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Fora Temer. E depois?

Zarcillo Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Vários manifestantes, em Brasília, usavam camisetas com a foto de Lula - "O cara tá voltando". O ex-presidente é o expectador privilegiado dessa crise política que assola o presidente Temer. Os holofotes que o acompanhavam desde o depoimento prestado ao juiz Sérgio Moro, no dia 10 de maio, passaram para o Palácio do Planalto. A denúncia do Ministério Público Federal, desta vez sobre o sítio de Atibaia, não conseguiu mais do que uma nota de rodapé nos jornais. O escândalo da gravação de Temer, feita por Joesley Batista, pôs fogo no País e, literalmente, em Brasília. Lula passou da condição de denunciado a protagonista nos bastidores da negociação entre os caciques políticos.

A crise o uniu a outros dois ex-presidentes do Brasil - José Sarney (PMDB) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Eles tratam de estabelecer o "day after". Aquilo que vai acontecer após a queda de Temer, tida como inevitável. Na semana que vem (6 de junho), o TSE julga a cassação da chapa Dilma-Temer. Pode ser o fim da resistência de Temer, que insiste em não renunciar. O PT de Lula já começa a deixar o "Fora Temer" para gritar "Diretas Já", uma bandeira que lembra o movimento pela redemocratização.

O que dói na alma é ver a oposição presa ao passado e sem saber apontar para os eleitores caminhos de saída para o Brasil. Muito barulho. Mas, qual o projeto para reverter a situação criada pela grave crise?

Plutarco, filósofo grego que viveu no início da Era Cristã, ensinava que precisamos aprender com os nossos erros. Essa oportunidade não pode ser desperdiçada pela sociedade, que deve procurar "um homem probo, cheio de serviços à Pátria, uma figura impoluta" capaz de conduzi-la a um destino melhor. O sábio é autor de um livro de biografias chamado "Vidas Paralelas", onde conta a trajetória de todos os "proeminentes", como Otávio Augusto, Cícero, Demóstenes...

Os biografados ficaram conhecidos na história como "os varões de Plutarco". Toda vez que procuramos um líder, os retratados pelo filósofo nos serviriam de modelos. Aqui, no Brasil de hoje, procura-se alguém que possa substituir Temer, num mandato tampão, capaz de, pelo menos, remendar as vestes rasgadas da República. Tarefa difícil, achar quem não tenha sido comprado pela JBS, Odebrecht e outras da mesma natureza. Falou-se em Nelson Jobim, amigo dos três ex-presidentes, com bom trânsito nos partidos. Perdeu forças depois de fulminado pelos procuradores da República por críticas feitas à Lava Jato, na defesa de réus denunciados por corrupção e lavagem de dinheiro.

Há quem especule que teria mais chance Henrique Meirelles, querido pelo mercado. Outros apontam o senador tucano Tasso Jereissati, sobrevivente da Lava Jato no PSDB. A ideia vai contra as pretensões do PT, já pensando no cenário de 2018. Sobra Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, a quem caberá convocar eleições indiretas. Gira em sua órbita boa parte dos partidos que formavam o antigo Centrão de Eduardo Cunha. Incômoda herança. A ausência de figuras plutarquianas favorece candidatos "apolíticos", como João Doria (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSC-RH). O prefeito de São Paulo, com sua política higienista na cracolândia, conseguiu desagradar até o próprio partido. Já Bolsonaro tem muita rejeição.

Enquanto aguardamos nascer um candidato sem inquéritos, sem investigações, sem doações ou propinas, melhor seria costurar um projeto de salvação nacional. Corremos o risco de, em 2018, ocorrer mais uma campanha financiada pelo caixa 2. Uma das grandes causas da corrupção está associada ao sistema eleitoral, aos mecanismos de financiamento da campanha.

A interdependência entre o Estado e o setor privado gera um ambiente de troca de favores danosos para a política e a economia brasileira. Isso não é capitalismo. Isso é socialismo dos ricos. Os apanhados em atos de corrupção aprenderam depressa que a boia de salvação é a delação premiada. Basta devolver parte do que foi roubado. E sobra um troco. Quando não, ainda existe o foro privilegiado. A Justiça brasileira levou 20 anos para condenar Paulo Maluf por desvio de dinheiro quando prefeito de São Paulo. Como já está com 84 anos, embora condenado a 7 anos, 9 meses e 10 dias pelo STF, nunca será preso. Lá fora, Maluf já é fichado na Interpol há anos.

Por enquanto, só existe um consenso no Brasil: o novo cenário de turbulência deve adiar novamente a retomada econômica, para desespero de 14 milhões de desempregados.

O autor é jornalista e articulista do JC.

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