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MÁRIO CAMERA
PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, minimizou nesta sexta-feira (9) os efeitos da decisão do presidente Michel Temer de adiar as reformas da Previdência e trabalhista para o segundo semestre, a fim de centralizar os esforços na manutenção de seu mandato.
O ministro disse que, para ele, o que importa é que as reformas passem e, se um ajuste no cronograma for necessário, "tudo bem".
"Do ponto de vista iminentemente da produtividade do país, não serão 15 dias, 20 dias ou um mês que vão fazer uma diferença", afirmou.
"O que não se pode é criar um problema artificial: 'Tem de ser, pois senão é um problema'. Não existe isso. Tenho enfatizado que, quanto mais cedo, melhor, mas não vamos criar um limite artificial que não pode ser rompido", disse, durante encontro com a imprensa brasileira após se reunir com o ministro da Economia da França, em Paris.
Meirelles lembrou que a reforma trabalhista já foi votada na comissão especial do Senado e disse que o "importante" é que as reformas continuem avançando.
O ministro descartou que será necessário voltar a negociar a reforma da Previdência por causa da crise deflagrada com a delação da JBS, mas só irá analisar essa possibilidade quando retornar ao Brasil, neste fim de semana.
"O relatório foi já suficientemente negociado, está em andamento (...) nossa expectativa é que o projeto vá seguir como está".
DENÚNCIA
O Palácio do Planalto pretende levar a reforma previdenciária à votação no plenário da Câmara dos Deputados apenas depois da apresentação da denúncia contra o presidente Michel Temer pela PGR (Procuradoria-Geral da República).
Na avaliação do Planalto, um pedido da PGR cria o risco de prolongar a instabilidade política e, assim, ameaçar a aprovação de pautas governistas que já contam com resistência na própria base aliada, como as reformas.
A avaliação de assessores presidenciais é que as reformas trabalhista e da Previdência mais atrapalhariam do que ajudariam neste momento e que o esforço prioritário deve ser o de conseguir votação expressiva para derrubar a denúncia, sinalizando a retomada da base aliada.
Para não se tornar réu e ser afastado temporariamente do cargo, o presidente precisará do apoio de 172 deputados federais.