Polícia

Psicologia "combate" violência à mulher em Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Eleide Medeiros Batista, Priscila Bianchini e Ana Flávia Barbaresco: psicologia e polícia unidas

Vítimas, familiares e até mesmo os autores envolvidos em ocorrências registradas na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em Bauru, têm acesso ao atendimento psicológico, feito pelos estudantes do último ano de psicologia da Unip, devidamente supervisionados. O convênio existe desde o início do ano anterior e a avaliação tem sido bastante positiva. Aproximadamente 100 pessoas já foram assistidas.

Titular da DDM, Priscila Bianchini explica que o fato de atender os autores dos crimes - na maioria dos casos, de violência doméstica - torna o serviço inovador. "Eles também necessitam de tratamento. Muitas vezes, são dependentes de drogas ou álcool. Tratá-los é uma maneira de evitar que tornem a agredir", acrescenta.

Já o coordenador do curso de psicologia e supervisor do estágio em psicologia jurídica da Unip, Ulisses Herrera Chaves acredita que a violência esteja diretamente relacionada à mente e, por isso, explica que os autores também devem ser tratados pelos profissionais da área. "Não é só um problema policial ou social, mas sim, psicológico", reforça.

Todavia, a adesão ainda é considerada baixa. Os autores têm ciência de que estão errados e não se sentem à vontade de receber o acompanhamento psicológico. "Eles acham que nós vamos recriminá-los, mas não é o que acontece", justifica.

Em relação às vítimas, o professor afirma que costumam procurar a polícia como uma maneira de assustar os agressores, porém, acabam reatando os relacionamentos e, muitas vezes, retirando as queixas. Logo, o tratamento também é deixado de lado. "É um círculo vicioso", observa.

Ulisses defende que, se a DDM tivesse uma equipe multidisciplinar - com assistente social, psicólogo etc - para atender as vítimas assim que denunciam, talvez, a aceitação seria maior.

Além disso, o supervisor do estágio frisa que não existe qualquer lei que obrigue os autores a passar por tratamento, fato que deveria mudar, conforme sustenta Ulisses.

PASSO A PASSO

A delegada da DDM revela que o acesso ao serviço é fácil, basta registrar um boletim de ocorrência (BO). Este, por sua vez, é encaminhado à DDM, que aciona as partes. Imediatamente, os estagiários - no total, são 20 a cada semestre - já as questionam se há interesse em participar da iniciativa, totalmente gratuita.

Ainda segundo Priscila, a maioria das vítimas aceita ter uma primeira conversa, que ocorre no auditório da Central de Polícia Judiciária (CPJ). Porém, não costumam dar continuidade ao restante do tratamento, que é feito no Centro de Psicologia Aplicada (CPA) da Unip. "Quando a vítima chega à delegacia, está nervosa e o acolhimento inicial já ajuda, principalmente, no momento em que será ouvida", finaliza.

João Rosan/JC Imagens
Ulisses Herrera é o supervisor do estágio em psicologia forense

ENXERGANDO A REALIDADE

Estudantes do último ano de psicologia da Unip, Ana Flávia Barbaresco, de 26 anos, e Eleide Medeiros Batista, de 43, argumentam que o estágio permite que enxerguem a realidade, bem de perto. “A demanda é grande”, ratifica Ana Flávia. Já Eleide constata que a maioria dos casos que atendeu é de violência doméstica e briga familiar, mas outras colegas chegaram a assistir envolvidos em ocorrências de estupro ou estupro de vulnerável, por exemplo. “Agora, tenho certeza que quero seguir atuando na área de psicologia jurídica”, revela.

SERVIÇO

Os estagiários de psicologia atendem vítimas, autores e familiares durante o expediente da DDM, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. A delegacia está localizada na avenida Rodrigues Alves, 23-23, na Vila Cardia, em Bauru. O telefone para contato é o (14) 3235-6500.

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