Médicos de diferentes especialidades ouvidos pelo JC indicaram que a individualidade e o histórico genético e de doenças preexistentes em cada família tornam incompleta qualquer tentativa de indicar a "lista ideal de exames". De outro lado, todos citaram que, qualquer que seja o "pacote", os itens que sempre estarão presentes na lista inicial do diagnóstico laboratorial pelo sangue são glicemia, colesterol, triglicerídeos e hemograma.
Assim, as variações estão diretamente ligadas a cada pessoa, à maneira como cada um lida com seu estado de saúde e à relação médico-paciente. Por esta razão, por exemplo, indagada sobre o pacote ideal de exames, a médica endocrinologista Telma Gobbi respondeu: depende. "Há 10 anos foram criadas as grandes clínicas de check-up. Em alguns centros, as pessoas saíam de manhã e ficavam o dia todo para tentar checar um monte de indicadores. O que a gente vê hoje são pessoas fazendo exames até em demasia. É preciso equilíbrio", diz.
As variáveis sempre estão em jogo, pondera Telma. "Se uma pessoa tem caso de câncer de intestino na família, por exemplo, é necessário fazer exames específicos para esse histórico. Mas se há antecedente de câncer medular de tireoide na família, o caminho é outro. E isso varia também conforme a faixa etária, se está acima do peso, se é homem ou mulher. Ou seja. Não há receita de bolo. O histórico levantado pelo médico é fundamental", opina.
Mas a médica não deixa de elencar os exames que sempre estão na lista, para qualquer idade ou sexo. "Para chegar à checagem mais completa, o médico tem de ter a tranquilidade de conversar com o paciente para dimensionar fatores de risco por antecedente ou modo de vida específico. Mas também é preciso tomar cuidado para não gerar preocupação exagerada. Hoje há exageros em muitos casos. Você dosa colesterol no começo de um tratamento e, na semana seguinte, o paciente já quer fazer de novo. Não é por aí. É claro que diabetes, colesterol, triglicerídeos, hemograma são sempre pedidos", pontua.
A endocrinologista aposta em uma sequência de elementos. "A genética, o histórico familiar e a consulta com o médico são essenciais. A anamnese (entrevista sobre hábitos e indicadores de doenças na família) faz toda diferença. Isso é que vai determinar se é preciso investigar algo específico. Então, a partir dos 40, 50 anos, temos inclusões. Tem a próstata para o homem e a mamografia e papanicolau para a mulher como inevitáveis de checar. A densitometria óssea vem após os 50 anos para ambos", elenca.
O médico e presidente da Unimed Bauru, Roberson Antequera Moron, enfatiza o papel do médico no processo. "Sob todos os parâmetros, o melhor exame preventivo que alguém pode fazer é ir ao médico regularmente", destaca. O médico José Roberto Ortega Júnior complementa na mesma linha: "As variáveis de um paciente para outro estão sempre relacionadas com o histórico, o modo de vida e a genética de cada pessoa. E isso depende da relação deste com o médico, sempre", conclui.