Tribuna do Leitor

Bauru Basket e a torcida

Gustavo Zorzella Vaz
| Tempo de leitura: 3 min

É sabido que um grande time não se constrói tão somente com bons atletas. É necessário também uma boa estrutura de bastidores, materializada numa diretoria comprometida e atuante. Também não se pode negar que é necessário apoio financeiro, com imprescindíveis investimentos de patrocinadores e do poder público. Mas há um item nessa fórmula que não pode nunca faltar, qualquer que seja a agremiação que postule destaque no esporte: é preciso uma torcida apaixonada! E isso, a cada dia que passa, parece que estamos construindo.

Basta ver o que aconteceu em Araraquara no último domingo e ontem, em São Paulo. Mesmo após uma derrota em casa, que dava vantagem de dois a zero na série para o Paulistano, a torcida do Bauru Basket acreditou e compareceu em peso ao ginásio de esportes Castelo Branco, o "Gigantão", percorrendo os 130 quilômetros que separam nossa cidade da chamada "Morada do Sol". E não só compareceu como apoiou o time o tempo todo, atitude que fez com que os jogadores correspondessem em quadra, sentissem essa vibração positiva. A mesma força foi dada ontem, em São Paulo: mais uma vitória e o empate da série.

Mas como se disse acima, essa relação ainda está em construção. Acho que, como torcida, ainda precisamos aprender um pouco mais a ser uma "torcida de time basquete", sem a visão "futebolística" de resultados. Não é incomum, quando o time está mal, ver-se torcedores criticando e chamando a atenção dos jogadores e da comissão técnica durante as partidas - chegando às vezes até a cobranças ofensivas. Faz parte. Afinal, torcida também tem que cobrar. Mas o que não pode é a torcida ficar apática nesses momentos.

O basquete, diferentemente do futebol, é um jogo muito mais de "erros" do que de acertos. Ganha quem erra menos. Não existe marcação cem por cento no basquete, o jogo nunca termina zero a zero. A cesta é muito menor que as traves do futebol. E, além desse aspecto, é muito mais rápido. Feita uma jogada errada, são segundos para a recuperação. Não dá tempo de pegar a bola, colocar embaixo do braço e dar nova saída, como no futebol. É aí que entra, a meu ver, o papel da torcida. Apoiar os jogadores mesmo em maus momentos durante uma partida, gritando seus nomes, cantando, pedindo defesa. Isso realmente ajuda emocionalmente a se obter uma recuperação rápida, necessária nesse esporte.

Lembrando também que uma torcida realmente apaixonada não deve se resumir a apoio durante os jogos. Como já observado, um dos requisitos para uma equipe competitiva é a ajuda financeira de patrocinadores, poder público e, principalmente, sócios torcedores, que com suas mensalidades podem ajudar o time, mesmo quando não presentes no ginásio. Veja-se o exemplo a cidade de Franca, onde existe essa cultura de associados: mesmo com dificuldades financeiras e um time extremamente jovem - como ocorreu este ano - conseguiu manter-se competitiva. Isso é pensar a longo prazo como torcida: saber que está apoiando o time mesmo à distância. Como já observei em outra oportunidade, o time merece esse apoio, pois tem levado o nome de nossa cidade pelo Brasil.

Torná-lo mais forte é ainda um fomento de nossa identidade e autoestima como comunidade no cenário estadual e brasileiro. E isso é, também, para patrocinadores e poder público, investir no que está dando certo. Afinal, é nossa terceira final consecutiva no NBB! Parabéns a todos os torcedores do Bauru Basket!

Façamos nossa parte e apoiemos o time em todos esses aspectos.

 

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