Tribuna do Leitor

Pela metade

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 1 min

Muitas vezes, talvez não apenas eu, temos a nítida certeza que não deveria ter chegado ao fim, que deveria ter parado pela metade.

Uma noite de amor, um filme durante a madrugada, uma partida de futebol, um livro, uma crônica que lemos no jornal ou algo escrevemos e depois vamos ler.

O desenrolar de um julgamento, o discutir da relação com a cara-metade, uma viagem esperada e planejada também.

Sim, de quantos dissabores seríamos poupados, mesmo porque seres complexos que somos, estamos sempre descontente com os resultados finais, sejam os inesperados ou mesmo os que eram os que nos fariam realizados. Parar no meio, no meio do gozo, no meio de beijo, no meio do choro, no meio do riso.

Ficando sem saber o que seria feito do fim, se o mocinho salvou a mocinha e se beijaram se no final clichê, ou se ele leu o epitáfio na lápide sobre a grama, com data de chegada e a da partida sob uma tarde chuvosa, cena de hollywood ou do Cemitério do Ype.

Incógnita: isso é o que somos na verdade, pois não nos conhecemos, hora queremos frio, hora um sol escaldante, procura infinita pela felicidade, que hora temos certeza que estaria na Europa rica, hora naquele carro esportivo que passa dirigido pelo estranho mais feliz do mundo.

Não conhecer a história inteira nos deixaria em um espécie de vácuo, com gritos na garganta que jamais seriam expulsos pelos pulmões, e nos poupariam, no entanto, do: "Nossa, que decepção, esperei tanto por isso?"

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