Regional

Polícia Civil prende quadrilha que aplicava golpes usando a Internet

Ana Borges e Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Douglas Reis
No porta-luvas do Jaguar de Thales Martins, Polícia Civil apreendeu R$ 7 mil em dinheiro; (fotos abaixo) Thiago Martins, de camiseta verde, e Thales Martins, de blusa de frio branca, foram presos em Bauru

A Polícia Civil de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) desarticulou nessa quarta-feira (31) uma quadrilha que aplicava golpes pela Internet. Após anunciar a venda de eletrônicos em um site de compras, os estelionatários utilizavam contas correntes de "laranjas" para receber pelos produtos, que não eram entregues. Na região, pelo menos 111 ocorrências estão relacionadas ao grupo criminoso. No total, 13 pessoas estão presas temporariamente por associação criminosa.

A operação visando ao cumprimento de 13 mandados de prisão e 15 de condução coercitiva nas cidades de Lençóis Paulista, Bauru e Macatuba teve início logo pela manhã e contou com a participação de 80 policiais civis. Os irmãos Thiago Fortes Martins e Thales Fortes Martins, apontados pela polícia como os líderes da organização, foram presos em uma residência de alto padrão em Bauru.

No porta-luvas de um Jaguar apreendido na casa, os policiais encontraram R$ 7 mil. Como Thales não soube explicar a origem do dinheiro, foi autuado em flagrante por lavagem de dinheiro. Outros dois homens que seriam os responsáveis por recrutar correntistas interessados em participar do esquema em troca de um percentual sobre as vendas foram presos em Lençóis Paulista.

O delegado Luiz Cláudio Massa ressalta que o Poder Judiciário teve papel fundamental nessa operação, concordando com as prisões, já que os golpistas e "laranjas" apostavam na impunidade. Segundo ele, uma conversa interceptada pela polícia mostra um dos presos orientando um correntista sobre como deveria agir caso fosse questionado pela polícia sobre eventual participação nos golpes.

"As pessoas têm aquela convicção de que não vai dar em nada", afirma. "A função dessas prisões hoje teve um duplo sentido. Primeiro, fazer prova contra os líderes e também dar um impacto". Os quatro "líderes" do esquema criminoso foram levados para a Cadeia de Pirajuí. Já os demais estão presos na Cadeia de Avaí.

Samantha Ciuffa
Delegados Ricardo Martines e Luiz Massa falam sobre a operação

Com o vencimento do prazo da prisão temporária de 5 dias, prorrogáveis por mais cinco, a polícia avalia se irá pedir a prisão preventiva dos investigados de imediato ou somente após a conclusão do inquérito, que já conta com 800 páginas e quatro volumes. A reportagem não conseguiu apurar se os dois irmãos já constituíram advogado.

O GOLPE

Massa explica que a quadrilha anunciava produtos como iPhones, drones e videogames em um conhecido site de compras usando o nome fictício de uma mulher. Com o objetivo de dar credibilidade à transação, o grupo estampava nos anúncios fotos de carros de luxo. Para concretizar a venda, eram disponibilizadas contas-correntes "emprestadas" por correntistas aliciados pelos criminosos.

Tanto os responsáveis pelo recrutamento quanto os "laranjas" recebiam um percentual sobre a transação. A maior parte era repassada aos irmãos. "Um dos membros da quadrilha falou que, no mês de dezembro, o Tales levantou R$ 80 mil". Os "clientes" ficavam apenas com o prejuízo, já que os produtos não eram entregues.

Como evitar cair em golpe

Para que as pessoas não se tornem vítimas de um golpe virtual, o delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines, dá algumas dicas. "Geralmente, o estelionatário baixa muito o preço do produto", diz. "As pessoas têm que desconfiar quando estão comprando alguma coisa muito barata. E comprar em um site de confiança. Existem sites, por exemplo, em que o dinheiro só é liberado após a entrega do produto". Em caso de dúvida, segundo o delegado seccional, a Polícia Civil pode ser contatada para esclarecimentos.

INVESTIGAÇÕES

Douglas Reis
Policiais civis de Lençóis Paulista apreenderam computadores

A atuação da quadrilha vinha sendo investigada há três meses, mas um dos detidos revelou que os golpes eram praticados desde 2014. Segundo o delegado Luiz Claudio Massa, a maioria das vítimas é da Capital e grande São Paulo, mas existem casos registrados até em outros estados, como o Distrito Federal.

Apenas Lençóis Paulista contabiliza 80 boletins de ocorrência de estelionatos ligados ao grupo criminoso, que somam um prejuízo de cerca de R$ 150 mil. "É bom frisar que embora, individualmente, os prejuízos não sejam tão grandes, às vezes é o sonho da pessoa que é jogado no lixo", diz Massa.

Em Agudos, outros três casos são investigados e, em Bauru, mais 28. "O local do crime se consuma aonde a pessoa aufere o lucro com a prática do delito", explica o delegado seccional de Bauru, Ricardo Martines. "Nós acreditamos que existam muito mais vítimas. E esperamos que, com a divulgação, elas apareçam".

Douglas Reis
Foram apreendidos um veículo Jaguar, um Corolla e um Cruze, além de R$ 7mil em dinheiro

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