Tribuna do Leitor

Meu filho é gay, e agora?

Hilário Nunes da Silva - pai
| Tempo de leitura: 2 min

Há alguns anos eu estava trabalhando à noite na área de segurança, quando meu filho me ligou e de chofre me disse que era gay. Nunca havia percebido nada nesse sentido em relação a ele, fiquei surpreso, mas disse sem demora que o amor que sinto por ele e pelos outros filhos não ia aumentar ou diminuir, continuaria o mesmo, que meu bem-querer seria do jeito que eram.

Apenas o aconselhei a tomar mais cuidado, pois ele poderia sofrer uma agressão injusta, levar na rua uma paulada "do nada" por exemplo, como vi em algumas reportagens na imprensa, pois o preconceito existe e muito ainda dentro da sociedade. Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e congêneres têm que respeitar e também merecem todo nosso respeito, pois somos todos filhos de um mesmo Deus, e tenho certeza que ele tem mais o que fazer do que se preocupar com esse tipo de situação.

Ainda existe muito preconceito desse e outros assuntos, todavia meus filhos que são todos do coração, nunca tive nunca nenhum problema que um casal biológico não tivesse. Ainda nos dias de hoje vejo pais expulsando filhos em situação semelhante a esta que descrevo, preconceituosos, ainda não se perguntaram que filhos e filhas, na normalidade não se "transformam" em gays, eles nascem com essa característica, merecendo nosso apoio e amor, pois um dia, no futuro, em outra dimensão, será nos perguntado: "O que fizeste aos filhos que te emprestei?".

Processo semelhante é o da adoção por casais homossexuais, como se a criança será homossexual, só porque os pais o são... quanta tolice! Até porque quem gera filhos homossexuais, na grande maioria são casais héteros. Entretanto nesse caso em particular é sempre interessante um acompanhamento de um profissional, psicólogo por exemplo, para já dando um norte, uma orientação para essa criança que poderá sofrer no futuro com esse fato.

Recentemente escrevi sobre esse assunto resumidamente em uma rede social, sabe quantas pessoas curtiram? Catorze pessoas.... Se fosse o mesmo assunto visto como piada, chacota, em conluio com o preconceito, tenho certeza que teria centenas de comentários, curtidas, etc. Sim o preconceito ainda está por muito tempo estará enraizado nas pessoas, mas isso em um dado momento mudará.

Claro que antes conversei com meu filho para fazer estes escritos para o jornal, tenho certeza que uma relação não só com os filhos, deve ser a pedra angular de qualquer relacionamento, que quando estimulamos a conversa, a sinceridade, as coisas ficam mais fáceis, como está sendo para minha família.

Obrigado, meu filho, por me dar mais essa chance de evoluir espiritualmente: seu pai que te ama muito e sempre.

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