Esportes

Bauruense compete na Patagônia Argentina

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Arquivo pessoal
Bauruense durante percurso da prova, cujas trilhas têm neve e chegam a altitudes de 4.500m

O que motiva um homem a correr inacreditáveis 70 quilômetros sobre montanhas, debaixo de neve, num frio congelante que se aproxima dos 10 graus negativos? Seria a paisagem surreal, de tirar o fôlego, a adrenalina, a aventura ou se colocar à prova, no limite do corpo, em ambientes extremos? Para o bauruense Fabio Siqueira, de 51 anos, analista de sistemas e corredor experiente em provas montanhosas, é tudo isso ao mesmo tempo.

Recentemente, ele conquistou mais uma vitória importante para seu currículo esportivo pessoal, foi top 10 na classificação de sua categoria e o brasileiro mais bem posicionado na Patagônia Run, maratona de montanha realizada na cidade argentina de Saint Martín de Los Andes, em abril.

Especialista em provas deste tipo, de aventuras em terrenos íngremes, Siqueira conta que a prova reuniu corredores de vários cantos do mundo, sobretudo europeus e sul-americanos, em várias categorias e distâncias. E ele escolheu o maior percurso, os 70 quilômetros. "A largada da prova aconteceu de madrugada, às 3h, com temperatura em solo na casa dos 6 graus negativos. "Quando começarmos a correr, partimos em direção às áreas montanhosas, com 4.500 metros de altura, onde passei por nevadas e o suor na calça chega a congelar", conta Siqueira.

EQUIPAMENTOS

O corredor explica ainda que esse congelamento na calça é normal e que basta bater as mãos sobre as pernas que a fina camada de gelo se quebra. A roupa é toda especial para alinhar aquecimento do corpo, deixando o suor para fora do tecido, mas também dando mobilidade para ele correr. Tanto a calça, quanto tênis e blusa são próprias para corrida em montanha. A mochila é leve, como uma roupa adicional cheia de bolsos, com espaço para levar água e alimentos para repor energias ao longo do percurso.

"Durante a corrida, eu sempre coloco um pouquinho de sal grosso na boca, para repor sais mineiras perdidos no suor. Me alimento também, sempre em movimento, com damasco, castanhas e biscoito salgado que levo na mochila", explica. Siqueira ainda usa dois bastões de esqui na neve, para minimizar fadiga nas pernas durante alguns locais de subida.

ESTRADAS DE NEVE E AREIA 'ENGOLIDEIRAS'

São exatamente nas áreas mais difíceis da prova, onde o corpo é colocado ao limite, que também está o ápice da beleza na corrida. Lá de cima, quando os corredores começam a descer, é possível ver o lago Lácar e a província de Neuquén. Certamente dá vontade de parar, respirar e admirar. Mas não é para isso que Fabio Siqueira está ali. A admiração tem que ser em movimento, porque a corrida não para.

Na sequência da prova, já na base da montanha, novos obstáculos da mãe natureza. Siqueira enfrentou trilhas de pedras, que exigem atenção redobrada e percurso de terra preta, fofa e do tipo "engolideira", que puxava as pernas do corredor a cada passada. Toda a sequência da corrida é dentro de floresta. Ele rompeu a fita de chegada por volta das 16h, com o tempo de corrida em 13 horas e 18 minutos.

CHEGADA

Fábio já correu várias maratonas, mas prefere mesmo as corridas de montanhas. Ele foi para a Patagônia com o casal de amigos bauruenses Ana Carolina Reis e Marcos Reis, que correram a etapa de 42 quilômetros.

Próximo do fim no Patagônia Run, com o sol a pino, no "calor" de 8 graus e enxergando os últimos seis quilômetros que ainda faltam pela frente, Siqueira mostrou que todo os treinamento valeu a pena. "Eu treino em ritmo forte há muito tempo, com o acompanhamento do meu treinador e personal Júlio Porfírio, na Clínica Corpore de Bauru. São mais de 20 horas por semana correndo, em treinos regulares seis vezes na semana. Quando a competição está chegando, a treino alcança um volume ainda maior", finaliza. Novamente em Bauru, ele passou por um período de descanso e já voltou a correr.

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