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Fatores que travam a retomada do crescimento

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

O crescimento econômico brasileiro de 1% no primeiro trimestre foi sem dúvida alguma uma boa notícia, mas passado o primeiro impacto, é possível aprofundar um pouco no que podemos esperar pela frente. Na prática, os agentes econômicos desejam saber se a retomada do crescimento econômico veio para ficar e se efetivamente e o País saiu da recessão econômica.

Vamos por partes. Quando se analisa o desempenho econômico pelo lado da oferta, ficou evidenciado que o setor primário deu o tom do crescimento. Não obstante este setor da economia representar somente 5,5% do PIB - Produto Interno Bruto, o crescimento de 13,4% no período analisado foi muito robusto. No segundo trimestre certamente não teremos este mesmo desempenho e a contribuição deste setor para o resultado final do PIB será menor.

O setor secundário, a indústria, cresceu 0,9% no primeiro trimestre e o setor de serviços nada, ou seja, zero. Estes dois setores é que preocupam em termos de futuro à medida que são fortes geradores de riqueza e influenciam toda a cadeia produtiva. Para alicerçar um pouco mais a análise, vejamos o desempenho do PIB pelo lado da demanda. Vale lembrar que nesta ótica temos a soma do consumo das famílias, investimentos, gastos do governo e o saldo das exportações e importações de produtos.

O consumo das famílias recuou 0,1% nos três primeiros meses deste ano. Também os investimentos recuaram, neste caso 1,6%, e os gastos do governo caíram 0,6%. Desta maneira, o setor externo brasileiro, ou seja, exportações superiores as importações, é que contribuiu para atingirmos o 1% de crescimento. De novo o setor primário foi determinante para este bom desempenho.

Consumo e investimentos em queda prejudicam e muito a retomada do crescimento. As famílias dependem de renda e crédito. Com desemprego de mais de 14 milhões de pessoas, e pelo menos mais 8 milhões de brasileiros subempregados, imaginar que a retomada virá por este caminho é não entender a realidade.

É certo que a queda dos juros pode servir de algum estímulo, mas é pouco. Além disso, a queda nos investimentos retira qualquer expectativa de melhora na economia no curto prazo. A taxa de investimento no Brasil ficou em 15,6% quando este patamar deveria estar na casa dos 25% do PIB.

As empresas operam com ociosidade, fora as que fecharam suas portas. As que atuam no mercado não conseguem excedentes para canalizarem recursos na compra de bens de capital, na ampliação de suas atividades, enfim, não há sobras para investirem. Fora todos estes aspectos, ainda tivemos o ataque em cheio no nível de confiança dos agentes econômicos. As indefinições políticas, as incertezas quanto ao futuro de quem comandará o País, se a atual equipe econômica continuará com seu bem-sucedido projeto de mudança de modelo econômico, colocam uma pá de cal nas projeções mais otimistas.

Conclusão: sim, há um aspecto positivo no resultado do PIB no primeiro trimestre desse ano, mas ainda a palavra que deve nortear as análises é "cautela". Se o fundo do poço chegou, ainda é cedo para dizer que o Brasil terá energia suficiente para se levantar e sair desta situação na velocidade que todos nós desejamos, isto é, necessitamos.

O tempo dirá o que nos espera, até que tudo fique mais claro, continuemos a fazer mais com menos e devemos manter o sinal de alerta ligado. Mantenho o otimismo realista. Pensar em dias melhores, mas com os pés bem alicerçados no chão.

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