Tribuna do Leitor

E agora? O Brasil está inviável?

Antonio Carlos Azevedo dos Santos
| Tempo de leitura: 3 min

O Brasil de hoje é governado por uma usina de reprocessar lixo. O que mais poderia sair? O presidente Michel Temer, no fim das contas, não conseguiu atravessar nem mesmo uma pinguela que tinha pela frente para usar a faixa presidencial até o último dia oficial de seu mandato. Era seu sonho - cumprir o curtíssimo prazo que a lei lhe deu para despachar no Palácio do Planalto. Mas não deu, chegou morto porque só sabe fazer política, onde um presidente da República recebe em palácio indivíduos à beira do xadrez e discute com eles coisas que jamais deveria ouvir, e pior, não chamou a polícia.

Não houve, de 2003 para cá, alternância de poder, e isso inclui o governo de Temer, continuou tudo igual, e um baixo mundo que governa o Brasil.

Michel Temer, na verdade, só chegou lá porque o PT o colocou na vice-presidência, e com certeza quem fez a escolha foi Lula, ninguém mais, foi dele o único voto que Temer teve. É tudo parte, no final das contas, da "política de alianças". A respeito do assunto, tivemos o direito a uma aula de ciência política dada pelo próprio ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro, durante audiência, que explicou ao juiz e a todos nós que é impossível governar sem "aliados".

E o que isso tem a ver com a corrupção em massa durante o seu governo? Tudo a ver: você precisa dar cargos públicos aos partidos que apoiam o governo, e aí eles vão roubar tudo o que virem pela frente. No seu caso, o PMDB foi a principal aliança que fez - que seria completada com a aquisição do PP, PR e de outros partidos.

Com o PMDB veio Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, José Sarney e família, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Eunício Oliveira, Geddel Vieira Lima e daí para pior. Também vieram os empresários "nacionalistas" de Lula e Dilma: os Joesley e Wesley Batista, Marcelo Odebrecht, Eike Batista e tantos outros capitães da indústria que já foram, continuam sendo e em breve serão inquilinos do sistema penitenciário nacional.

O ex-presidente Lula oscila entre duas possibilidades: ir para o xadrez ou para o Palácio do Planalto. Seu adversário nas últimas eleições, Aécio Neves, recebe malas de dinheiro vivo dos irmãos Batista, que atiram para todos os lados.

O governo do Brasil e o conjunto da vida política, passou a depender inteiramente de delegados de polícia, procuradores e juízes criminais. O voto popular nunca valeu tão pouco: o político eleito talvez esteja no próximo camburão da Polícia Federal.

Trata-se de uma realidade que está evidente há mais de três anos, quando a Operação Lava-Jato passou a enterrar o Brasil Velho. Pela primeira vez na história deste país, os políticos e empresários encontraram pela frente a aplicação da Justiça, ou mais exatamente o princípio de que a lei tem de valer por igual para todos. Mesmo assim, não acreditaram, e tentam não acreditar até hoje que aquilo tudo estava mesmo acontecendo. O único Brasil possível, para eles, é o Brasil que tem como única função colocar a máquina pública a serviço de seus bolsos.

O resultado está aí - um país que não consegue mais ser governado, porque os governantes não conseguem mais esconder o que fazem, nem controlar a Justiça e a Lava-Jato, que a qualquer momento pode bater à sua porta. Fica aqui a pergunta: E agora? O Brasil está inviável?

Comentários

Comentários