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Políticos de Brasília: blindem a economia!

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Caros (no sentido amplo da palavra) políticos de Brasília, temos 14 milhões de argumentos para clamar: blindem a economia! Foram dois anos de recessão, convivendo com desequilíbrios de toda ordem, tendo como consequências: inflação de dois dígitos, desemprego atingindo patamares elevados, enorme endividamento público, quebradeira no setor empresarial e total descrédito do País. Os juros básicos foram majorados e o caos se instalou em nosso dia a dia.

Tudo vem apontando para dias melhores. A inflação projetada para este ano abaixo da meta fixada pelo governo (meta de 4,5% inflação projetada de 4,2%). Com inflação controlada, os juros básicos caíram, com esta queda pode ocorrer o estímulo ao consumo aumentando as vendas no comércio. Os números macros do primeiro trimestre apontam para saída da área negativa, sinalizando retomado do crescimento econômico. Estava em curso a retomada da confiança dos agentes econômicos.

A proposta na economia que garantirá a sustentação do crescimento econômico não está conclusa. Controlar os gastos públicos foi um primeiro e importante passo, mas sem reformas estruturais continuaremos sendo taxados de País que cresce semelhante ao voo da galinha (galinha não voa).

As reformas trabalhista e previdenciária podem não ser unanimidades, mas não as enfrentar no debate é o pior dos mundos. Observar opositores ao atual governo obstruindo o avanço deste debate é não ter espírito público e sim pensar somente em seus próprios interesses. Se não é possível fazer as reformas ideais que ao menos sejam levadas à frente as reformas possíveis, mas que fique claro: o setor privado, tanto empresários como os trabalhadores, não têm mais fôlego para retrocessos. O pessimismo não pode voltar a imperar no País. Modelos econômicos populistas, com salvadores da pátria, não podem ter espaço no debate atual.

Quero, como a maior parte dos brasileiros de bem, que o Brasil seja passado a limpo. Nenhum político pode se manter impune principalmente quando não exerceram seus cargos com honestidade. Isso serve para todos, mas insisto, a economia precisa ser blindada. É certo que o País carece de um Estadista (com E maiúsculo mesmo) que tivesse a capacidade de ser um aglutinador, aquele que pudesse, dada postura e credibilidade, juntar os poucos políticos não envolvidos em falcatruas, e garantir a governabilidade. Infelizmente isso pertence ao passado. A realidade hoje e outra, mas algo nesta direção tem que ser feito.

Da maneira que as coisas estão, como convencer os investidores a aportarem seus recursos no setor produtivo? Como voltar a contratar mão de obra posto que as incertezas norteiam setores de A a Z?

Tenho escrito que devemos focar em nossas carreiras e negócios, e mantenho este indicativo, mas para efetivamente dar tranquilidade àqueles que geram riquezas no Brasil é preciso que a economia se distancie da política.

Não é tarefa fácil, posto que nossa Constituição foi elaborada mais voltada ao regime parlamentarista do que presidencialista, o que estabelece forte dependência do Congresso Nacional, mas os políticos, por iniciativa própria, dentro do espírito coletivo colocado acima, poderiam separar as questões e fazerem a lição de casa.

Insisto: se há alternativas plausíveis às reformas que estão sendo discutidas, que estas sejam colocadas e o debate seja positivo, mas fugir da discussão pode ser considerado um estelionato eleitoral, afinal, não elegemos nossos representantes para trabalharem por causas próprios ou de um pequeno grupo de interesse. A sociedade civil organizada não pode e não deve mais assistir a tudo isso passivamente. É preciso que todos estejam voltados a equacionar os graves problemas que nos assolam há anos, garantindo avanços e não retrocessos.

Quanto mais tempo isso perdurar, mais os indicadores sociais se deteriorarão. O que está em jogo não é a sobrevivência política deste ou daquele político, mas sim o bem-estar da população, que paga um preço elevado pela corrupção enraizada no Brasil.

Clamo novamente: blindem a economia!

A população agradece.

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