Geral

60 anos de namoro e a receita para ser feliz

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 7 min

Samantha Ciuffa
Exemlo na véspera do Dia dos Namorados: Mário Pereira dos Santos e Maria de Lourdes dos Santos estão sempre abraçados ou de mãos dadas, fazendo carinho um no outro ou dizendo palavras românticas
Arquivo pessoal
Mário e Maria de Lourdes se casaram no dia 25 de janeiro de 1964

É impossível não se encantar com o casal Mário e Maria de Lourdes dos Santos. Logo eles contam: "somos namorados há 60 anos!". Isso inclui os 53 anos de casamento, porém, o que impressiona mesmo é o clima apaixonado entre os dois.

Primos de 1º grau (o pai dele é irmão da mãe dela), miraram no amor dos avós e abraçaram a missão de falar a outros casais na família, na comunidade em que Mário é pastor e, a partir desse mês, no livro "O glacê do bolo - Receita para um casamento feliz", que será lançado dia 18.

Naturais de Piratininga, viveram e se aposentaram em Bauru, passaram por diversas cidades e há 22 anos estão em Pirajuí.

Lá, seu Mário, que é o titular da 1ª Igreja Batista, é conhecido como "pastor casamenteiro". Juntos dão aconselhamento a famílias, fazem palestras e compartilham suas experiências de vida. Atendendo a pedidos, dona Maria escreveu o livro, que promete fazer a diferença na vida de outros casais com receitas bem simples. A primeira: manter o romantismo no dia a dia.

"Como filha mais velha, nunca vi os dois brigando, sempre um cuidando do outro, aos beijos e andando grudadinhos, de mãos dadas", garante Letícia dos Santos.

O filho caçula, Marinho, confirma: "Seguindo os conselhos e o exemplo dos meus pais é possível viver o que eles vivem. É o que sigo com minha esposa e dá certo!". A filha dele, Ana Laura, quer ir pelo mesmo caminho. "Mesmo sendo uma jovem solteira, meus avós são grande inspiração para mim. Apesar do jeito que o mundo está, não deixo de acreditar no amor por causa deles".

Conheça esse casal fofo e feliz!

JC - Como começou essa história?

Maria - Nasci na fazenda e a avó dele fez o parto. Durante 15 dias fiquei lá e usei as roupinhas dele. Na infância ficamos de mau. Ele brigava com meu irmão e eu me metia. No fim, esse irmão, o Pedro, casou com a irmã dele, a Maria José! Na adolescência voltamos a amizade. Eu queria arrumar minhas amigas para o Mário namorar, mas ele disse que já gostava de alguém. Eu insistia e ele não contava! Um dia disse que era de mim.

JC - As famílias aprovaram?

Maria - Meu pai ficou meio bravo, mas aceitou e marcou o dia do namoro. Tem até hoje em frente da igreja matriz de Piratininga o nosso banco. E uma árvore que era pequena e agora é a maior do jardim. Cresceu forte como nosso amor! A família do meu pai era da Igreja Batista e a da minha mãe católica; a do Mário era toda católica e não gostou muito... Mas nunca pedi para ele mudar de religião, apenas para que lesse a bíblia.

Mário - Nos quatro anos antes do casamento eu li a bíblia e tive uma experiência mais profunda com Jesus, mas ainda não mudei de religião. Depois do casamento eu ainda bebia muito, mas fui sentindo um chamado forte para o ministério pastoral e fiz o seminário teológico em Bauru. Fui ordenado em 1978.

JC - O que fizeram para se manterem firmes?

Maria - Eu o amei do jeito que ele era e o Mário se tornou quem eu gostaria que ele fosse. Nunca briguei por causa de religião e nem pela bebida, até cuidava dele. Quando casamos tivemos a referência dos nossos avós, que se cuidavam e se amavam muito. Tivemos determinação para preservar o amor e manter o romantismo. O que a gente vive é muito bom. Não pode deixar esfriar o carinho. Como você vai brigar com quem te abraça e te beija?

Mário - Foi importante estudar a bíblia e colocar em prática os ensinamentos. Nosso segredo é estarmos no centro da vontade de Deus. Todos temos gostos e desgostos, é preciso tentar fazer mais os gostos. Para sermos felizes, precisamos ver a pessoa que amamos felizes.

JC - E para vencer as divergências?

