| Fotos: Malavolta Jr |
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| Cerca de 45 pessoas participaram da reunião do grupo, atualmente com quase 100 membros |
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| Encontro de vizinhos da rua Manoel Pereira Rolla reuniu amigos que atualmente vivem distantes |
Ensina o ditado que a vida é feita de escolhas. E um grupo de bauruenses escolheu construir uma história de amizade que atravessou décadas e permanece sólida mesmo com a distância.
Nesse sábado (17), eles voltaram a se encontrar e, entre risos e lágrimas emocionadas, relembraram o passado, cantaram como faziam há 30 anos e celebraram a parceria que, para muitos deles, equivale a uma trajetória inteira de vida.
Hoje, eles somam 99 pessoas, entre pais, filhos e netos, mas, ontem, cerca de 45 participaram da reunião. Com uma dose de bom humor, se autodenominam a Turma da Rolla, já que toda a história começou quando eram vizinhos na quadra 11 da rua Manoel Pereira Rolla, na Vila Universitária.
A aproximação se deu por meio de uma iniciativa despretensiosa de Maria Luiza Sotero, em 1986. Ela havia se mudado há pouco tempo para o endereço e decidiu reunir as crianças vizinhas, incluindo seus dois filhos ainda pequenos, para ensaiar uma apresentação para o Dia das Mães daquele ano.
"Ninguém se conhecia na rua e esta festinha, que eu fiz no fundo de casa, transformou tudo. Começamos a fazer reuniões várias vezes ao ano. Chegávamos a fechar a quadra, porque era muita gente mesmo", lembra.
Filha de Maria Luiza, a psicóloga Mariana Bonnás, 32 anos, lembra vivamente daquela época, que fez com que a vizinhança acabasse se tornando uma verdadeira família. "Em todas as datas comemorativas, ensaiávamos uma pecinha para apresentar para os pais. Também dançávamos quadrilha na festa junina, encenávamos a Escolinha do Professor Raimundo, fazíamos desfiles, jogral. Era muito divertido", conta.
SEGREDO
Em cada evento, as famílias levavam comidas e bebidas e, sem que se dessem conta, foram construindo um elo difícil de encontrar na contemporaneidade, cada vez mais competitiva e consumidora do nosso tempo.
Justamente por conta das rotinas de cada um, a engenheira civil Fabiana Munhoz, 37 anos, conta que o grupo chegou a ficar alguns anos sem se reunir.
Mas, quando as crianças da década de 1980 começaram a se casar - e, com o advento dos aplicativos de troca de mensagens, a amizade voltou a se fortalecer a partir de 2010. "As festas de casamento foram o motivo que precisávamos para retomar os encontros", cita.
Ontem, vieram famílias de Uberlândia (MG), Salvador (BA), Sorocaba e São Paulo. Mas até mesmo um casal de Manaus (AM) encontrou uma maneira de participar, enviando mensagem gravada em vídeo, que foi reproduzida em um telão improvisado durante a festa.
"Há membros da Turma da Rolla espalhados pelo País inteiro. Somos uma grande família, que só vem crescendo com o nascimento dos filhos, com a chegada de maridos e esposas. Há uma vontade muito grande de estarmos juntos e acho que este é o segredo de esta união durar tanto tempo", analisa Roberto Maia, 56 anos, dono da fazenda onde a festa ocorreu.
Morador de São Paulo, o empresário Miguel Cezare, 34 anos, também diz ser privilegiado por ter a oportunidade de viver uma experiência de amizade tão rara como esta. "Sabemos que algo do tipo nunca vai acontecer de novo, mas é muito bom poder acompanhar a evolução de todo mundo, que conhecemos desde quando éramos crianças", comemora.

