Tribuna do Leitor

Um dos Colarinhos

Alex Martins
| Tempo de leitura: 1 min

Corrupto, despertou cedo, semelhante ao coletivo da classe à qual pertence. No amanhecer, esfregou o rosto com as mãos ainda secas, posteriormente, já úmidas pela água contínua e aquecida, massageou o semblante. Com sua higiene pessoal minimalisticamente apta ao convívio, finalizou o embrulho corporal de cor neutra, dupla e sob medida, com o laço da gravata.

De senhorita vaidade, encontrou somente o perfume, a mesma já estava na esteira a alguns quarteirões. Queimou o lábio superior com o café, deixou recados aos que tinham acesso, por servilidade, no confortável lar. Atendeu a chamada que disputou o equilíbrio e a atenção do cigarro, saiu com o automóvel e o sonho de ter mais tentáculos para executar simultaneamente as tarefas.

Após décadas de graduação intelectual e corrupção, repetindo sua atual rotina de forma cíclica, estável e mórbida, acidentou-se. No resgate, seu corpo foi retirado com destreza, desfeito o laço que nesse instante só guardava um embrulho orgânico, nada além.

 

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