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Geração de vagas fica no azul pelo 2º mês seguido

Estadão Conteúdo
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A economia brasileira ampliou o número de vagas formais de trabalho pelo segundo mês consecutivo em maio. Foram criados 34.253 postos com carteira assinada em todo o País, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A continuidade de resultados positivos foi bastante comemorada pelo governo, mas o próprio ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, preferiu ser cauteloso sobre o desempenho do ano.

"Gostaria de garantir (que o ano terminará com geração de vagas), mas não posso", admitiu Nogueira. Entre os analistas, essa possibilidade começa a ser destacada. A LCA Consultores prevê abertura de 100 mil postos ao fim de 2017, depois de 2,8 milhões de vagas formais serem dizimadas do mercado de trabalho nos últimos dois anos. "É pouco, mas é diferente dos últimos anos", disse Fábio Romão, economista da LCA.

Embora a crise política tenha despertado incertezas em relação à recuperação da economia, o ministro fez questão de destacar ontem que o resultado do Caged é prova da retomada. "Dá pra comemorar isso, é sinal de que economia se estabiliza, o emprego volta a dar sinais de recuperação", disse Nogueira.

Principal fiador da política econômica do governo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, engrossou o discurso. "Esse número confirma nossas previsões de uma recuperação gradual do emprego", afirmou, em postagem no Twitter. "Na retomada do crescimento, a economia demanda algum tempo para atingir o nível de emprego que desejamos. O importante é que o rumo está certo."

Depois de dois anos no vermelho, o Caged exibe um saldo positivo de 48,5 mil vagas com carteira no acumulado de 2017. O resultado de maio representou o primeiro crescimento para o mês desde 2014. Em abril, já havia sido registrada a criação de quase 60 mil vagas formais. Nos cinco primeiros meses do ano, três registraram abertura de postos. Todos esses indicadores foram destacados pelo governo e também por economistas, mas a avaliação que permanece é do gradualismo dessa recuperação.

O economista Thiago Xavier, da Tendências Consultoria, afirmou que o momento é de melhora do emprego, mas com continuidade do processo de ajuste. Segundo ele, quando retirados os fatores sazonais, movimentos de contratação ou demissão típicos de determinada época do ano, os resultados ainda são negativos, embora menos que no passado. "As demissões têm perdido velocidade, mas, ao mesmo tempo, o ritmo de contratação ainda é fraco."

Setores

O setor agropecuário foi o que mais criou vagas formais no mês de maio, com um saldo positivo de 46 mil novos postos. O cultivo do café, concentrado em Minas Gerais, e da laranja, em São Paulo, foram atividades que contribuíram para esse saldo. O coordenador-geral de Estatísticas do Ministério do Trabalho, Mário Magalhães, disse que o resultado, embora represente um setor com menor participação na economia, é positivo para a atividade como um todo. "A renda gerada tende a dinamizar os demais setores", justificou.

O setor de serviços gerou quase 2 mil vagas em maio, enquanto a indústria de transformação abriu 1,4 mil novos postos. Os saldos foram bem mais tímidos do que no campo, mas Magalhães destacou que estão "condizentes" com a tendência esperada. Daqui para frente, os números devem oscilar até atingir o pico do emprego, entre os meses de setembro e outubro, explicou o técnico. Apesar de otimista, ele também reconheceu a dificuldade em projetar hoje o resultado final do ano. "O mercado de trabalho é uma caixinha de surpresas." (Colaboraram Eduardo Rodrigues, Caio Rinaldi e Thaís Barcellos)

 

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