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Posto no Jd. Godoy tem um 'festival' de improvisos: até banheiro virou depósito

Vitor Oshiro e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: TCE/Divulgação
Improviso: banheiro é utilizado como depósito
Termômetros foram precariamente adaptados para aferir a temperatura dos recipientes onde medicamentos eram armazenados
Geladeira guardava insulina e amostras de sangue juntas

Fiscalizações realizadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) identificaram irregularidades em unidades do Programa de Saúde da Família (PSF) de Bauru e outros 14 municípios da região. As vistorias, ocorridas na última quarta-feira, revelaram problemas que vão desde a falta de médicos até o armazenamento incorreto de alguns medicamentos.

O objetivo da blitz foi verificar não só a legalidade, mas também a qualidade dos gastos públicos. Em Bauru, a fiscalização foi realizada na unidade do Jardim Godoy, onde duas equipes do PSF dividem espaço com os profissionais da unidade básica de saúde (UBS), que funciona mesmo prédio.

"A estrutura física está lastimável. É pouco espaço para todos os profissionais. E preocupa o fato de enfermeiros e técnicos de enfermagem da UBS estarem sendo emprestados para trabalhar duas horas por dia com a equipe do PSF. Isso compromete o atendimento", pontua José Paulo Nardone, diretor regional do TCE.

No local, havia falta de farmacêutico e foi encontrada uma geladeira onde insulina e amostras de sangue estavam armazenadas juntas. A fiscalização também detectou a ausência de estoque de alguns medicamentos.

E o improviso não para por aí: um banheiro virou depósito e termômetros foram precariamente adaptados para aferir a temperatura dos recipientes onde medicamentos eram armazenados. Fora tudo isso, a unidade ainda contém infiltrações em paredes e tetos, prontuários expostos, trincos, entre outros problemas.

A Secretaria de Saúde de Bauru informou que não recebeu oficialmente o relatório do Tribunal de Contas a respeito dos apontamentos realizados pela reportagem. Contudo, a pasta alega que os problemas de estrutura física da unidade do Jardim Godoy estão sendo avaliados em conjunto com os demais apontamentos levantados pela atual administração, "sendo que estão sendo traçadas estratégias e cronogramas de ação para dar as soluções àqueles serviços de saúde apresentando".

Quanto aos problemas apontados relacionados aos mobiliários, a prefeitura informa que já foi solicitada substituição. "A unidade receberá ainda neste primeiro semestre novas longarinas, mesas, armários e arquivos". Isso pode resolver, por exemplo, o problema dos prontuários expostos.

Já em relação aos estoques e armazenamento de medicamentos na unidade, a Secretaria de Saúde diz que já estão sendo adotadas medidas para equacionar essa demanda através da contratação de novos profissionais farmacêuticos e redistribuição das unidades de dispensação no município, "o que propiciará um melhor controle e armazenamento de medicamentos e insumos para toda a rede municipal de saúde".

NA REGIÃO

Na região, a lista de irregularidades encontradas pelo TCE também é extensa: há falta de médicos, nebulizadores e relógios de ponto, bem como problemas estruturais e de acessibilidade nos prédios. Verificou-se, ainda, equipes incompletas, número de moradores atendidos acima da média estabelecida pelo Ministério da Saúde, agentes comunitários sem capacitação, entre outros. E os problemas não se restringem só à falta de materiais: a blitz encontrou até mesmo aparelhos de raio-X e compressores sem uso, ainda dentro de caixas.

Em tempo: em todo o Estado, a operação do TCE fiscalizou 244 unidades de saúde presentes em 210 municípios.

Outro problema encontrado pelos fiscais do TCE foram prontuários expostos

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