Geral

Entrevista da semana: escritor e educador com uma missão especial

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Julio Cesar Paes mostra em primeira mão seu novo livro infantil, "Peteco - o grande campeão"

A agenda de Julio Cesar Paes é tão cheia que foi quase um “esforço de reportagem” conseguir essa entrevista. Também pudera: ele é orientador e mediador de educação especial em escolas municipais, trabalhando de manhã em Agudos e à tarde em Bauru. À noite, realiza atendimentos domiciliares com avaliações e intervenções. Aos sábados, durante o dia todo, dá atendimento clínico em Bauru como neuropsicopedagogo. Esporadicamente, ainda dá aulas e palestras em universidades.

E pensa que há reclamação? Os olhos de Julio brilham ao falar de seu trabalho, da família e de outra paixão: escrever.

Aos 36 anos, o também poeta e escritor já publicou dois livros de poesias e um de crônicas; cinco infantis, sendo três da Coleção Incluir, criada pelo autor; um em parceria e o próximo, já pronto, deve ser lançado em 2 meses.

Julio ainda participa dos grupos Expressão Poética e Sarau Versos no Canto, ambos sediados em Bauru. E não pensa em ter folga: “meu próximo projeto será escrever um romance”. Conheça Julio e a missão especial que ele abraçou.

JC - Como chegou ao mundo da escrita?

Julio - Tive muito incentivo na infância tanto para ler quanto para escrever. A professora Nadir chamava meus pais para mostrar minhas redações. Depois, a professora Cuca foi outra grande incentivadora. Durante a adolescência, escrevia poesias, que estão no meu primeiro livro. Gosto de escrever sobre amor e esperança. Comecei a publicar em 2013.

JC - E os livros infantis?

Julio - Trabalhando com educação infantil senti falta de livros com personagens especiais, para trabalhar a inclusão em sala de aula. Por isso, comecei a escrever. Não é fácil, porque para alguns consegui apoio, outros fiz com dinheiro do bolso. Vendo nas palestras ou pelos contatos (14) 99802-3806, que tem WhatsApp, e e-mail juliopaes2013@yahoo.com.br. JC - Por que escolheu a educação especial? Julio - Minha mãe sempre trabalhou em Apae e aprendi a conviver bem com as diferenças, foi muito bom para mim. Quando procurei a faculdade, vi que o curso de pedagogia da Faag era voltado para educação especial e me interessei. Trabalho nessa área desde que me formei e toda a minha formação é focada nela.

JC - O que é mais gratificante?

Julio - É ver que toda criança, independente da deficiência, pode aprender. Muitas vezes ela está desacreditada pela sociedade e até pela família. Meu trabalho é mostrar que essa criança é capaz. Basta ensinar de formas diferentes; com a ferramenta certa, ela se supera a cada dia. Vejo muitas famí- lias sofrendo com o preconceito e ajudo a mudar esse olhar acreditando na criança o tempo todo, para que a inclusão seja ALINE MENDES feita com amor, coerência e respeito.

JC - Qual o maior desafio?

Julio - É o preconceito de quem não acredita nas crianças com qualquer tipo de deficiência. As crianças menores são inocentes e não excluem. Mais tarde é que muitas aprendem com os adultos e a sociedade a praticar o bullying. A inclusão é algo recente e acontece, de forma mais ampla, apenas de 10 anos para cá.

JC - Como melhorar esse quadro?

Julio - A inclusão terá um espaço maior quando mais pessoas entenderem que somos diferentes e que cada um tem uma condição de viver e aprender - e nem por isso é menos capaz. Começa em casa, tendo uma criança com deficiência ou não. Se tiver, quanto antes começar o estímulo, a inclusão através da educação ideal e da estratégia adequada para aquela crian- ça, mais sucesso ela terá lá frente.

JC - E a literatura ajuda nesse processo?

Julio - Sim! Com esses livros, que têm personagens especiais, planto a sementinha da conscientização. Ninguém é bom em tudo, tendo ou não qualquer deficiência. As histórias mostram que o personagem tem uma limitação, mas também uma habilidade. Quando a criança encontra na escola com outra com alguma deficiência, vai lidar melhor.

JC - Como incentivar a leitura?

Julio - Sugiro às famílias que conversem mais, sentem com os mais novos para contar causos, histórias diversas... e que deem mais livros que eletrônicos, pois, dessa forma, oferece aos filhos um universo muito maior. A leitura amplia os horizontes, o que nos torna mais críticos e confiantes. Nas escolas, falo de literatura, trabalho a contação de histórias, promovo saraus e levo escritores bauruenses até lá, para mostrar que estão próximos e a literatura é acessível.

JC - E na sua casa?

Julio - A semente plantada em mim na infância consegui passar para minha filha Yohanna. Com 8 anos, em 2016, ela lançou seu primeiro livro “Os trigêmeos Lupy, Pérola e Tico”, em evento no Jardim Botânico em Bauru. Ela recebe convites para falar sobre literatura a outras crianças e fico muito orgulhoso. Ela me acompanha nos grupos de poesia e vai participar da antologia do Expressão Poética.

JC - Como é você no dia a dia?

Julio - Sou uma pessoa muito otimista, penso positivo e creio no amor, na fé, na esperança e na paz. Quando a gente acredita, faz e prega o bem, as energias boas vêm para nossa vida. Também acredito muito nas pessoas e no potencial delas. Desde que busquem, todas são capazes de alcançar seus objetivos.

Comentários

Comentários