Maria - Eu entrei no mundo dele e ele entrou no meu, tem que ter renúncias das duas partes. Para acompanha-lo aprendi a jogar truco e pescar e eu, que era corintiana, até virei palmeirense de coração. Os dois vão se tornando um. O que mais gosto é de estar perto dele. Uma época eu dava aula em outra cidade e passava o dia todo fora. Era um sofrimento, porque naquela época não tinha celular!

Mário - Eu era bom de futebol e ela tinha ciúme, porque a meninada ficava de olho. Jogo bola até hoje e agora ela é minha massagista. É o companheirismo. Na vida a dois precisa ter Deus e não pode acabar o romantismo e a cortesia, abro a porta para ela, agradeço o cafezinho faz para mim...

JC - De onde veio a ideia do livro?

Maria - Como professora e poetisa, sempre gostei muito de escrever. Queria passar a outros casais o que a gente vive, a importância de manter o romantismo e a determinação de não deixar morrer o carinho. Desde o namoro escrevo poesias para ele.

Mário - Não sou um poeta, como a minha poetisa aqui! Mas também escrevo versos para ela. A gente adora ficar no quintal vendo a lua e conversando, inspiração não falta. Ao longo da vida e durante os aconselhamentos, a Maria foi escrevendo. Há dois anos surgiu a ideia de deixar esse tratado, é uma relíquia. Recebemos muito incentivo de quem nos conhece.

JC - Escreveram o livro a quatro mãos?

Maria - Sim, fazemos tudo juntos! Eu escrevia muito de madrugada, tudo à mão. Coloquei muitas coisas que o Mário disse. Considero que fizemos o livro juntos, que é dos dois. Ele é minha inspiração! E já estou escrevendo o segundo livro: "Seu lar, seu maior tesouro".

Mário - Para nós é normal, temos prazer em estar juntos. Não é nada forçado, nosso amor é cada dia melhor. Nossa oração é para que esse livro seja uma bênção para os casais e eles desfrutem da mesma alegria.

JC - E diante dos problemas?

Mário - Nós enfrentamos com oração. Um precisa estar ali para enxugar a lágrima do outro e não para fazer chorar. Já passamos por muitas dificuldades e até hoje o pouco que temos é financiado, recebo só um salário mínimo de aposentadoria, mas Deus nunca nos desamparou. Vencemos vários problemas de saúde também. Tive um infarto há 34 anos e os médicos disseram que eu não poderia mais ser pastor e nem jogar futebol. Faço os dois até hoje e estou muito bem!

Maria - Há uns 30 anos recebi o diagnóstico de um tumor na cabeça. Na véspera da cirurgia, fizeram outro exame e o tumor praticamente tinha sumido, de tão pequeno. Passei por vários médicos, fizeram um estudo e ninguém soube explicar; nunca mais senti nada. Para mim é um milagre.

JC - Que mensagem deixam a outros casais?

Mário - Que procurem aproveitar o tempo juntos sem brigar. O amor é algo que cresce, mas tem que ser cultivado pelo romantismo. Quando estiver difícil, busque a força e orientação de Deus, por ser o Deus do amor quer que nos amemos.

Maria - Não se precipitem para tomar uma decisão, a pressa leva a atitudes erradas. Reflita bem, pense com carinho, porque o amor sempre vence. Somos defensores do casamento. Nem todo o sucesso do mundo compensa o fracasso no lar.

Perfis

Mário Pereira dos Santos nasceu no dia 1 de agosto de 1940, em Piratininga. Trabalhou como fiscal agropecuário e se aposentou na Divisão Regional de Agricultura em Bauru. Seu hobby é pescar e jogar bola.

Maria de Lourdes dos Santos nasceu no dia 12 de junho de 1941, em Piratininga. Trabalhou como professora primária e se aposentou na escola Ana Rosa Zucker, em Bauru. Seu hobby é ler. "A vida inteira li muito. Desde que ganhei de uma professora meu primeiro livro, 'O pássaro de ouro', não parei mais. Hoje gosto muito dos livros de Augusto Cury".

Juntos, veem na TV novelas bíblicas e jogos do Palmeiras, escutam música clássica, sacra e sertanejo raiz. "Como somos aposentados, dedicamos a maior parte do tempo à igreja e à família", disse dona Maria.

Lançamento do livro

"O glacê do bolo - Receita para um casamento feliz" será lançado dia 18 de junho, às 19h, na 1ª Igreja Batista de Pirajuí (rua Voluntário Silvano de Lima, 789, Centro). Cada exemplar será vendido por R$ 22,90. Informações pelos telefones (14) 3572-3266 e 9 9792-5067.

 

Comentários

Comentários