Tribuna do Leitor

Bauru, do sanduíche, do astronauta e do basquete...

Carlos R. Ticiano
| Tempo de leitura: 3 min

No dia seguinte ao jogo de basquete, ainda eufórico com a vitória do Bauru Basket (Dragão) em cima do Paulistano por 92 a 73; emocionado com a conquista do título de campeão pela (NBB Caixa 2017); com a imagem festiva do capitão Alex Garcia pela conquista do troféu da MVP (Jogador Mais Valioso) e do técnico Demétrius Ferracciú estourando a champanhe, lembrei-me, graças ao meu estômago, que ainda não tinha almoçado.

Com uma disposição igual a do time do Bauru Basket, iniciei a procura por um restaurante que oferecesse uma refeição não muito cara, pois bolso de torcedor brasileiro desempregado anda mais vazio que pastel de feira livre. Não demorei muito a encantar-me com um que tinha o nome bem sugestivo de - "Um dia da caça, outro do caçador".

Como já se passavam do meio dia e a fome apertava, resolvi encarar o tal "Caça e Caçador" e provar do cardápio que eles anunciavam na porta. Curioso, fui entrando por um corredor, que me levaria a um salão, onde se viam algumas pessoas almoçando e outras apenas conversando. Pelo tom de voz e gestos que faziam, deviam estar falando sobre o "cestinha" Alex Garcia. E das enterrada, ponte aérea, cesta de chuá e das assistências do Léo Meindl, Shilton, Valtinho, Jefferson William, Gui Deodato, Gegê...

Para evitar contra tempos, pedi logo um "virado à paulista" e sentei-me numa mesa ao lado de extintor de incêndio. Entre os atrativos que a decoração oferecia, destaco um gatinho deitado no parapeito da janela, uma cristaleira retro, cheia de louças antigas, um quadro com a foto do Bauru Basket da temporada (2014/2015), de um ventilador de teto que só fazia barulho e da mocinha que usava uma blusa "baby look" do Bauru Basket, que atendia no caixa. Alias, diga-se de passagem, uma gracinha...

Mas o garçom logo chegou e acabou com o meu "flerte", perguntando-me o que eu gostaria de beber. Para não complicar as coisas, pedi logo uma coca-cola. A comida em si, até que não estava ruim, apesar do bife estar com cara de ser da chapa de algum político dissidente, das hortaliças que pela aparência, não dormiram bem à noite, e da coca-cola estar um pouco quente, como andam as coisas pelos ares de Brasília. Mas a comida ganhou a batalha da fome, como o ataque do Bauru Basket sobre a frágil defesa do Paulistano.

Levantei-me e fui até o caixa, para pagar a conta. Quando constatei para minha decepção, que a garota, aquela do "flerte" era casada. Sem muita conversa, entreguei o dinheiro e fiquei esperando o troco, que demorou um pouco a chegar, em virtude dela mesmo ter ido trocá-lo na padaria em frente. Assim, de posse de algumas moedas, iniciei minha saída até a porta. Ao passar pela última mesa, percebi que um senhor, parecido com o Gustavo De Conti (técnico do Paulistano) fazia sinais, tentando dizer-me que estava engasgado, talvez com o "bauru" que ele degustava (sanduíche criado pelo estudante bauruense). Mais do que depressa fui ao seu encontro e ajudei-o a desengasgar-se. Agradecido, desejou-me felicidades e saiu meio que sem rumo pela porta, em direção à calçada.

Eu também saí logo em seguida e tratei de ir logo até a banca mais próxima, que ficava na esquina, para adquirir uma edição do "Jornal da Cidade" para ler a reportagem completa com toda a história, trajetória e campanha do título do Bauru Basket. Afinal não é todo dia que se é campeão.

Como diria o narrador esportivo:

Moooonnnnsssstro...

 

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