Geral

Crescem consultas ao SPC, mas o setor enxerga como um bom sinal

Tisa Moraes e Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

O número de consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) do comércio central de Bauru registrou aumento em maio, na comparação com o mesmo mês do ano passado. A curva também foi verificada em relação à dívida acumulada pelos consumidores e ao número de pessoas que tiveram o nome incluído no cadastro.

Contudo, o fenômeno, que poderia ser avaliado como preocupante, é visto, diante do cenário econômico atual, como um bom sinal pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Consultor jurídico da entidade, Elion Pontechelle Júnior avalia que a mudança aponta para uma tendência de reaquecimento do comércio.

"Os lojistas consultaram mais o SPC para saber se o cliente tinha condições de fazer a compra, o que indica que as pessoas estão voltando a procurar os estabelecimentos. E o valor médio das dívidas aumentou, o que significa que a população está comprando bens de valores mais elevados", pondera, salientando que, habitualmente, o comportamento se repete entre os consumidores que não ficam inadimplentes e, portanto, não entram nos dados da CDL.

Segundo levantamento do IBGE, as vendas do varejo no País registraram a maior alta para abril em nove anos, com forte impulso dos setores de vestuário e supermercadista.

Dentro deste mesmo contexto, segundo a CDL, o número de moradores de Bauru com o nome negativado teve alta de 41,6%, aumentando de 1.245 consumidores em maio de 2016 para 1.763 pessoas no mês passado. Já o total de consultas cresceu 23,1%, variando de 21.542 para 26.522.

CONFIANÇA

Para o economista Reinaldo Cafeo, depois de um período de muitas incertezas, os consumidores voltaram a se sentir mais confiantes diante de algumas notícias positivas na economia, como o aumento do emplacamento de motocicletas, o crescimento nas vendas do setor de embalagens, a melhoria das exportações e as safras recordes no agronegócio.

Outros indicadores - como a queda da inflação, que contribuiu para desacelerar a alta dos preços dos produtos - também foram determinantes para estimular as vendas, conforme aponta Antonio Bonna Neto, coordenador de administração da AD Shopping, administradora do Bauru Shopping.

"Associado a isso, temos percebido que os dissídios coletivos das categorias de trabalho estão tendo índice de reajuste um pouco acima da inflação. Isso aumenta o poder de compra das famílias. Mas, ainda assim, precisamos de uma definição política para que haja um ganho de confiança maior para consumidores e empresários", destaca ele, que participou, nesta semana, do Fórum Regional do Varejo, realizado pelo On The Job - Grupo de Líderes Empresariais.

Malavolta Jr.
Luzia Romeno comprava cobertores, nessa terça (13): “Parece que essa fase difícil está passando”

Volta aos poucos

A crise e o aumento de preço em produtos e serviços no último ano fizeram com que a aposentada Luzia Dermengi Romeno, de 75 anos, assim como milhares de brasileiros, cortasse alguns gastos em casa.

No caso especifico dela, para poder ajudar financeiramente alguns familiares. "Mas parece que essa fase difícil está passando. Está chegando a hora de lembrar um pouco mais de mim. Preciso ir ao dentista e voltar às consultas de rotina", comenta Luzia, que comprava cobertores novos, nessa terça-feira (13) no Centro. Ela conta ainda que já planeja para agosto, inclusive, uma reforma em sua residência. "A lavanderia está com algumas goteiras, não dá para esperar mais", acrescenta a aposentada.

Após meses abrindo mão da internet em casa, a auxiliar de açougue Luzia Gonzales Orion, de 31 anos, também está com expectativa de um período financeiro melhor. Mãe de três meninas de 12, 7 e 5 anos, ela foi ao Centro, ontem (terça-13), comprar tênis para todas. "Estava segurando este e qualquer outro gasto fora da rotina, mas agora é aniversário de uma delas. Como as três precisavam, ou levar para todas", conta. 

Dia dos Namorados registrou a 1.ª elevação após dois anos de queda

Dados da Boa Vista SCPC revelaram que, em 2017, as vendas reais do comércio para o Dia dos Namorados no País aumentaram 2,6% na comparação com 2016, registrando a primeira elevação depois de dois anos consecutivos de queda.

Em 2016, os resultados foram 5,8% menores em relação ao mesmo período de 2015, enquanto, naquele ano, o resultado foi negativo em 0,5%.

O faturamento das vendas para o período, estimado em parceria com a FecomercioSP, foi de R$ 44 bilhões, já ponderando a elevação de 2,6% do período prévio à data comemorativa. Com isso, a diferença em relação ao mesmo período de 2016 foi de R$ 1,9 bilhão e, portanto, o faturamento total aumentou 4,5%.

O cálculo foi realizado com base em amostra das consultas realizadas no banco de dados da Boa Vista SCPC, com abrangência nacional. Para este Dia dos Namorados, foram consideradas as consultas realizadas no período de 1 a 12 de junho, comparadas às consultas realizadas entre 1 e 12 de junho de 2016.

Dívida

Em Bauru, a inadimplência acumulada subiu 13,8%, chegando a R$ 46,944 milhões em maio. E, como o número de devedores e de dívidas totais caiu, proporcionalmente, o valor médio devido por cada pessoa com débitos em atraso na cidade aumentou, chegando a R$ 1.376,15 (veja no quadro ao lado).

“Ou seja, quem está se endividando, talvez, esteja assumindo parcelas com prazo de pagamento mais dilatado, porque o valor agregado do bem é maior”, reforça Cafeo. Mas, segundo o economista, diante do aumento de consultas ao SPC e, portanto, de uma maior demanda de consumo, é possível que tanto o número de devedores quanto de dívidas comece a aumentar nos próximos meses. “Se a consulta foi feita e o crédito foi liberado em maio, ainda não deu tempo para este cliente ficar inadimplente. Isso poderá ocorrer nos meses seguintes”.

Em maio de 2017, o número de dívidas em atraso de moradores de Bauru caiu 9,38% em relação a maio de 2016. O valor é inferior ao índice do Estado (-15,37%), mas superior à média nacional (-4,84%). Já o número de inadimplentes de Bauru caiu 4,37%, variação também menor do que o Estado (-7,23%), mas acima da média nacional (-0,5%).

Comentários

Comentários