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| Uma roldana e rolamentos presos a três pontas que são giradas pelos dedos |
Já houve da época do tamagotchi, do beyblade, do skate de dedo e, mais recentemente, do Pokemon Go. Mas, desta vez, a nova moda entre crianças e adolescentes é o hand spinners ou fidget, um equipamento criado para auxiliar no tratamento de crianças com autismo, agindo como um mecanismo de liberação de energia nervosa ou estresse.
Segundo especialista, o "brinquedo" pode ter efeitos terapêuticos, como diminuição de ansiedade (leia mais nesta página). Apesar de não ser uma invenção recente, só agora se tornou popular nos Estados Unidos e na Europa e vem ganhando cada dia mais espaço no Brasil. Em Bauru, a venda do spinner registrou "boom" nas últimas semanas.
Nada mais é do que uma roldana de plástico ou alumínio com rolamentos e três pontas giratórias que são impulsionadas pelos dedos.
A BRINCADEIRA
Aparentemente simples, os spinners ganharam um novo sentido nas mãos das crianças e jovens. "É possível fazer algumas manobras passando entre os dedos, as mãos e o corpo, mas o mais comum é a competição para ver qual rolamento gira mais tempo. Os mais comuns giram até dois minutos. Alguns, mais caros, chegam a girar mais de quatro minutos", comenta Renato Costa Claro, de 27 anos, gerente de uma loja de games que vende o produto na Zona Sul de Bauru.
"Tenho vendido mais de 100 em dias normais. No último final de semana, a loja registrou fila de espera. Essa nova febre esquentou o mercado, estamos viajando toda semana para São Paulo buscar mercadoria de spinners", detalha Claro.
O movimento intenso também é registrado no Centro. "Faz três semanas que essa nova onda começou. Temos spinners coloridos, com luzes e de tamanhos e formas diferentes", comenta Tamires de Oliveira, 18 anos, vendedora de uma loja na quadra 6 do Calçadão.
MANIA
Muitos pais, contudo, ainda têm se perguntado qual a finalidade da nova onda. "Não faço ideia de qual função disso. Só sei que ele está me pedindo", afirma o autônomo Alexandre Romanholi, 44 anos, que se rendeu às reivindicações do filho nos últimos dias.
"Ficamos rodando na hora da saída na escola. Vários amigos meus têm. Quero aprender a trocar de dedo", responde Théo Romanholi, de 8 anos, que cursa a 3.º ano do Fundamental em uma escola particular.
Lucas Fachin, de 14 anos, e Lorenzo Amorim, de 16 anos, ambos do 9.º ano de uma escola da cidade também compraram seus spinners. "Vi em um canal do Youtube e achei legal. Uma galera da escola já comprou", lembra Lucas. "É um passatempo legal. O spinner é bonito, chama a atenção", completa Lorenzo.
O objeto é vendido na Internet por cerca de R$ 20, mas em lojas físicas da cidade é possível encontrar alguns com preço que varia de R$ 25,00 a R$ 80,00, dependendo do material e do tipo de rolamento.
Brinquedo ajuda ou pode atrapalhar a concentração?
Os reais efeitos do objeto, uma roldana e três pontas giratórias que são impulsionadas com os dedos, geram polêmica: ajudam ou atrapalham? Para o psicólogo Oswaldo Rodrigues Junior, os spinners têm, sim, efeito calmante e ajudam na concentração daqueles com mais dificuldade. Mas ele faz ressalvas.
“Pode apaziguar ansiedades para determinados grupos, mas não serve a todos. É exagero que sirva para tratar sintomas, como atividade terapêutica em si. Objetos com mesmo apelo, como bolinhas para se apertar na mão, já foram moda e não serviram para superar a questão”, observa.
Para combater a ansiedade, ele diz, não será um brinquedo que desvia a atenção da situação que solucionará o comportamento. É preciso um projeto que amplo que conduza a administração o problema.
No Reino Unido e nos EUA, algumas escolas proibiram o brinquedo, criado por Catherine Hettinger no início dos anos 1990, em ambiente escolar por desviarem o foco do aluno. Para a psicóloga Paula Emerick, o objeto poderia ser “liberado” para quem tira benefícios dele, como autistas e crianças com TDAH.
“Apesar de ser um amenizador de ansiedade, também é um passatempo, objeto de distração que dificulta atenção na aula. Para quem não precisa do recurso, tem efeito contrário”, ressalta a fundadora da Solace Institute.
Para evitar desequilíbrios, a especialista aconselha que pais monitorem o uso e coloquem limite, se for necessário.
Você sabia?
Embora tenham sido inventados na década de 1990, os fidget spinners tornaram-se um brinquedo popular no início de 2017. Muitas vezes comercializado como benefício para a saúde, o brinquedo começou a ser utilizado por crianças em idade escolar. Algumas escolas proibiram a utilização dos spinners, argumentando que o brinquedo se tornou uma distração em sala de aula. Outras escolas estão permitindo que o brinquedo seja utilizado discretamente pelas crianças, a fim de ajudá-las na concentração.
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