Tribuna do Leitor

Quer ver o trem voar?

Marcelo Telles Sbeghen, bauruense, ferroviário (ainda que tardio), doador d
| Tempo de leitura: 3 min

Façamos como os mineiros, adotemos o trem em cada frase nossa! Só que não! Só que não só isso! Falar só não basta, é preciso fazer algo mais concreto para que os trens voltem para de onde nunca deveria ter saído na vida dos brasileiros. Para começar essa recuperação, aqui vai uma ideia que tive ao avistar um monumento que desconhecia até então.

Partindo de Bauru, minha querida cidade natal, de volta para São José dos Campos, curiosamente as mesmas duas cidades do coração do conterrâneo e homenageado, dr. Ozires Silva, que dá nome a uma praça onde me deparei com um imponente Embraer EMB-110 Bandeirante, muito bem preservado, no alto de um pedestal.

Diante da surpresa ao trafegar pelo local, só entendi do que se tratava ao chegar ao destino, pesquisar, entender e, certamente, apoiar a iniciativa de homenagear um dos mais ilustres Cidadãos Bauruenses que dispensa apresentações, adjetivos e superlativos. Contudo, minha primeira reação foi bem mineira: - Que lindo esse trem aí!

Numa imodéstia quase Ituana, e abusando da licença poética, Bauru é famosa por batizar o homônimo sanduíche, mas, principalmente, por ser a única cidade do mundo a ter enviado dois de seus filhos ilustres ao "espaço" - Pelé, que lançamos ao Mundo com uma bola nos anos 1960, e Marcos Pontes, literalmente, o primeiro Astronauta Brasileiro.

Porém, também por já ter sido importante centro Ferroviário do Estado de São Paulo e do Brasil. Coincidentemente, um dos problemas crônicos da "Cidade Sem Limites" deve-se ao fato de estar atulhada de dezenas (?) de vagões e locomotivas a enferrujar e, por sua vez, a esconder marginais, acumular água parada, propagar pestes, criar mato, procriar ratos e manchar seu passado glorioso quando os trens da Paulista "acertavam" os relógios das famílias com sua pontualidade britânica e a Noroeste do Brasil cumpria seu nobre papel na ferrovia e logística nacional.

Então, por que não, assim como o glorioso Bandeirante da Embraer, com seu DNA Bauruense por meio das contribuições do dr. Ozires que é ostentado em praça pública, não termos também uma locomotiva e/ou um vagão numa ou em todas as entradas da cidade, e por que não também em todas as outras cidades de mesmo honroso passado e, assim, e aspirar voltar a ser parte da rota virtuosa da logística nacional?

Por que não por esses trens também lá em cima do pedestal, no meio das praças, em homenagem ao passado ferroviário e aos trilhos que lá ainda aguardam para voltar aos seus melhores dias?

Por que não? Empresas podem pagar pela recuperação dos veículos, manter o local e se beneficiar do retorno dessa onda que reunificará o Brasil em torno da ideia de honrar o passado ferroviário e voltar a fortalecer a Ferrovia no Brasil.

Sabemos, há um problema burocrático enorme aí no meio, mas isso deixo para os que podem (continuar a) fazer algo! Assim, a cultura e o orgulho ferroviário local e nacional pode e serão recobrados! Vamos transformar locomotivas tombadas em Locomotivas Tombadas (pelo Patrimônio Público)!

A "Queridinha do Bosque", a Maria Fumaça Baldwin Pacific 404 fabricada em 1920, que desde 1980 atrai bauruenses e visitantes ao Bosque da Comunidade, é fruto de gesto precedente e mostra da receptividade e apoio da população à ações de preservação como essa. Vamos lá, dê também a sua ideia e ajude a divulgar. Cobre seu prefeito, vereador, deputados e senadores. Se gostou, apoie e compartilhe essa iniciativa. E você vai ver o trem voar! De novo!

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