles, Gui Deodato e Léo Meindl já fizeram finais do NBB pelo Bauru Basket.
Do lado do Paulistano, apenas Renato Carbonari e Arthur Pecos tiveram o gosto de disputar uma final de NBB. Outro detalhe que deixa evidente a diferença de experiência entre as equipes é a média de idade. O time bauruense tem média 27,3 anos e o da Capital, 21,9.
Alex Garcia, capitão do Bauru Basket e que chega à sua sétima decisão de NBB - é o maior finalista da competição - fala sobre a satisfação de voltar à disputa do cobiçado troféu. "Sou muito feliz por isso, mostra que sempre estou jogando em alto nível e em equipes competitivas. Esse número de finais é resultado de muito trabalho individual e coletivo", ressalta o "Brabo".
O duelo desta tarde será transmitido ao vivo pelos canais Band e SporTV e pela webrádio Jornada Esportiva/Auri-Verde.
Ineditismo
A decisão do NBB 2016/17 é cercada pelo ineditismo. A final entre Gocil/Bauru e Paulistano vai marcar um campeão inédito, já que os únicos times a levantarem o troféu na edições anteriores foram Flamengo, cinco vezes, e Brasília, três. A temporada também conhecerá o primeiro time paulista, estado com mais força no basquete no Brasil, campeão. Além disso, é a primeira vez que equipes que ficaram fora do G4 da fase de classificação protagonizam a decisão do título. Bauru foi o quinto colocado e o Paulistano, o sexto.
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