Tribuna do Leitor

Pipoca de cargos

Eduardo Coube de Carvalho
| Tempo de leitura: 1 min

A manchete do JC de ontem ajuda a acomodar os ânimos e desviar a atenção da população para um antigo e grave erro administrativo de nossa cidade. Ao contrário do que escreve o título do periódico, não existe nenhuma nova lei que impede a festa de distribuição de cargos no município. Ocorre que uma hora a conta da irresponsabilidade iria chegar!

Já alertávamos sobre a situação das contas públicas quando da disputa eleitoral para a prefeitura no ano passado. Em artigo publicado em 31/07/2016 (https://www.jcnet.com.br/editorias_noticias.php?codigo=244485) dissemos: "A cidade gastou em 2014 50,2% de suas receitas com pessoal e em 2015 esse número chegou ao limite prudencial estabelecido pelo art. 22 da Lei de Responsabilidade Fiscal, de 51,3%. Nos últimos anos, os gastos com pessoal aumentaram em média 10% ao ano, enquanto que as receitas não acompanharam esse crescimento.

O resultado prático desse cenário, em conjunto com outros gastos mal executados, é que não sobra espaço de manobra da prefeitura para execução das políticas públicas, em especial dos investimentos... Precisamos saber agora dos candidatos ao próximo certame de outubro se estão debruçados sobre esses fatos, e se estão estudando uma saída para o ineficiente gasto público."

Precisa o JC traduzir de maneira mais direta que ainda hoje, mesmo com a nova administração, ocorre em nossa cidade uma asfixia desenvolvimentista com duas pesadas características: se por um lado a má gestão dos gastos públicos não permite ao Executivo investir nas áreas de assistência básica, tampouco o governo municipal cria condições e permite atrair, reter e desenvolver negócios e indústrias na cidade.

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